Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Anjo e demónio

Alyssa Monke, óleo sobre tela, 2009

Quem és tu anjo e demónio,
Mulher e criança de um dia presente?
Porque lês silenciosa o Deuteronómio  
Procurando um Deus omnipresente?
Mulher - virgem em fantasiosos devaneios;
Parturiente de uma vida por conceber...
Tu! Mãe de filhos ainda por nascer,
Peito carregado de nobres anseios!

Mulher ou menina, sensível e indiferente,
Que procuras dar e sonhas receber,
Vivendo num mundo igual que vês diferente.
Tu! Que queres amar e receias sofrer!
Embrião crescido numa incógnita verdade,
À procura de uma justiça inconcebida...
Rebelde e conservadora de uma mesma sociedade;
Humilhada em passo de subida...

Quem és, ser estranho, que vives em mim
E amas até aos limites da tua dor,
Fiel aos outros e traindo-te assim,
Nessa concepção profunda e egoísta do amor?
Tu! Sublime e injusta num tempo e num lugar,
Segura e indefesa de uma mesma condição,
Generosa e exigente num mesmo caminhar;
Paradoxo vivo de uma igual contradição!


Ana

30 de Novembro de 1978


16 comentários:

edumanes disse...

Amiga Ana, é verdade
A «nossa» Pérola põe pérolas nas palavras
E você amiga escreve com sinceridade
Para elogiar as pessoas certas.

"Mulher virgem em fantasiosos devaneios;
Parturiente de uma vida por conceber...
Tu! Mãe de filhos ainda por nascer,
Peito carregado de nobres anseios!"

Muito lindos estes versos.

Obrigado pela visita,
boa noite desejo para você amiga Ana, um beijo
Eduardo.

Fernando Santos (Chana) disse...

Belos versos...Espectacular...
Cumprimentos

Anónimo disse...

Gostei muito. Tem ritmo!

Zilani Célia disse...

OI ANA!
COLOCASTE EM TEUS VERSOS, TODAS NÓS MULHERES, COM NOSSAS INCOERÊNCIAS, VERDADES, COM NOSSAS MUTAÇÕES TÃO VISÍVEIS E MESMO ASSIM,PRONTAS A SERMOS NÓS MESMAS PARA QUEM AMAMOS...
LINDO DEMAIS.
ABRÇS
http://zilanicelia.blogspot.com.br/

Andradarte disse...

Uma beleza....Quem sabe... sabe.
Adorei
Beijo

Olinda Melo disse...


Magnífico poema, menina! Traz no seu ventre todos os anseios, dúvidas, nobreza, altruísmo e também egoísmo, um misto daquilo que somos e que nos caracteriza como ser humanos. Seres com falhas...mas também capazes de fazer acontecer coisas sublimes. Como nós, Mulheres!

Querida Ana:

Passemos agora a algo mais prosaico :)Há um passatempo lá no Xaile, cujo prémio é um voucher de viagem. Aparece!

Bj

Olinda

São disse...

Minha querida, que excelente poema o que hoje nos ofereces!!

Abraço apertado, Aninhas

Daniel C.da Silva (Lobinho) disse...

Apeteceu-me ler toda esta prosa poética sem cuidar do que diz, como quem lhe sente a beleza sem cuidar do significado; ainda por cima apetece declamar, tens estrofes muito bem conseguidas que darão certamente à oralidade outra cor...

beijinho amigo

Mar Arável disse...

Soltem-se os pássaros

Pérola disse...

A mulher...essa força da natureza tão bem retratada em palavras intensas.

Beijos

Margarida disse...

Foi dos poemas que já colocou aqui que eu mais gostei :)
Nem queira saber! Lisboa é um amor que eu ganhei nestes anos. Não troco isto por nada. Tinha toda a razão!

Espero que esteja bem. Beijos,
Sara

Fê blue bird disse...

Uma dualidade presente em nós mulheres de corpo inteiro.
Intenso, sensível e belo, muito belo este teu poema minha amiga.


beijinho

Bípede Implume disse...

Querida Aninha
É isso a mulher.
Pairamos sobre nós próprias. Mas tu consegues transformar em poesia.
Brilhante.
Beijinho e bom fim de semana.
Isabel

heretico disse...

poema inspiradíssimo.

muto belo

beijo

José María Souza Costa disse...

Olá.

Hoje é Sexta Feira, o primeiro do dia, dos fins de semana.
Quero desejar-te Saúde. Alegrias. Paz. Deslumbramentos. E uma contagiante vontade, para que os teus sonhos, aqueles ainda não realizados, concretize-se. O melhor da Vida, sempre é, viver em paz. Por isso, receba o meu sentimento de carinho, de amizade, e de respeito.
Fique com Deus, o Criador, o dono, do dom da Vida.
Um abraço.

Luma Rosa disse...

Oi, Ana!
Sabe quem é essa menina, que muitas vezes traquina vive a esconder? É uma menina que habita nas horas, nos dias em que mais sentimos saudades de nós mesmas. Quem sabe um dia encontre novamente essa menina em um dia de sol?
Beijus,