Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165
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segunda-feira, 15 de abril de 2019

Metáforas a Ocidente.

Paris, 2019 (Google)

CONSTRUÇÃO: 1163 A 1345

DESTRUIÇÃO: ALGUMAS HORAS


Que aprendem os homens com a História?

   


quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Populismos

Jornal opinião acre


SEM COMENTÁRIOS.

Brexit



O Grito (no original Skrik) é uma série de quatro pinturas do artista norueguês Edvard Munch, a mais célebre das quais datada de 1893. A obra representa uma figura andrógina num momento de profunda angústia e desespero existencial. O plano de fundo é a doca de Oslofjord, em Oslo, ao pôr-do-sol. O quadro O Grito é considerado como uma das obras mais importantes do movimento expressionista.  (WIKI)


AS VÁRIAS VERSÕES DESTE QUADRO PARECEM TRADUZIR O ESTADO EMOCIONAL DA SOCIEDADE, DITA, BRITÂNICA.

sábado, 5 de janeiro de 2019

Alerta

Ítaca, Grécia

Abriu-se a porta.
Entrou a vida,
Clara como a luz.
É urgente!
É forçoso!
É inadiável...
Não adormecer!
Abriu-se a porta.
É fria a luz!
É frágil a Vida!


Ana






Da utopia

Este foi o presente da minha querida Janaína Amado. Obrigada!

sábado, 15 de dezembro de 2018

Dirás que o fogo aquece...



Sudão, FOLHA.COM

Que faremos, após o serão?
Que faremos, depois no Verão?
Dirás que o fogo aquece...
Dirás que o Sol aquece...

Dirás Etiópia ou dirás Sudão?
Dirás Amor ou será Paixão?
E leremos o Passado...
E teremos o legado!



Etiópia, FOLHA.COM

A sombra se ergue
E o Medo vagueia...
O Amor te abriga,
A Paixão te ateia!

Na clausura dos dias
Não ergas @ rede...
Na clausura dos dias
Não sacies a sede!


Sugestão de leitura

Dirás Etiópia ou dirás Sudão?
Dirás Amor ou será Paixão?
E leremos o Passado...
E teremos o legado!


TVI24

Que faremos, após o serão?
Que faremos, depois no Verão?
Dirás que o fogo aquece...
Dirás que o Sol aquece...

Ana









quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Temos o dever

Revista, Exame


Esta não é uma marcha triunfal. 
Não vivemos num tempo em que se possa perdoar o hedonismo. A ilusão do mundo virtual não pode distrair a triste realidade de afloramentos perigosos. A decadência narcisista tomou conta dos valores humanos, especialmente no, dito, Ocidente...
Entre o Modernismo e uma Idade por vir, atolamos a Humanidade numa Idade do Meio, uma Idade Média em que tudo se desconstrói.
Temos o dever de desconstruir a superficialidade reinante.
Assim, e para que nunca possas dizer que não te falei das flores, recordemos o duro silêncio de todas as religiões e a mudez de todas as almas que se dizem boas...
Não me peças um poema doce, pois este é um caminho para perigosos regressos e já outros, antes de mim, ergueram as suas vozes. 




Caminhando e cantando e seguindo a canção Somos todos iguais braços dados ou não Nas escolas nas ruas, campos, construções Caminhando e cantando e seguindo a canção Vem, vamos embora, que esperar não é saber, Quem sabe faz a hora, não espera acontecer Vem, vamos embora, que esperar não é saber, Quem sabe faz a hora, não espera acontecer Pelos campos há fome em grandes plantações Pelas ruas marchando indecisos cordões Ainda fazem da flor seu mais forte refrão E acreditam nas flores vencendo o canhão Vem, vamos embora, que esperar não é saber, Quem sabe faz a hora, não espera acontecer. Há soldados armados, amados ou não Quase todos perdidos de armas na mão Nos quartéis lhes ensinam uma antiga lição De morrer pela pátria e viver sem razão Vem, vamos embora, que esperar não é saber, Quem sabe faz a hora, não espera acontecer. Vem, vamos embora, que esperar não é saber, Quem sabe faz a hora, não espera acontecer. Nas escolas, nas ruas, campos, construções Somos todos soldados, armados ou não Caminhando e cantando e seguindo a canção Somos todos iguais braços dados ou não Os amores na mente, as flores no chão A certeza na frente, a história na mão Caminhando e cantando e seguindo a canção Aprendendo e ensinando uma nova lição Vem, vamos embora, que esperar não é saber, Quem sabe faz a hora, não espera acontecer. Vem, vamos embora, que esperar não é saber, Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

