quinta-feira, 19 de março de 2020
quarta-feira, 11 de março de 2020
Pandemia...
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| María de los Remedios Alicia Rodriga Varo y Uranga N. 1908, Anglès (Gerona), España M.1963, Ciudad de México, México |
Gostaria de um discurso íntimo e feliz.
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| Remedios Varo |
Gostaria de falar-vos destas pintoras invulgares. Mulheres inquietas e visionárias. Mulheres, heroínas da normalidade dos dias atormentados.
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| Leonora Carrington N. 1917, Lancashire, Inglaterra M. 2011,Ciudad de México, México |
Gostaria de recordar que as duas viveram duas guerras que assolaram o mundo.
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| Leonora Carrington |
E nos seus olhares o caos se tornou uma mágica desordem. A beleza pode ser assim: conjuga uma harmonia entre o diurno e o nocturno.
Tenhamos a serenidade dos que contemplam, mas a acção dos fazedores de um mundo novo, no qual o medo seja apenas usado de forma luminosa para nos levar a agir contra aqueles que, na sombra, o usam para do caos reerguer nova ordem!
| «A cidade inteira», Max Ernst |
Gostaria de dizer-vos que não seremos despersonalizados e não afirmaremos, como Max Ernst, depois da guerra. De nós não falaremos na terceira pessoa:
“Max Ernst morreu em 1.º de Agosto de 1914. Ressuscitou em 11 de Novembro de 1918, na forma de um rapaz que queria ser mágico e pretendia descobrir os mitos de seu tempo”. (Wiki)
terça-feira, 18 de fevereiro de 2020
Kritiki Pelagos

Knossos - Creta, José Alves - 2008
Dormes, meu amor,
com as cigarras
de Creta...
O mar verde
dos teus sonhos
segreda,
zela,
sussurra,
murmura
infindáveis nomes
dos deuses...
Dormes, meu amor.
Kritiki Pelagos,
Arconte dos teus sonhos,
ungiu-te
aqui...
Dormes, meu amor,
no meu seio
entre as flores,
no mar verde
dos meus olhos,
com as cigarras
em Creta.
Ana
Reedito este «post», como resposta ao anterior. José é, habitualmente, o meu fotógrafo. Não tem redes sociais.
É a memória actualizada, perene.
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020
Para ti
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| Vladimir Kush |
Da minha mão, nasceu o poema
eterno como a luz, rápido como o vento.
No sossego da palavra, crio o alento
da verdade pura, que tornei em lema.
No céu distante, mais além de Deus,
uma alma pura de paz se incendeia
na escuridão dos passos, fio de candeia,
abraço a tua alma e os carinhos teus.
E na rocha imensa, com orvalho puro,
teu nome de amor, tão terno e tão duro,
vai aquecer no mundo, a minha alma triste
porque no Amor, só Amor criado
esquecerá no templo, junto ao ser amado,
a voz da Razão, o Destino em riste!
José M. T. Alves
O blogue, hoje, abre-vos uma excepção. Apresenta-vos o meu marido/alma gémea de décadas. Mas...não foi a primeira vez que aqui o trouxe!
https://raraavisinterris.blogspot.com/2009/08/nao-te-quero-senao-porque-te-quero.html
https://raraavisinterris.blogspot.com/2009/08/nao-te-quero-senao-porque-te-quero.html
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Amor
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020
Rumo
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| Alto Alentejo, 2020 |
A minha vida faz-se olhando a planície. As cores que se transmudam ao sabor dos dias pautam-me uma melodia íntima que não vos saberei transmitir. É uma cantata de comunhão e harmonia, de serenidade e de sonoridades que orquestram cada momento.
Vou a trabalho, pois aqueles que longe legislam não se perdem na distância e desconhecem a luminosidade que escorre da lonjura.
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| Alto Alentejo, 2020 |
As nuvens viajantes são minhas companheiras e nelas arrumei a infância. Mas reconheço o cheiro da erva cortada e esta humidade que a terra respira. Nunca estarei só, nestas paragens. Tudo se reduz na sua mesquinhez citadina, quando se espraia o olhar pelo longe do horizonte.
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| Alto Alentejo, 2020 |
A Primavera que espreita não me retira a inquietação. Eu sei o perigo que se disfarça em cada ondulado do caminho. É estreita a via. Há rumores de que novas guilhotinas se aprestam e de que rondam as sombras esquivas de novos senhoritos e inquisidores.
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| Alto Alentejo, 2020 |
Um velho leva as suas cabras. Atravessa a rua deserta. Traz-me o tempo antigo e as portas fechadas. Vou a trabalho, já to disse. Não sou a «cabrita» livre que saltitava pela aldeia da minha infância rodeada de amigas «cabritas» como eu. As avós e mães já não gritam por nós e este não é o tempo das amoras que colhíamos no largo. Agora, só o horizonte é largo e a sua vastidão grita-me a força vital que não nos abandonou, ainda...
O céu não nos cairá sobre a cabeça.
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| Alto Alentejo, 2020 |
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