Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165
Mostrar mensagens com a etiqueta amizade. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta amizade. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Sam Seaborn

Vladimir Kush, «Ocean Breeze»

O Sam Seaborn é uma personagem de ficção, como é do conhecimento daqueles que apreciam séries. Porém, o meu amigo Sam Seaborn é um narrador, por vezes próximo do autor e, noutras, também a personagem que nos conta a história. As suas narrativas são-nos contadas num registo de língua fluentemente urdido. A tecitura do texto cativa-nos e encanta-nos. O «récit», na sua universalidade, transporta o eterno debate entre o idealismo e o materialismo; entre a transcendência e a imanência. Não poderemos lê-lo à superfície, ficarmos instalados na gramática estrutural do texto, porque é do subtexto que emerge a mensagem.
Quando lemos uma história de Sam as personagens sugerem, pelos diálogos, que se deslocam num universo citadino, num quotidiano de encontros fugazes. Não se expõem ao desenfreado exterior e os traços de que se compõem assemelham-se a pinceladas impressionistas que se deslocam de um passado intenso para um presente narrativo, no qual o principal sema é o temporal e os objectos do quotidiano que isolam a persona
Os retratos irrealizam-se segundo o cânone literário: corpo - rosto - olhar. Assim, a percepção obedece à regra: o que dá prazer nunca lá está, por prazer. Essa é a máxima que constrói o verdadeiro erotismo que, no caso de Sam, é sempre construtivo de um mundo melhor que se perdeu, ou que se ambiciona. Estes são os códigos de sentido que vislumbramos por detrás do (des)encontro do «ele»/«ela» - que estão, por norma, do lado do ser. Todos os artifícios são regulados como elementos que compõem um cenário, não estão do lado do ter. Daí o carácter profundo das narrativas, aparentemente, simples histórias de amor ou de desencontro amoroso.
A maior marca de utopia não se afasta do quotidiano, como é sabido. É aí que instalamos a procura incessante de harmonia. 
Esse é o nosso amigo Sam Seaborn, que podem visitar aqui:



Nota:bom regresso! Para ti, só poderia ser um quadro de V. Kush...há já tantos anos de blogosfera!


sábado, 22 de dezembro de 2018

Amigos

Xico Pereira


Na minha infância, o frio tinha pérolas de orvalho e a bruma da planície humedecia as minhas pestanas longas. Havia sobre os telhados uma carícia de verde e o fumo erguia-se de lareiras em ondas de uma harmonia secreta. Lá fora, a geada e a repressão.
Na minha infância, de menina privilegiada, havia um olhar atento de gumes e pratos que distribuía cheios pelos vizinhos. E eu soube, desde então, qual o sentido das Festas e qual a medida da Justiça. 
Desde esse eco distante, na remota aldeia alentejana, vos desejo umas Boas Festas.



(*pagá-lo)



Zurique, 2018


Um Ano Novo Melhor!

Com Amizade,
Ana Maria


sábado, 17 de fevereiro de 2018

Regresso

Kunstmuseum em Zurique, Matteo Cozzi


Biografia


Sonho, mas não parece.
Nem quero que pareça.
É por dentro que eu gosto que aconteça
A minha vida.
Íntima, funda, como um sentimento
De que se tem pudor.
Vulcão de exterior tão apagado,
Que um pastor
Possa sobre ele apascentar o gado.
Mas os versos, depois,
Frutos do sonho e dessa mesma vida,
É quase à queima-roupa que os atiro
Contra a serenidade de quem passa.
Então, já não sou eu que testemunho
A graça
Da poesia:
É ela, prisioneira,
Que, vendo a porta da prisão aberta,
Como chispa que salta da fogueira,
Numa agressiva fúria se liberta.


                                                         Miguel Torga



Meus amigos, regresso com Torga. Obrigada, por toda a atenção e carinho. As peças começam a recolocar-se... Bom Domingo!

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Boas Festas






Com uma Estrela na Voz
Que voz é esta? De onde vem?
Que fantasmas antigos desperta
quando tudo o mais parece
ferido pela imobilidade de um sono de pedra?

Corres agora atrás das vozes
acantonadas nas arcas de Dezembro
e o que buscas é uma centelha de riso,
o fugaz cristal de uma lágrima,
o aconchego de uma carícia
capaz de vergar a noite ao peso
imaterial de um instante de ternura.

É só isso que buscas, nada mais.
E tudo o que buscas
é uma lança que trespassa a morte
tantas vezes anunciada
no mudo sofrimento dos animais.

E se, buscando, é a luz que encontras,
ergue-a então como um estandarte
na hora de todos os fingimentos
e continua buscando até descobrires
que a voz que persegues e quase te enlouquece
é a tua própria voz soletrando nos portais
os nomes piedosos e límpidos
de quem chega um dia no rasto de uma estrela.