domingo, 28 de outubro de 2018

Cega e Paralisa


Portinari, Guerra e Paz, ONU



No ano de 1940, um grande poeta brasileiro, escrevia um poema intemporal a que deu o sábio título de «Congresso Internacional do Medo». Imperioso lê-lo, hoje, quando o mundo se agita em desequilíbrios de toda a ordem e no momento em que muitas sombras espreitam. 
O Medo cega e paralisa a consciência humana.



Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.


                                                        Carlos Drummond de Andrade


Portinari FB Mão - Estudo Guerra e Paz
Cândido Portinari, A Construção de uma Mão



“Não, essa ameaça da barbárie fascista não desapareceu totalmente. Por isso, apelamos sempre para uma verdadeira insurreição pacífica contra os meios de comunicação de massas, que, como horizonte para os nossos jovens, só sabem propor o consumo de massas, o desprezo pelos mais fracos e pela cultura, a amnésia generalizada e a competição desenfreada de todos contra todos. A todos aqueles e aquelas que construirão o século XXI, dizemos com carinho: criar é resistir. Resistir é criar”.


Stéphane HESSEL, Indignai-vos!, 2010

sábado, 29 de setembro de 2018

«Janela do Caos»


O amor em tempos de caos Jan Toorop ( Johannes Theodorus Toorop )
 1858 - 1928 Holandês pintor indonésio simbolismo 


Harmonia do terror
Quando a alma destrói o perdão
E o ciclo das flores se fecha
No particular e no geral:
Nenhum som de flauta,
Nem mesmo um templo grego
Sobre colina azul
Decidiria o gesto recuperador.
Fome, litoral sem coros,
Duro parto da morte.
A terra abre-se em sangue,
Abandona o branco Abel
Oculto de Deus.


(mestre da poesia brasileira) Murilo Mendes, «Janela do Caos»



