domingo, 8 de março de 2015
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015
Iniciática sanha
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| Sibila de Delfos, Michelangelo |
São curtos os braços
do Deus criador...
São velas, são laços
ao teu redentor!
Pitonisas inquietas
tecem abraços,
olhando ao redor
de aras libertas.
Rasgaram as brumas
de noites de breu.
Pisaram espumas
do mar que é teu.
Caíram dos cumes.
Teceram em plumas,
na orla do véu,
oráculos aos numes.
Arderam as sarças
da sacra montanha.
Voaram as garças
de infinita manha.
E, antes do Nada...
sem clamor, sem farsas,
com iniciática sanha
pintou-se a Alvorada!
Ana
sábado, 21 de fevereiro de 2015
A música das esferas...
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| Inma Valderas, «Las nubes son pintoras» |
A luz suave desta madrugada traz o eco sereno da Primavera por vir. Ânsias de jardim, desejos de brisa cálida nesse rumor das tardes longas espreguiçadas sobre a planície. Não creias na cacografia que se instala sobre nuvens passageiras, que a terra já arfa seu Março.
Nas noites mornas de breu, escutaremos a música das esferas que só o quieto silêncio nos dá. Pautas celestes que o Arquitecto compôs nos ensinarão a frágil quietude em que estamos nesta ínfima viagem. Pintores do grau mínimo daquilo que somos aspiraremos ao infinito.
Humanos, todavia...
Ana
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
«Está nas nossas mãos»
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| Knossos, Creta, Grécia - José Alves |
LEGADO
Disse: creio na poesia, no amor, na morte
e por isso mesmo, creio na imortalidade.
Escrevo um verso,
escrevo o mundo, existo; existe o mundo.
Da ponta do meu dedo mínimo corre um rio.
O céu é sete vezes azul.
Esta pureza
é de novo a primeira verdade, a minha última vontade.
YANNIS RITSOS, Grécia, 1901-1990
Tradução de Eugénio de Andrade
Yannis Ritsos, nome maior da poesia grega contemporânea, nascido em Monemvassia (Grécia), a 1 de Maio de 1909 e falecido a 11 de Novembro de 1990, em Atenas.
Para além da literatura, destacou-se na luta armada contra a ocupação nazi da Grécia.
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| Knossos, Creta, Grécia - José Alves |
VIERAM
com os galões dourados
os galos do Norte e as feras do Levante.
E tendo repartido em duas a minha carne
acabaram por se disputar pelo meu fígado
e foram-se.
"Para eles", disseram, "o fumo do sacrifício,
para nós os fumos da glória,
amén."
E o som enviado do passado
todos o ouvimos e conhecemos.
Conhecemos o som e de novo
de voz apertada cantámos:
para nós, para nós o ferro ensanguentado
e a traição triplamente urdida.
Para nós a madrugada na caldeira
e os dentes cerrados até à hora derradeira,
e o dolo e a rede invisível.
Para nós o rastejar na terra,
a jura escondida na escuridão
dos olhos, a crueldade,
sem nenhuma, nunca nenhuma Contrapartida.
Irmãos enganaram-nos!
"Para eles", disseram, "o fumo do sacrifício,
para nós os fumos da glória,
amén."
Mas tu na nossa mão a candeia das estrelas
com a tua fala acendeste, boca do inocente,
porta do Paraíso!
A vigência do fumo no futuro vemos
jogo da tua respiração
e seu poder e reinado!
de Louvado Seja (Áxion Estí),
tradução portuguesa e posfácio de
Manuel Resende, Assírio e Alvim, 2004.
Manuel Resende, Assírio e Alvim, 2004.
Odysséas Elytis é um poeta grego falecido em 1995. Recebeu o prémio Nobel em 1979.
Áxion Estí, publicado em 1959, é um poema nacional no qual o poeta, inspirado na tradição, revê a história da Grécia com todas as suas vicissitudes e anseia por um renascimento. E, como ele disse no Discurso do Prémio Nobel:
"No fundo, o mundo material é um puro amontoado de matéria. A construção final depende da nossa qualidade de arquitectos. O paraíso ou o inferno. Se a poesia contém uma garantia e isto nestes tempos sombrios, é precisamente esta: que o nosso destino, apesar de tudo, está nas nossas mãos."
In Posfácio a Áxion Estí de Manuel Resende.
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| Museu de Heraklion, Creta - José Alves |
Mais poemas gregos:
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| Knossos, Grécia - José Alves |
domingo, 15 de fevereiro de 2015
Obrigada, Alex Campos!
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| África |
Os meus dias correm afiados. Só hoje posso ter a paz necessária para aqui deixar o agradecimento de um presente muito especial que recebi do meu amigo Alex Campos. Ele conhece bem África. Eu fui apenas, durante alguns anos, professora de Literaturas de Língua Portuguesa.
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| Recordando... |
Assim, quando abri o pequeno pacote...a minha alma deslumbrou-se. Acabava de receber o manancial poético dessa incomparável voz africana: Alda Lara!
À prostituta mais nova
Dobairro mais velho e escuro ,
Deixo osmeus brincos , lavrados
Em cristal , límpido e puro ...
Do
Deixo os
E àquela virgem esquecida
Rapariga sem ternura ,
Sonhandoalgures uma lenda ,
Deixo omeu vestido branco ,
Omeu vestido de noiva ,
Todo tecido de renda ...
Sonhando
Deixo o
O
Ofereço-o
E os livros , rosários meus
Dascontas de outro sofrer ,
São para os homens humildes ,
Que nunca souberam ler .
Das
Desesperada
Deixo-os a ti,
Vás por essa noite fora ...
Oferecê-los às
Obrigada, Alex Campos!
Etiquetas:
amizade,
Literatura
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