Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

sábado, 27 de setembro de 2008

O olhar do mestre

Rembrandt, 1629, Cabeça de Jovem /auto-retrato


Faz vento
E eu sei...
O teu segredo!
A profusão de ideias,
O vegetar profundo
Dos teus lamentos
Adolescente...
Faz vento
E tu não sabes
A voz do sonho
E os dedos largos
Na confusão da brisa...
A tua viagem
Inconcebida, vaga...
Tu eras...
Infinitas ânsias
A germinar!
Tu ias...
No teu sonho
Marginal.
+++

Quando me olhas
Tens uma sede
Que não satisfaço.
Quando me sonhas
E me receias...
Vagueias suavemente
À procura de um fantasma.
Quando me agrides
Com as tuas palavras
No recreio das ideias,
Tu inventas o desejo!
E se te vejo e sorrio
Tu ficas à beira do abismo.
Sou a tua vertigem
Se me aproximo
E não digo
Naquele tom monótono e vário:
«Escrevam o Sumário...».
+++
* Aos meus novos alunos!

Ana




Escola de Atenas

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Cecília Meireles, Canção de Outono

Claude MONET, Il Viale del Gardino

Perdoa-me, folha seca,
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.
***
De que serviu tecer flores
pelas areias do chão,
se havia gente dormindo
sobre o próprio coração?

***
E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza.
É que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando àqueles
que não se levantarão...

***
Tu és a folha de outono

voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
Certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão...
Cecília Meireles

A minha homenagem à Primavera do outro lado do mar, com sabor a côco - diria Sophia de Mello B. Andresen - e à amiga que teve a gentileza de me enviar essa voz extraordinária da poesia brasileira:
http://hsp7.blogspot.com/

sábado, 20 de setembro de 2008

Fráguas Edénicas

Dante G. ROSSETTI, O Sonho, 1880
+
Aqueles que sonham
Ainda navegam
Nas águas
Pelas fráguas
Edénicas...
Aqueles que apenas pensam
São náufragos
Petrificados pelos esquemas,
São sistemas,
Máquinas bélicas!
Aqueles que choram
Mansamente imploram:
Mais sonhos!
Mais barcos!
Mais fráguas e águas
Para tecerem impérios
Mais...
Eternos arcos,
Imprecisos!
Aqueles que lutam
Amanhecem ainda,
Humanamente...
Ana

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Quadra em Quatro Ângulos Para um Mundo Esférico

Savador Dalí, Fantasias Diurnas, 1932
***
Tudo se resume no Absoluto.
As coisas diversas são iguais.
Só há alegria porque há luto.
Tudo forma o uno...e não mais!
Ana
*

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

sábado, 6 de setembro de 2008

Reflexão

Gregory Williams, Reflections II
« A regra da virtude pode ser comparada à Estrela Polar, que comanda a homenagem da multidão de estrelas sem abandonar o seu lugar»
***
Livro II, 1., Confúcio, Os Analectos

terça-feira, 2 de setembro de 2008