Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Rente ao muro

Vito Campanella

Onde está o calor deste rumoroso silêncio
Que te escalda um sol demente os claros ombros
Ruína
Escombros
Onde vais tão calada erguendo teu sorriso
Impreciso
Vago
Que te cobre essa sombra onde se esconde e encobre
Sem regra nem lima que o sol assombra
Anárquica
A polis


Ana


14 comentários:

Rogerio G. V. Pereira disse...

"Onde vais tão calada erguendo teu sorriso"

sorriso, ou esgar mascarado disso?
(enquanto se vão erguendo muros em volta)

Graça Pires disse...

Um silêncio escaldante que se faz rumor na inquietude sentida junto aos muros de qualquer cidade, de qualquer país...
Muito belo, Ana.
Um beijo.

Existe Sempre Um Lugar disse...

Boa tarde. "Sem regra nem lima que o sol assombra" esta frase revela o seu bom sentimento, o poema é lindissimo.
AG

Bípede Implume disse...

Querida Aninha
Enquanto isso Portugal arde...
Ninguém se pergunta porquê?
Beijinhos daqui, deste verão envergonhado, pelo menos nesta zona.
Mais beijinhos

Chellot disse...

Em "Que te escalda um sol demente os claros ombros" me lembra da fragilidade das pessoas e das coisas do mundo.
Gostei muito.
Bjs doces.

Mar Arável disse...

Contra muros e amos

Bj

Majo disse...

~~~
~ Os dias continuam difíceis e humilhantes
na confusa matriz da polis... Anárquica!

Um poema interessante, magistralmente concebido.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

~~~ Abraço amigo. ~~~
~ ~ ~ ~ ~

. intemporal . disse...

.

.

. assertivo . como uma farpa . cortante .

.

. um abraço .

.

.

CÉU disse...

Olá, Ana!

Como já percebeste não sou nada dada à erudição, mas sei reconhece-la.
És escritora de prosa e poesia, e eu escrevo umas frases com algum sentido, que, em geral, agradam.
Embora perceba o k tu queres transmitir, vejo-me grega para te comentar, pke não sei ser sucinta, "faca", também não sou, negativa, tb não, embora, e se for preciso saiba chamar "os bois pelos nomes".

Pois, a civilização, as polis andam conturbadas, mas isto, um dia, terá um epílogo, bom ou mau. Eu sou otimista, por natureza, portanto estou sempre á espera do bem e do bom. Velha do Restelo, nunca serei, isso eu sei.

Boa semana.

Beijinhos.

heretico disse...

"em cada esquina um amigo/em cada rosto igualdade..."

há que olhar alto e fixar o sol
apesar das "ruínas e dos escombros..."

beijo

Olinda Melo disse...


A polis já traz em si o gérmen da desigualdade.
Talvez por isso, ou porque faz parte do ser humano,
continuamos à procura dum ideal, dum ideário, dum caminho
que nos consiga levar à consecução de nobres aspirações.
Enquanto isso, vagueamos todos imprecisos e vagos sem
força para decidir a nossa vida colectiva.

Excelente momento de leitura, querida Ana.

Beijinhos

Olinda

© Piedade Araújo Sol disse...

intenso e profundo.
silêncios em carne viva.
beijo
:)

AC disse...

Subtilezas das pedras, do pó, da luz/sombra mas, acima de tudo, a tua subtileza, Ana...

Um beijinho :)

Miguel disse...

Encontro-me de férias na Escócia, neste momento em Turso, a dois passos do Mar do Norte, onde o acesso à Net (e à civilização dum modo geral  ) é bastante difícil.
Quando regressar a Bagno a Ripoli, o que deverá ser em finais de Setembro, visitarei todos os blogs amigos.
Até lá desejo-te tudo de bom e dias muito felizes.
Um beijo
MIGUEL / ÉS A MINHA DEUSA