Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Em vão


Eileen Agar

Passam no parque
pessoas paradas
sem rumo
sem pão
passam
em vão

Com sacos de plástico
emblema dos pobres
passam perdidos
atletas por pão

Não possuem alfobres
passam e escutam
há sinos
há dobres
Suão majestático
erguendo seu NÃO.

Ana



22 comentários:

São disse...

De fazer doer o coração , amiga!

Abraço fraterno .

Andradarte disse...

Estará atual por muito tempo ainda....(este poema)
Beijo

Rogerio G. V. Pereira disse...

"Passam no parque
pessoas paradas"

Poeta
Não há expressão melhor
para descrever esta
imobilidade que nos cerca

Edumanes disse...

Nada neste mundo será em vão!
porque há tanta miséria no mundo
para comer muita não tem pão
lutar com razão para não cair no fundo
se o não fizer, pois não terá salvação!

Bom fim de semana para você amiga Ana, um abraço.
Eduardo.

Edumanes disse...

Corrijo: PARA COMER MUITA GENTE NÃO TEM PÃO!

Mar Arável disse...

Um retrato do tempo que faz

Vanuza Pantaleão disse...

Os poderosos dizem NÃO aos que pedem PÃO. Quem dirá sim aos novos tempos que esperamos que virão?
Forte e triste o teu grito por justiça social, amiga. Nós aqui também o ouvimos todos os dias...

Obrigada, Ana!
Um fim de semana de muitas reflexões!Bjsss

heretico disse...

mas valha-nos a santa "Propriedade" - na cidade de Lisboa todos os sem abrigo são donos de um cacifo... para arrumarem a miséria.

teu poema e belíssimo.

beijo

Isa Lisboa disse...

E infelizmente, temos cada vez mais pessoas paradas nos parques do nosso país... Que melhores dias venham!
Boa semana, Ana!

Graça Pires disse...

Um poema cheio de sensibilidade sobre um dos problemas que atinge este país calado...
Um beijo, Ana.

Magia da Inês disse...

°.♪♬
Frio!!! Desolador!!!
Queria que os corações fossem mais quentes!

Bom domingo, amiga!
Beijinhos.
°.♪♬♫彡

Fê blue bird disse...

Quando o silêncio diz tudo!

Beijinho amiga Ana, tem uma boa semana

Olinda Melo disse...


Nada mais emblemático da miséria silenciosa, neste teu poema, como a alusão aos sacos de plástico.

Beijo e boa semana.

Olinda

Jorge disse...

Olá, Ana!
Um poema que nos sensibiliza para o imobilismo em que estamos e que parece não ter fim à vista.
Um abraço,
Jorge

Bípede Implume disse...

Querida Aninha
Como dói esta realidade. Contudo, como muito bem diz o herético, os sem-abrigo agora têm um cacifo todo "becas" para guardarem seus haveres...caixas de cartão e tal.
Será que pagam por isso?
Lindo o teu poema. Beijinhos e boa semana.

Ana Tapadas disse...

Na cidade em que vivo os sem abrigo não
são uma realidade visível, por isso não existem os tais cacifos...aqui apenas um sem número de desempregados e de reformados prematuramente (escorraçados por diversos motivos) deambulam por aí numa decepção visível e triste...

Beijos

Petrus Monte Real disse...

Ana:

é uma história
antiga
mesmo real: a miséria dos dias de hoje

Muito Obrigado

Fernando Santos (Chana) disse...

Excelente poema....
Cumprimentos

Margarida disse...

Sou uma optimista por natureza.

Beijos com saudades,
Sara

Nilson Barcelli disse...

Há tanta coisa em vão...
Magnífico poema, gostei imenso.
Tem um bom fim de semana, querida amiga Ana.
Beijo.

Lídia Borges disse...


A forma canta, o conteúdo chora...

Muito belo!

Luma Rosa disse...

Oi, Ana!
De cortar o coração para uma nação que já foi uma das mais ricas e que tanto contribuiu para a expansão do desenvolvimento. Enfim, o que resta à nós que estamos tão longe é apenas pedir à Deus que os governantes sejam despertados para ações que tire o povo da miséria.
Bom fim de semana!
Beijus,