José Jorge Letria


sexta-feira, 13 de outubro de 2017

A minha mudez

Caterina Prato


É sempre...MUITO TRABALHO!

domingo, 20 de dezembro de 2015

Paz

Neiva Passuello


Que a Paz desça sobre a Humanidade!


BOAS FESTAS.


domingo, 15 de fevereiro de 2015

Obrigada, Alex Campos!


África

Os meus dias correm afiados. Só hoje posso ter a paz necessária para aqui deixar o agradecimento de um presente muito especial que recebi do meu amigo Alex Campos. Ele conhece bem África. Eu fui apenas, durante alguns anos, professora de Literaturas de Língua Portuguesa.


Recordando...

Assim, quando abri o pequeno pacote...a minha alma deslumbrou-se. Acabava de receber o manancial poético dessa incomparável voz africana: Alda Lara!






À prostituta mais nova
Do bairro mais velho e escuro,
Deixo os meus brincos, lavrados 

Em cristallímpido e puro...

E àquela virgem esquecida 
Rapariga sem ternura,
Sonhando algures uma lenda,
Deixo o meu vestido branco,
meu vestido de noiva

Todo tecido de renda...

Este meu rosário antigo
Ofereço-o àquele amigo 

Que não acredita em Deus...

E os livrosrosários meus
Das contas de outro sofrer

São para os homens humildes
Que nunca souberam ler.

Quanto aos meus poemas loucos
Essesque são de dor 
Sincera e desordenada... 
Essesque são de esperança,
Desesperada mas firme,
Deixo-os a ti, meu amor...

Para que, na paz da hora
Em que a minha alma venha 
Beijar de longe os teus olhos,
Vás por essa noite fora... 

Com passos feitos de lua,
Oferecê-los às crianças 

Que encontrares em cada rua...



Obrigada, Alex Campos!




domingo, 4 de janeiro de 2015

Infâncias...


Saragoça, José Alves


Somos seres boreais e olhamos o Atlântico mergulhando as raízes no azul cristalino do Mediterrâneo, por isso amamos os vivos com o mesmo olhar fraterno e lúcido com que vemos partir na barca eterna aqueles que foram nossos. A tia M., aos 91 anos, fechou para sempre o seu olhar azul no dia 5 de Dezembro e, agora, no dia 31 o tio M., seu marido de 96 anos, partiu também. Neles andei ausente, porque neles ainda estava a minha infância...
Hoje, aqui regresso ao presente de dias claros e límpidos nos quais o Futuro amanhece.

Ana

domingo, 21 de dezembro de 2014

Boas Festas, meus amigos !

A. Dürer

Obrigada, Isabella Kramer !

Isabella Kramer

A minha amiga Isabella é alemã. Detentora de uma fineza artística invulgar, a um tempo poetisa e pintora. A suavidade do seu traço cromático alia-se à ligeireza fina com que usa a dura língua germânica. A sua fotografia capta detalhes e pormenores de rara beleza. 
Convido-vos a visitá-la:






domingo, 23 de novembro de 2014

Obrigada, Isa Lisboa!




A Isa Lisboa é uma personagem - companheira, criativa e de doce olhar azul, como as águas desse Tejo em que Lisboa, a outra, se revê. Dela recebi, generosamente, o prémio Infinity Dreams - 2014
Eu, como já tenho referido em situações semelhantes, sinto-me incapaz de seleccionar alguns dos meus muito amigos. Assim, aqui fica o Infinity Dreams - 2014, para os que se dignarem recebê-lo - todos o merecem.

Para a Isa, deixo as minhas respostas:

 1- Cita a frase que te define:
Antes de tudo a Verdade. Repito-a muitas vezes e pratico-a, como se de uma religião se tratasse.

2. Preferes ler livros de papel ou em formato digital?
Ah...o cheiro dos livros, eu gosto do cheiro deles! Leio também em digital, mas o meu Kobo fica muito na prateleira...
3. Gostarias de trabalhar no mundo da escrita ou preferes que seja um passatempo?
Sou professora. A escrita é um instrumento diário e profissional.
4. Que livro te fez chorar?
A ficção nunca me fez chorar. 
5. Que escritor gostarias de conhecer?
Para mim, o Autor não habita a escrita literária. Vive fora dela. A curiosidade pelos autores não me move. É o Texto que me cativa e apaixona... Um dia Sophia de M. Breyner foi a uma das minhas aulas na Faculdade de Letras em Lisboa e esse foi um momento muito estranho. 
6. Que usuário de Google visitas?
Tantos!
7. Dirias que a literatura mudou a tua vida?
Sou uma leitora inveterada. Assim, apesar de tudo indicar que seguiria algo na área das matemáticas, pois sempre tive essa aptidão escolar, acabei por escolher uma profissão que tem por companhia diária obras literárias. 
A Literatura mudou, de facto, a minha vida e tornou-a plena e realizada.
8. Como descreves teu blog?
Uma fuga a longos dias de muito trabalho.

