Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Em Novembro

Kazimir Malevich, O amola-tesouras



Chove...

Mas isso que importa!,
se estou aqui abrigado nesta porta
a ouvir a chuva que cai do céu
uma melodia de silêncio
que ninguém mais ouve
senão eu?

Chove...

Mas é do destino
de quem ama
ouvir um violino
até na lama.

José Gomes Ferreira


tudoben.com

Ficou cinzento este dia três de Novembro. Nuvens pesadas de tensão e de turbulência caem sobre os professores. Foi o mundo que mudou: instalou-se, para fracassar numa espantosa implosão, a experiência não experimentada.
Que me importa isso? Nada.
Lá atrás, na minha infância, em dias assim ...chegava o amola-tesouras e as mulheres vinham em nuvem dirigida por Abel, o alfaiate, para aprimorarem as tesouras que lhes iriam recortar os dias.
Hoje, há nuvens de chumbo que pesam sobre mim e o amola-tesouras assobia com estridências antigas, pelas ruas da minha terra.
Chove.

10 comentários:

Flor ♥ disse...

Querida Aninha,

"Mas que isso importa..."

As nuvens negras passarão...
e o amolador de tesouras
assobiará sempre!

Cito para ti Mário Quintana:

"Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!"

Beijinho e um dia de paz!

Bjs.

Bipede Implume disse...

Querida Aninha
Parece que a chuva foi o tema escolhido. Nem de propósito.
Começa a ser engraçada esta telepatia.
Gosto de chuva. E lembro com saudade as grandes chuvadas africanas. Caíam torrencialmente e passado pouco tempo vinha logo o sol. E ficava aquele cheiro a terra, tão bom.
Beijinhos e muito carinho para ti.
Isabel

Luma Rosa disse...

Ana, doce recordação de tempos idos e pena que os acontecimentos nos tempos atuais sejam amargos. Não acredito no destino, como chora o violino. Acredito que o amola-tesouras ao evocar a infância, evoca também esperança. Vamos pensar positivo! Algo há de se fazer! Beijus,

Gerana Damulakis disse...

Senti uma tristeza caindo das palavras como a chuva caindo do céu. Chuva que não há se olho pela minha janela, mas chuva que há tanta no texto que me fez olhar para a janela.
Mas, Ana, chuva é água e água é vida e leva a tristeza embora.
Um beijo que espante a tristeza.

claudio rodrigues disse...

E o amola-tesouras nem para ajudar a dar tesouradas nessa nuvens...Minha imaginação construiu as cenas perfeitamente. Vi mulheres correndo com as tesouras, ávidas para voltar à costura, amoladas. E a prosa do homem, enquanto dá um trato nas ferramentas. A propósito da videoconferencia sobre as ilhas sebastiânicas, claro que podemos fazer. Como são teus alunos, de que segmento?

Silvana Nunes .'. disse...

Navegando sem ruma com a intenção de divulgar o meu blog, cheguei até você e gostei do que vi, tanto que pretendo voltar mais vezes. No momento estou impedida de fazer leituras muito extensas, pois a claridade da tela do computador está prejudicando um pouco a minha visão, devo tomar cuidado. Em breve resolverei esse problema. Bem, já que estou aqui aproveito para convidar a conhecer FOI DESSE JEITO QUE EU OUVI DIZER... em http://www.silnunesprof.blogspot.com
Se gostar, siga-me.
Por hoje fico por aqui, Espero nos tornarmos bons amigos.
Que a PAZ e o BEM te acompanhem sempre.
Saudações Florestais !

LUNA disse...

Sabe do que eu lembeio, junto com
amola-tesouras? Do senhor que vendía pelas ruas raspadinha e queixadinhas....
Deus meu!!! quántos anos!!!
E tambén lembro de:

Chove chuva, chove sem parar
Chove chuva, chove se parar
Mas eu voy fazer uma prece
Prá Deus Nosso Señor
Pra chuva parar de molhar
O meu divino amor
Que é muito lindo
É mais que o infinito
É puro e é belo
Inocente como a flor
Por favor, chuva ruim
Não molhe mais
o meu amor assim
Por favor, chuva ruim
Não molhe mais
o meu amor assim
Chove chuva,
chove sem parar
Chove chuva,
chove sem parar
(Jorge Ben)
http://es.youtube.com/watch?v=RSlnTUJ8JCo

Um beijinho molhado....

ADRIANO NUNES disse...

Ana,


Maravilhoso!


Chove...E a chance de molhar-me é quase uma lágrima!


Grande abraço,
Adriano Nunes.

Henriqueta disse...

Olá Ana,
também eu revivi momentos da minha infância, lembrei meus avós,as vizinhas, que pelas seis da manhã, varriam as ruas com vassoras de "pasto", a rua onde nas noites quentes de Verão, sentados nos mochos, que meu avô tão bem fazia, eu e as crianças cantávamos, contávamos histórias...agora percebo como éramos felizes sem televisão nem PCs...os discos de vinil ou as cassetes piratas faziam as nossas delícias...
agora esqueço-me de ouvir as "Baleias" do Roberto Carlos,"28ºà sombra", "je táime, moi non plus"...e tantos outros temas que nos faziam sonhar e desejar estar nos braços dos meninos que amávamos!Sei que os tempos são outros e que os nossos filhos, quando chegarem à nossa idade, também vão recordar com saudade a infância deles...é um ciclo...
Um beijinho com muito carinho

Blogadinha disse...

"Quando as pessoas são felizes, não reparam se é Verão ou Inverno".

Grata pela visita.

Bom fds!