Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165
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segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Na noite dos idos



Viana do Castelo, Novembro de 2019




Ancorados os sonhos
perdidas as viagens
na voragem do tempo
a memória se foi

Teu homónimo morreu

Agora aqui estamos
hospital da decadência
a dias da destruição
o teu Norte e teu rumo

Na guerra primeira (?)

Ancorado nos dias
aragens e vento
nas águas do cais
ao sabor da cadência

Teu homónimo morreu (?)

Imperfeitas as rotas
estáticas e revoltas
negação na paisagem
ancorados os sonhos


Ana

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Ancoraram

Tel  Aviv - José Alves, 2019


Ancoraram os homens
nas pétalas dos sonhos
Frágeis e alegres
sorriram ao ocaso
Ancoraram os homens
nas madrugadas
Escutaram o rumor 
na distância dos mares
e frenéticos correram
Sem rumo e ao acaso

Ana


segunda-feira, 11 de março de 2019

Olhos que pensam

Vladimir Kush 

Humana a condição
daqueles que ousam
um pensamento adiado!
Deserta a escuridão,
superficial e formatada,
dos hedonistas que pousam
a humana insatisfação...



Ana



domingo, 27 de janeiro de 2019

Da alta montanha

Héctor Molina


Talvez o silêncio
da alta montanha.
Talvez o azul
Imenso do Sul.

E este quebranto
das gentes plasmadas
que incrédulas,
paradas...
Talvez no silêncio
da mente ligeira,
caiam no logro
deste Inverno azul.

E neste espanto
e neste quebranto,
inferno que finda,
não sabem ainda
do sonho inquieto
que desta soleira
se aflora ao Sul.

Ana



quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Futuro

Almeida Júnior 


A sala está quente,
Ardem os olhos
Cansados de ler...
A sala está quente,
Fervem na mente,
cansados a ler.

A sala ardente,
Cansada de ser
Indolente!
O teste cresce...
A mente amanhece.
Alunos a ser!
Cansados de ver.

L. está doente,
Mas o teste floresce,
Apta a ser.
Alunos a ler
Quebram o muro:
Futuro!


Ana

sábado, 5 de janeiro de 2019

Alerta

Ítaca, Grécia

Abriu-se a porta.
Entrou a vida,
Clara como a luz.
É urgente!
É forçoso!
É inadiável...
Não adormecer!
Abriu-se a porta.
É fria a luz!
É frágil a Vida!


Ana






sábado, 15 de dezembro de 2018

Dirás que o fogo aquece...



Sudão, FOLHA.COM

Que faremos, após o serão?
Que faremos, depois no Verão?
Dirás que o fogo aquece...
Dirás que o Sol aquece...

Dirás Etiópia ou dirás Sudão?
Dirás Amor ou será Paixão?
E leremos o Passado...
E teremos o legado!



Etiópia, FOLHA.COM

A sombra se ergue
E o Medo vagueia...
O Amor te abriga,
A Paixão te ateia!

Na clausura dos dias
Não ergas @ rede...
Na clausura dos dias
Não sacies a sede!


Sugestão de leitura

Dirás Etiópia ou dirás Sudão?
Dirás Amor ou será Paixão?
E leremos o Passado...
E teremos o legado!


TVI24

Que faremos, após o serão?
Que faremos, depois no Verão?
Dirás que o fogo aquece...
Dirás que o Sol aquece...

Ana









sábado, 17 de novembro de 2018

Afã



Alberta Cruz



Correm os dias na estridência do vidro.
Simples serenos, incautos seremos...
A fímbria do sonho reflecte a manhã
Vestida de bruma, fumo ou espuma?
Contigo, os dias serenos, seremos...
Ao longe, a estridência recorta, ímpia,
O sono dos justos, o gume, o afã...
E, serenos, incautos, justos, seremos!

Ana


domingo, 7 de outubro de 2018

No gume

Pedro Lima


É no limiar do sonho
Na pura escorrência 
Que a luz se inicia

Orvalho da ousadia
Permanência e energia

É no gume do sonho
Na emergência do dia
Que o Amor principia


Ana


quinta-feira, 9 de agosto de 2018

A Vida...