9. Participaste de algum concurso?
Nunca.
10. Há quanto tempo começaste a escrever?
O meu blogue existe desde Março de 2008. Escrevo há muito, mas apenas brinco com as palavras. Eu sou uma leitora! Por deformação profissional e por ter estudos na área da Literatura, jamais me poderia considerar senão leitora. 

11. O que mais gostas no meu blog?
Gosto da tua forma de pores amor na vida, Isa!

Obrigada!

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Piedade Sol

para a Ana T.
guardo palavras que escrevo sem ecos,
apenas no murmúrio do canto das gaivotas ,
e dos azuis (sempre)!
                                                                                                                   Piedade Sol



Em longos dias de escravidão infinda, longe do mar e cerca de muitas marés, o peito guarda angústias, mas o rosto sorri e espelha esse azul do céu que cobre a minha planura. 
Sabemos que outros, como nós, cravam o olhar na existência. 
Alguns tecem-se de palavras cristalinas, contidas e pautadas pelos silêncios necessários à música da existência. Outros clamam, resistem e lutam com palavras limpas atrás dos muros hodiernos. Também os há de libidos exasperadas pela solidão com que nunca sonharam e todavia habitam. 

Nós levaremos, com o óbulo, essa passagem para as ilhas. Ali, escutaremos, ainda, o rumor constante das ondas da memória, a música infinita das esferas. E, nesse dia, teremos a certeza de termos sido habitantes do momento, mistura fraterna de humanidade, poeira luminosa na imensidão cósmica.


O teu nome reúne palavras perenes de humano e a tua visão é irmã da beleza. Obrigada por teres afagado a minha vida nestes dias longos como o Verão do meu lugar. Obrigada por existires e seres irmã da minha humanidade e me trazeres, hoje, essa prova da persistência humana que nos irmana e habita.


Serei sempre servidora dessa religião humana: Amizade!

Obrigada, Piedade Sol - http://olharemtonsdeflash.blogspot.pt/.


quinta-feira, 17 de abril de 2014

Obrigada, Isa Lisboa!

















O Rara Avis recebeu do Instantâneos a preto e branco um prémio! 
Venho aqui partilhá-lo com todos os meus amigos e leitores. Sinto-me incapaz de seleccionar...sei que, mais uma vez, estou a quebrar as regras, mas aqui reforço o agradecimento à Isa, uma doçura de menina muito talentosa.


quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Saúde e Paz

Leonardo Da Vinci, Uffizi, Florença

Boas Festas, meus amigos!

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Obrigada, São.


Hokusai, xilogravura do séc. XIX



 Descobri que a minha amiga São gosta muito de um género de poesia japonesa designado por haiku ou haikai. Não resisto a ter a ousadia de tentar esse difícil e conciso poema de três versos de cinco sílabas, para lhe agradecer a generosidade que me tem dedicado.
Obrigada, São Banza!


Voam jovens aves
Levam silêncios
Pesados e graves


(Sei que me sabes ler. Aí, só uma palavra terá sentido literal...nada me dói mais na minha profissão.)




Galeria:

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Obrigada, São Banza!




 São Banza visita-me com regularidade, tendo-se tornando uma amiga nas minhas cansadas noites de trabalho sem fim. Resolveu publicar um dos meus poemas no seu blogue. Agradeço os elogios que me fez esta amiga, mas como se sabe: eu apenas brinco com as palavras, elas são uma fuga na aridez dos dias. Sendo da «área», sei bem o que é um Poeta - eu não o sou.

Obrigada, minha amiga.

                                   Ana

sábado, 29 de dezembro de 2012

Feliz Ano Gregoriano de 2013



José Alves, Alentejo


Ficção de que começa alguma coisa!
Nada começa: tudo continua.
Na fluida e incerta essência misteriosa
Da vida, flui em sombra a água nua.
Curvas do rio escondem só o movimento.
O mesmo rio flui onde se vê.
Começar só começa em pensamento


Fernando Pessoa




QUE O NOVO ANO SEJA PLENO DE SAÚDE,
 MEUS AMIGOS.


Clique se quer saber mais sobre a Origem e evolução do nosso calendário...





quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Apocalipse...

José Alves, Grécia

Andou perdida a palavra quando viajou para a nossa Língua. Acontece às palavras viajantes perderem-se na semântica da memória dos povos. A Revelação judaica - אפוקליפסה - a que os gregos haveriam de chamar  αποκάλυψις, jamais significou «fim dos tempos». Porque haveria o criador de destruir a sua criatura? Milenarismos e outros atavismos manipulam perigosamente o medo humano, a irracionalidade que cega seres herdeiros do humanismo...

Carl_Larsson
Voltarei, depois, queridos amigos. 
Agora a família vai enchendo a casa e os sonhos de que falarei têm o significado denotativo da palavra...compete-me concretizá-los, para que todos os saboreiem.



Festas Felizes, Meus Amigos!