Depois de quatro quilómetros de bicicleta, cerca de trinta de autocarro e de surpreendentes notícias no rádio da velhinha 300 dos Claras, lá chegámos a Abrantes. Ao lado esquerdo da estação de camionagem estava a sede da P.I.D.E./D.G.S. ... No Liceu a vida vibrava, espelhada no Tejo! Foi ali que vivi o dia claro, bem no polígono militar e, não só...
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terça-feira, 25 de abril de 2017
segunda-feira, 25 de abril de 2016
Com mãos se faz a paz se faz a guerra
Com mãos se faz a paz se faz a guerra
Com mãos tudo se faz e se desfaz
Com mãos se faz o poema ─ e são de terra.
Com mãos se faz a guerra ─ e são a paz.
Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedra estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.
E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.
De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.
Manuel Alegre
O Canto e as Armas
Europa-América
1979
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Manuel Alegre
quinta-feira, 24 de abril de 2014
Pátria
Por um país de pedra e
vento duro
Por um país de luz
perfeita e clara
Pelo negro da terra e
pelo branco do muro
Pelos rostos de silêncio
e de paciência
Que a miséria longamente
desenhou
Rente aos ossos com toda
a exactidão
Do longo relatório
irrecusável
E pelos rostos iguais ao
sol e ao vento
E pela limpidez das tão
amadas
Palavras sempre ditas com
paixão
Pela cor e pelo peso das
palavras
Pelo concreto silêncio
limpo das palavras
Donde se erguem as coisas
nomeadas
Pela nudez das palavras
deslumbradas
- Pedra rio vento casa
Pranto dia canto alento
Espaço raiz e água
Ó minha pátria e meu
centro
Me dói a lua me soluça o
mar
E o exílio se inscreve em
pleno tempo.
Sophia de Mello Breyner
Andresen
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25 de Abril
quinta-feira, 25 de abril de 2013
A Forma Justa
Sei que seria possível construir o mundo justo
As cidades poderiam ser claras e lavadas
Pelo canto dos espaços e das fontes
O céu o mar e a terra estão prontos A saciar a nossa fome do terrestre
A terra onde estamos — se ninguém atraiçoasse — proporia
Cada dia a cada um a liberdade e o reino
— Na concha na flor no homem e no fruto
Se nada adoecer a própria forma é justa
E no todo se integra como palavra em verso
Sei que seria possível construir a forma justa
De uma cidade humana que fosse
Fiel à perfeição do universo
Por isso recomeço sem cessar a partir da página em branco
E este é meu ofício de poeta para a reconstrução do mundo
Sophia de Mello Breyner Andresen
O Velho Abutre
O velho abutre é sábio e alisa as suas penas
A podridão lhe agrada e seus discursos
Têm o dom de tornar as almas mais pequenas
A podridão lhe agrada e seus discursos
Têm o dom de tornar as almas mais pequenas
Sophia de Mello Breyner Andresen, In Livro Sexto, 1962
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