sábado, 24 de fevereiro de 2018
sábado, 17 de fevereiro de 2018
Regresso
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| Kunstmuseum em Zurique, Matteo Cozzi |
Biografia
Sonho, mas
não parece.
Nem quero que pareça.
É por dentro que eu gosto que aconteça
A minha vida.
Íntima, funda, como um sentimento
De que se tem pudor.
Nem quero que pareça.
É por dentro que eu gosto que aconteça
A minha vida.
Íntima, funda, como um sentimento
De que se tem pudor.
Vulcão de
exterior tão apagado,
Que um pastor
Possa sobre ele apascentar o gado.
Que um pastor
Possa sobre ele apascentar o gado.
Mas os
versos, depois,
Frutos do sonho e dessa mesma vida,
É quase à queima-roupa que os atiro
Contra a serenidade de quem passa.
Então, já não sou eu que testemunho
A graça
Da poesia:
É ela, prisioneira,
Que, vendo a porta da prisão aberta,
Como chispa que salta da fogueira,
Numa agressiva fúria se liberta.
Frutos do sonho e dessa mesma vida,
É quase à queima-roupa que os atiro
Contra a serenidade de quem passa.
Então, já não sou eu que testemunho
A graça
Da poesia:
É ela, prisioneira,
Que, vendo a porta da prisão aberta,
Como chispa que salta da fogueira,
Numa agressiva fúria se liberta.
Miguel Torga
Meus amigos, regresso com Torga. Obrigada, por toda a atenção e carinho. As peças começam a recolocar-se... Bom Domingo!
Etiquetas:
amizade
terça-feira, 9 de janeiro de 2018
«Vieram uns sábios...»
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| Giotto, Capela Arena, Pádua, séc.XIV |
«Quando entraram em casa, viram o menino com Maria, sua mãe, e inclinaram-se para o adorarem. Depois apresentaram o que traziam para lhe oferecer: ouro, incenso e mirra. Então Deus avisou-os por meio dum sonho, para não voltarem a encontrar-se com Herodes. E eles partiram para a sua terra, por outro caminho.»
(Mateus 2:11-12)
É admirável como as narrativas se alteram ao sabor das circunstâncias. O Povo di-lo de modo simples: quem conta um conto, acrescenta um ponto.
Vem isto a propósito daqueles sábios que terão vindo do Oriente até Jerusalém esclarecer uma velha profecia. Somente um excerto bíblico, esse que transcrevo, nos dá notícia de tal acontecimento. Não nos fala de gruta, não nos diz quantos eram, não lhes atribui nenhum nome e, muito menos uma raça humana. Eram sábios, não necessariamente Reis.
Sim, conheço os escritos apócrifos. Sim, conheço as primeiras representações romanas existentes no Vaticano. Não, o culto a Mitra não deriva neste relato dos,ditos, três reis magos.
Se representam o senso messiânico dos sábios, óptimo!
Basta-nos olhar as primeiras pinturas e a iconografia católica e a ortodoxa, para percebermos que, inicialmente, as representações os mostravam em número variável e da mesma origem étnica.
E o que dizer do quadro inacabado do génio? Tentação de todos os interpretes...ou deste quadro de Sandro Botticelli, no qual a iconografia assume o rosto dos homens da família Médici?
Hoje, a ideia de «vieram uns sábios» é objecto de plástico ou o que mais se possa vender/comprar. Esta é a narrativa do nosso tempo: entre o folclore e o descartável.
Ana
É admirável como as narrativas se alteram ao sabor das circunstâncias. O Povo di-lo de modo simples: quem conta um conto, acrescenta um ponto.
Vem isto a propósito daqueles sábios que terão vindo do Oriente até Jerusalém esclarecer uma velha profecia. Somente um excerto bíblico, esse que transcrevo, nos dá notícia de tal acontecimento. Não nos fala de gruta, não nos diz quantos eram, não lhes atribui nenhum nome e, muito menos uma raça humana. Eram sábios, não necessariamente Reis.
Sim, conheço os escritos apócrifos. Sim, conheço as primeiras representações romanas existentes no Vaticano. Não, o culto a Mitra não deriva neste relato dos,ditos, três reis magos.
Se representam o senso messiânico dos sábios, óptimo!
Basta-nos olhar as primeiras pinturas e a iconografia católica e a ortodoxa, para percebermos que, inicialmente, as representações os mostravam em número variável e da mesma origem étnica.
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| Leonardo da Vinci, Uffizi, Florença, séc. XV |
E o que dizer do quadro inacabado do génio? Tentação de todos os interpretes...ou deste quadro de Sandro Botticelli, no qual a iconografia assume o rosto dos homens da família Médici?
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| Sandro Botticelli, Uffizi, Florença, séc. XV |
Hoje, a ideia de «vieram uns sábios» é objecto de plástico ou o que mais se possa vender/comprar. Esta é a narrativa do nosso tempo: entre o folclore e o descartável.
Ana
quarta-feira, 3 de janeiro de 2018
Aparências
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| «O esperado», Ferdinand Georg Waldmüller |
O aparente e o verdadeiro lutam para uma confusão constante. A sociedade ocidental formatou, há muito, o nosso olhar. Um universo de aparências povoa os dias e a autenticidade perde-se num mundo de máscaras hipócritas. Até quando, alimentaremos teias de ignorância? Até quando, pactuaremos com o hedonismo irresponsável?
O aparente e o verdadeiro confundem contextos e ideais. Banalidades fúteis e lutas necessárias pelo aperfeiçoamento pessoal e social rivalizam em ambientes improváveis.
Exigências íntimas sabem que o verdadeiro nem sempre é o óbvio, tal como o nosso olhar não pode observar nenhum smarphone no quadro o «Esperado» do pintor escocês do século XIX - mesmo se, observando a menina, formos tentados a criar analogias.
Exigências íntimas sabem que o verdadeiro nem sempre é o óbvio, tal como o nosso olhar não pode observar nenhum smarphone no quadro o «Esperado» do pintor escocês do século XIX - mesmo se, observando a menina, formos tentados a criar analogias.
Existem contextos, da nossa época, que crescem num hediondo e perigoso rumo de confusões.
O anacronismo instala-se...também nas escolas.
Ana
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