Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165
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segunda-feira, 20 de março de 2017

Hu.ma.ni.da.de

Itália, Veneza


Há mundos líquidos, por onde correm os sonhos dos homens. Lugares idílicos, aonde se reinventam rumores de antanho. Primaveras secretas que arfam no peito dos lunáticos e dos amantes devorados pela paixão e, esta, paradigma do destino último da humana condição - a morte.

Secretos, intranquilos, mergulhamos na atonia e no caos.

Que restará desta geração que - absorta, edonista e irascível - se afunda lentamente, pasmada no plasma e na contemplação de si mesma?

Haverá lugares obrigatórios e guerras necessárias?

Já te amei em Veneza e cruzei o Trieste quando a guerra grassava tão perto...
Só te posso afirmar aquilo que sei: o amor está em qualquer lugar e o sangue dos homens não é a nossa herança comum nem constrói o futuro - não te iludas, todavia! 
Somos a Humanidade.


Ana


Líbia, Sirte









hu·ma·ni·da·de 
(latim humanitas-atis)
substantivo feminino
1. O conjunto dos homens.
2. Natureza humana.
3. Género humano.
4. Bondade.
5. Benevolênciacompaixão.

"humanidade", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/humanidade [consultado em 20-03-2017].


sábado, 16 de julho de 2016

Fraternité

expedia.com

O lugar é muito belo. Ali, o Mediterrâneo beija suavemente uma orla de areia grossa e acordámos de espanto na nossa primeira grande viagem, aturdidos pela beleza e pelo encantamento permanente dos iniciados. Tão jovens, mal tínhamos passado os vinte anos e o peito mal continha a avassaladora paixão que, assim, uniu o meu Sul e o teu Norte. Havia gente, serenamente, nas ruas, mas nós pulámos para a praia, para o duche e para o encanto da longa marginal - «Promenade des anglais».
Estivemos, ali, mais duas vezes com o nosso filho. O encanto já não tinha a novidade, mas perdurava ainda. A luz clara, o azul tão puro, o Amor!
Agora, letras de sangue orlam este mar e desaguam naquela rua feita de verão e dos sonhos viajantes.
A barbárie e a loucura espreita em cada esquina o homem comum que ainda acredita na Humanidade...

Ana

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Yannis & Gorkem Saoulis

Tessaloniki

Ontem arrefeceu, subitamente. O anfiteatro ficou quase vazio. Pergunto-me, intimamente, por onde andarão os meus conterrâneos. Por vezes, uma irrealidade assola esta localidade: todos imitam todos. 

Gostaria de tecer fímbrias de  adjectivos e de palavras inusitadas, mas a realidade impõe-se, atípica e sombria, nestes dias de Verão. Partiram todos de férias, viajam como se fora a última coisa que pudessem fazer...

Recordo tempos assim, «années folles» entre duas guerras, e percebo a construção destas realidades em fuga, em busca de mundos oníricos.
Os dias pesam como chumbo, as noites são longas e fantasmagóricas. Ouvem-se raposas que gritam do outro lado do rio e o lodo cresceu com os calores do Estio. 
Aqui, uma voz da Macedónia grega ecoa e dialoga perene com a tradição turca. Gorkem Saoulis leva-me na fuga. Também eu, afinal, me escapo deste lugar abandonado.  
Irmanemo-nos, meus irmão do Sul, que a harpa soa serena e o kanum taksim é o arfar dos destemidos!

Ana

terça-feira, 5 de julho de 2011

Comunhões a Sul



Por estes dias de muito calor, resta-nos trabalhar no recolhimento do sol, quase de forma meditativa. Tudo fica lasso: a realidade em volta, o futuro, a folha «excel» interminável... A comida é, agora, frugal para dias longuíssimos de águas sem fim e dias de mar. A presença quente da planície pobre, abandonada a safras antigas de lendas descobertas e de mistérios desvendados, enreda-nos em teias de súbita solidão.  Pássaros atordoados esvoaçam sem norte.
De noite vivemos. Procuramos o conforto da identidade. O vento suão tem troado, perturbado, confundido as ideias exactas. Até nós chegam vozes do Mediterrâneo, pátria ancestral e origem. Ouvimos. O anfiteatro ao ar livre voa para para outras geografias.

Ana

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Memórias do Mediterrâneo, Fernand BRAUDEL

geocaching.com, Anfiteatro, Ponte de Sor

Ali, na curva do rio, durante as longas noites estivais, quando as temperaturas do sol a pique começam a descer um pouco e as casas - quentes demais - são lugares desabitados, a população junta-se e escuta os sons do Mediterrâneo. São momentos mágicos...da Pérsia ao sul de Itália, de Génova ao som sefardita de velhos e expulsos judeus castelhanos...
Velho e querido Mediterrâneo! Lugar de desencontros, mas também de união da enorme e paradoxal pureza multicultural...
Aqui, lugar dos homens!
MishMash

«29 de Junho – Mish Mash (Mediterrâneo)
21h30: Anfiteatro, zona ribeirinha, entrada livre.
O regresso dos ritmos quentes do Festival Sete Sóis Sete Luas à cidade de Ponte de Sôr é marcado com a presença do grupo musical Mish Mash, através de uma original interpretação dos sons que habitam o Mediterrâneo, o mundo médio-oriental e os países de Leste. Pilares desta inspiração são o reportório klezmer, as canções sefarditas, a antiga música persa. O nome não vem por acaso, pois Mish Mash, em várias línguas mediterrânicas, significa “mistura”». Sete Sóis