Indonésia, hoje, Estadão








terça-feira, 24 de julho de 2018

Helénicos



Folha, Uol





Ira de Aquiles, filho de Peleu,
deusa, concede que eu celebre em canto,
ira fatal que aos acaios impôs
uma miríade de sofrimentos;
muitas almas de força e valentia
fez descender para a casa de Hades;
almas de heróis cujos corpos sem vida
relegou como espólio para os cães
e de banquete às aves de rapina.
Assim cumpria-se o plano de Zeus
desde o primeiro momento em que os dois
por força da discórdia se apartaram,
o Atrida, soberano de varões,
e o filho de Peleu, divino Aquiles.
Quem dentre os deuses incitou os dois,
por meio da discórdia, a contenderem?
Foi o nascido de Leto e de Zeus,
que, movido por raiva contra o rei,
fez com que sobre o exército avançasse
terrível peste – o povo perecia –
por motivo de o sacerdote Crises
ter sido desonrado pelo Atrida.
Isso ocorreu no dia em que ele fora
até as rápidas naves aqueias
a fim de libertar a sua filha,
carregando um resgate imensurável
e tendo em suas mãos sinais divinos,
lauréis de Apolo, flecheiro infalível,
entrelaçados em seu cetro de ouro.
Pedia para todos os aqueus,
mas sobretudo para os dois Atridas,
comandantes de povos e varões:
“Filhos de Atreu e vós outros aquivos,
guerreiros de cnêmides bem-feitas,
que para vós concedam os divinos,
possuidores de olímpicas moradas,
saquear a priâmea cidadela
e ter um bom retorno para casa.
Mas libertai minha filha querida,
aceitando os resgates que vos trago.
Sede tementes ao filho de Zeus,
o arqueiro de infalível mira, Apolo.”
Nisso, os outros acaios aclamaram
com jubilosos gritos o discurso:
que o sacerdote fosse respeitado
e que se recebessem os resgates.
Somente ao filho de Atreu, Agamêmnon,
isso não alegrava o coração.
Terrivelmente rechaça o ancião
e o manda embora com grave discurso:
“Que eu não te encontre novamente, velho,
junto das côncavas naves aqueias,
nem agora tardando em retirar-te
nem mais tarde voltando para cá.
De nada poderão te auxiliar
esse teu cetro e as insígnias do deus,
pois eu não a libertarei jamais
antes de lhe sobrevir a velhice
dentro do meu palácio, lá em Argos,
muito longe da terra de seu pai,
frequentando o tear a cada dia
e me encontrando ao leito a cada noite.
Agora parte! Não me encolerizes,
que assim talvez tu salves tua vida.”
Assim falou. O velho, amedrontado,
obedeceu às ordens recebidas.
Partiu calado, caminhando só
junto das dunas do mar murmurante.
Depois que se afastou do acampamento,
o velho então rezou com grande empenho:
“Apolo, meu senhor, tu que nasceste
de Leto, de belíssimas madeixas,
escuta minha prece, do arco argênteo,
tu que zelas solícito por Crisa
e por Cila, terreno consagrado,
e que em Tênedo reges com poder.
Esminteão, se alguma vez outrora
ergui um belo templo para ti,
ou se acaso eu alguma vez outrora
queimei ossadas de coxas com banha,
ossos de coxas de touro ou de bode,
concede para mim o que desejo:
faz com que os dânaos me paguem todas
as minhas lágrimas com tuas flechas!”
Assim ele falou em sua prece
e Febo Apolo logo o escutou.
Ele baixa dos píncaros do Olimpo,
enraivecido desde o coração,
trazendo junto aos ombros o seu arco
e a aljava de feitura primorosa.
Junto às espáduas do deus furioso,
retiniam agudos os projéteis
à medida que se movimentava
avançando semelho à própria noite.
Logo senta distante dos navios
e então dispara a primeira das flechas.
Um terrível clangor ressoa ao longe
espraiando-se do arco prateado.
Acometeu primeiro contra os mulos
e logo após contra os fúlgidos cães.
Na sequência, contudo, pondo a mira
de seu dardo aguçado contra os homens,
ele atirou. Sem pausa, dia e noite,
as piras de cadáveres queimavam.
                         Homero, in ILÍADA (Tradução de Leonardo Antunes)






segunda-feira, 23 de julho de 2018

O Sorriso Perdido

R

NoA

EFÉNS DO BOKO HARAMtíci LIBERTADOS NA NIGÉRIA: "AINDA DÓ






"O que se percebe imediatamente é que as crianças aqui quase não riem", conta um funcionário do acampamento de Malkohi, na periferia da cidade nigeriana de Yola. Cerca de metade das perto de 300 pessoas que eram mantidas em cativeiro pelo Boko Haram tem menos de 18 anos. Um terço das crianças no acampamento sofre de desnutrição.”



Adrian Kriesch, António Cascais





      Notícias da Nigéria em dias de Julho.





domingo, 8 de abril de 2018

Regressões

Jackson Pollock

Da beleza...







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Da Justiça...








Show s ria
www.acritica.com


Da Paz...







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I.ª Guerra Mundial

Da Memória!






segunda-feira, 8 de maio de 2017

Deve haver

Beckwith e Fisher. Sudão






Deve haver, num recanto qualquer
o bafo quente, a terna voz...
Deve haver, um mágico embondeiro
que acalme e proteja o terno rosto
e o espírito trágico que vagueia,
bombardeio de crueldade atroz.
Deve haver, num recanto qualquer
um ser humano, um colo de mulher,
um cálido ideal que serpenteia...
E o grito que rebenta a voz!

Ana






Conflito no Sudão do Sul já roubou os lares a dois milhões de crianças

Jornal EXPRESSO, 8/05/17

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Da tranquilidade...


Doitri.com




Há, no meu jardim, um pouco dos lugares por onde andei. O Mediterrâneo veio aqui desaguar, numa branda transparência de azuis, numa onda íntima de sossego e serenidade. Há, no meu jardim, uma Humanidade que se mescla nos odores adocicados deste Abril de espanto e dor. Nele me distendo, depois de duros dias de trabalho. Refúgio onde me sento e releio Kafka. Que querias que lesse, nos dias que correm? Deixa a tua torre de marfim, sai do teu pequeno mundo, olha ao redor...Este é o momento que ele definiu tão bem: ansiedade e alienação!


