Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

quinta-feira, 29 de março de 2018

O peso da água


Monforte, Alto Alentejo


Foram as águas
Alagaram o rumor quieto da planura
Foram as águas
Cresceram na pureza e na bravura
Foram as águas
Madre quieta na dureza e na alvura

Purificaram o coração dos homens
Lavaram o caos e levaram o terror
Foram as águas


Ana


quinta-feira, 22 de março de 2018

Poema para Sophia...






Anos volvidos, volto a ter Eugénio de Andrade perante os meus alunos. 
É tão bom ensinar aquilo que nos apaixona!





sábado, 17 de março de 2018

Indivíduos


Vladimir Kush, «Divine Geometry»

Chove.
O trabalho intenso afasta os mundos virtuais. Os dias absorvem a energia disponível. De perto, os ecos de guerras inundam os rios distantes e os mares próximos. Chove e ouço uma entrevista de Almhed Al-Tayed e olho o Sidur a que, às vezes, regresso...criaturas como eu são feitas de fragmentos.
Chove.
Soube que morreram amigos; a minha querida Janaína Amado chora o seu amor Luiz...crianças encurraladas são moeda de troca; a corrupção alastra; rios de superficialidade inundam os humanos... o caos parece instalar-se.
Chove.
Os dias correm exaustos e pequenos. 

Ana


sábado, 24 de fevereiro de 2018

Algares

Palácio do Cadaval


Algares
Chovem nos dias
Claros
Incólumes
Luz sem mácula

Extasias
Inverno ou inferno
Raros
Lugares
De incertas alegrias

Claros
Chovem dos dias
Secos
Azedumes
Na luz sem mácula

Alentejo
Sem chuva nos dias
Claros
Secos
De incerto arpejos

Ana






sábado, 17 de fevereiro de 2018

Regresso

Kunstmuseum em Zurique, Matteo Cozzi


Biografia


Sonho, mas não parece.
Nem quero que pareça.
É por dentro que eu gosto que aconteça
A minha vida.
Íntima, funda, como um sentimento
De que se tem pudor.
Vulcão de exterior tão apagado,
Que um pastor
Possa sobre ele apascentar o gado.
Mas os versos, depois,
Frutos do sonho e dessa mesma vida,
É quase à queima-roupa que os atiro
Contra a serenidade de quem passa.
Então, já não sou eu que testemunho
A graça
Da poesia:
É ela, prisioneira,
Que, vendo a porta da prisão aberta,
Como chispa que salta da fogueira,
Numa agressiva fúria se liberta.


                                                         Miguel Torga



Meus amigos, regresso com Torga. Obrigada, por toda a atenção e carinho. As peças começam a recolocar-se... Bom Domingo!