Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

domingo, 19 de março de 2017

Da Guerra

O nascimento de Vénus - Botticelli


Não creias nas aparências
Frívolas consciências
Que o mais feio dos deuses
Te está fadado

Vulcano que o fogo acende
Teu marido por castigo
Que trais com Marte
Que a guerra ama

Ah a fútil a inconstante
Humana condição
Que trai em cada dia
A quieta via da evolução.

Ana




Mohammad Mohiedine Anis, senhor de 70 anos que vive em Aleppo, região de conflito na Síria (Joseph Eid/AFP)









terça-feira, 7 de março de 2017

O Excesso



Alexandre Séon, Le retour

Se chorar, dirás que sofro...
E, todavia, o céu telúrico.
E, todavia, os teus passos,
Os teus laços,
Tu...
O palpitar constante,
O ser difuso, divagante!
Não sei do espaço,
Perdi o tempo,
No momento
Em que tocaste o meu sonho!
A beleza, a nobreza...
O excesso e o reverso...
E, se te sonho e te quero,
Tu és a calma, a agitação
- o meu processo!
Se chorar dirás que sofro!
O habitual, o convencional...
Porém, há um hino divinal
E pássaros entram pelas vidraças,
Se me abraças...
E te perdes.

Ana


Nota: talvez pelo excesso de trabalho e enorme falta de tempo disponível, talvez pelo sol radiante e pelo toque primaveril que actualiza as paixões...reedito este poema. 
Bom dia, amigos.


terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Ferinos



                                                                           Hans Dahl, pintor norueguês





Nas asas do vento passam os dias.
Breves silêncios deslizam secretos.

São pontos ferinos na réstia de luz!

Quietos os beijos que pedias...
Leves desejos de quem seduz.


Ana

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Sugestão de leitura






Espera-se que fale do livro, do outro...livro. Só posso recomendar este. O resto é mesmo isso - o resto. Daí a verborreia com o seu carácter prolixo.







segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Sem receio

Luis Dourdil



Andamos sobre a fímbria dos dias e, na distância, procuramos vultos insanos  que nos fazem temer um devir sem esperança. 
Compete-nos não desistir. Compete-nos resistir. 
Que importa se os pés vão nus e o caminho é longínquo?
Caminhamos, ainda, na direcção do ideal. Ao longe, outro mais frágil nos espera. No peito fechámos o alento. No braço empunhamos a serenidade.
Não me digas que, do outro lado, existem muros e que a Humanidade definha rumo a um ocaso qualquer...
Ao longe, ainda arde Alexandria.


Ana