Ana


quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Regressos

Rob Gonsalves, Sweet city


Na procura de conhecimentos, o primeiro passo é o silêncio, o segundo ouvir, o terceiro relembrar, o quarto praticar e o quinto ensinar aos outros.
Textos Judaicos




quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Políticos: a dimensão social e ética

πολιτικός
POLÍTICO (dos cidadãos ou do estado).

terça-feira, 27 de setembro de 2016

E as crianças, Senhor?



Síria, Amnistia.org


Na geometria quieta,

A tarde que finda...
Nostalgia secreta
Que os sonhos alinda.
Na distância rumores
E o choro de crianças.
Não fales das flores...
Não ensaies as danças!


Ana





sábado, 5 de dezembro de 2015

À flor da pele...

Público.pt

É um tempo que ruge
É a vida que urge...

E este silêncio que rói
E a imagem que dói!
Fuga na margem dos dias,
Lâmina nas manhãs frias.

É um medo que corrói...
É a tela suja que destrói!

Ana


sábado, 27 de junho de 2015

Dies Irae

Alto Alentejo, José Alves


"A não-violência não consiste em renunciar a toda luta real contra o mal. A não-violência, tal como eu a concebo, empreende uma campanha mais activa contra o mal que a Lei de Talião, cuja natureza mesma traz como resultado o desenvolvimento da perversidade. Eu levanto, frente ao imoral, uma oposição mental e, por conseguinte, moral. Trato de amolecer a espada do tirano, não cruzando-a com um aço mais afiado, mas defraudando a sua esperança ao não oferecer resistência física alguma. Ele encontrará em mim uma resistência da alma, que escapará do seu assalto. Essa resistência primeiramente o cegará e em seguida o obrigará a dobrar-se. E o facto de dobrar-se não humilhará o agressor, mas o dignificará... ", M. GANDHI


Mediterrâneo, José Alves



Apetece cantar, mas ninguém canta.
Apetece chorar, mas ninguém chora.
Um fantasma levanta
A mão do medo sobre a nossa hora.

Apetece gritar, mas ninguém grita.
Apetece fugir, mas ninguém foge.
Um fantasma limita
Todo o futuro a este dia de hoje.

Apetece morrer, mas ninguém morre.
Apetece matar, mas ninguém mata.
Um fantasma percorre
Os motins onde a alma se arrebata.

Oh! maldição do tempo em que vivemos,
Sepultura de grades cinzeladas,
Que deixam ver a vida que não temos
E as angústias paradas!

Miguel Torga, in Cântico do Homem





quarta-feira, 25 de março de 2015

«O grande desastre aéreo de ontem»

Mediterrâneo, José Alves



«Para Cândido Portinari
Menino com carneiro - Candido Portinari
«Menino com carneiro», 1953 - Portinari


Vejo sangue no ar, vejo o piloto que levava uma flor para a noiva, abraçado com a hélice. E o violinista em que a morte acentuou a palidez, despenhar-se com sua cabeleira negra e seu estradivárius. Há mãos e pernas de dançarinas arremessadas na explosão. Corpos irreconhecíveis identificados pelo Grande Reconhecedor. Vejo sangue no ar, vejo chuva de sangue caindo nas nuvens batizadas pelo sangue dos poetas mártires. Vejo a nadadora belíssima, no seu último salto de banhista, mais rápida porque vem sem vida. Vejo três meninas caindo rápidas, enfunadas, como se dançassem ainda. E vejo a louca abraçada ao ramalhete de rosas que ela pensou ser o paraquedas, e a prima-dona com a longa cauda de lantejoulas riscando o céu como um cometa. E o sino que ia para uma capela do oeste, vir dobrando finados pelos pobres mortos. Presumo que a moça adormecida na cabine ainda vem dormindo, tão tranqüila e cega! Ó amigos, o paralítico vem com extrema rapidez, vem como uma estrela cadente, vem com as pernas do vento. Chove sangue sobre as nuvens de Deus. E há poetas míopes que pensam que é o arrebol.»


                                                                                            Jorge de Lima (1893-1963)



Alpes franceses, José Alves