Rafal Olbinski,
"Calendar of Yesterday's Wishes"


Frágil voa para Sul,
Inquieta e ágil...
A Vida, neblina azul.
E o Homem fremente,
Paixão e Razão...
Declina e definha 
A Vida frágil, inquieta,
Precária a Sul...

Ana





segunda-feira, 30 de julho de 2018

ALENTEJO SEEN FROM THE TRAIN

José Alves, 2018


Fernando Pessoa

ALENTEJO SEEN FROM THE TRAIN


Nothing with nothing around it
And a few trees in between
None of which very clearly green,
Where no river or flower pays a visit.
If there be a hell, I've found it,
For if ain't here, where the Devil is it?
1907
Poemas Ingleses . Fernando Pessoa. (Edição bilingue, com prefácio, traduções, variantes e notas de Jorge de Sena e traduções também de Adolfo Casais Monteiro e José Blanc de Portugal.) Lisboa: Ática, 1974. 
 - 198.



José Alves, 2018




ALENTEJO VISTO DO COMBOIO

Nada com nada ao redor

E algumas árvores no meio

Nenhum dos quais muito claramente verde,

Onde nenhum rio ou flor faz uma visita.

Se houver um inferno, eu encontrei

Pois se não está aqui, onde está o diabo?



1907
Poemas Ingleses. Fernando Pessoa. (Edição bilingue, com prefácio, tradução, variação e notas de Jorge de Sena e também de Adolfo Casais Monteiro e José Blanc de Portugal.) Lisboa: Ática, 1974. - 198.





Um vento apocalíptico varre a planície, durante o fenómeno natural. As histórias da minha infância regressam e desafiam os medos ancestrais...esse respeito ínfimo de união ajusta-nos à serenidade calma de sermos alentejanos. 




domingo, 10 de junho de 2018

Dançante

 Rafal Olbinski, DISAPPEARANCE OF THE WELL INTENTIONED MOTIVE


Sussura sibilante
Uma brisa fria...
Ignora, porventura,
Ciciando o secreto
Segredo ondulante,
A recta via da lonjura.



Ana




segunda-feira, 7 de maio de 2018

Nos arredores

José Alves, Suíça, 2018


Serenas sossegam
quietas as águas
Carregam inquietas
antigas as mágoas

E o sonho do Homem
germina e acalenta
Arredores se percorrem
na névoa que enfrenta

Ao ritmo dos dias
o degelo alimenta
o flagelo distante
que a aragem lamenta


Ana


quinta-feira, 29 de março de 2018

O peso da água


Monforte, Alto Alentejo


Foram as águas
Alagaram o rumor quieto da planura
Foram as águas
Cresceram na pureza e na bravura
Foram as águas
Madre quieta na dureza e na alvura

Purificaram o coração dos homens
Lavaram o caos e levaram o terror
Foram as águas


Ana


sábado, 24 de fevereiro de 2018

Algares

Palácio do Cadaval


Algares
Chovem nos dias
Claros
Incólumes
Luz sem mácula

Extasias
Inverno ou inferno
Raros
Lugares
De incertas alegrias

Claros
Chovem dos dias
Secos
Azedumes
Na luz sem mácula

Alentejo
Sem chuva nos dias
Claros
Secos
De incerto arpejos

Ana






domingo, 21 de janeiro de 2018

Notas






Há na cidade um silêncio que ruge
O grito  ou estridência que rasga
Um lamento qualquer
Lassidão que embarga

Há na cidade um reflexo
Estilhaço violento ou solidão
E a urgência do grito que urge

Por isso corremos na planura
Levando o vento à ilharga
Perseguindo a eterna candura



Ana

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Da Suavidade

Phan Thu Trang




Íntima e constante música
Que sob os passos silencia.
Doçura secreta e ínfima...
Meiga criança que balbucia!

A crença na Vida te sacia.

Veiga ou vale ou voragem
Deste frémito se anuncia:
Íntima e constante música!

E o Universo se extasia,
Revolver eterno da miragem.


Ana



quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Da Esperança ...

Suibokuga



Talvez brotasse pura...
Incólume como o poente!
Talvez lutasse duramente.
Incómoda palavra...
Necessária na tarde imensa,
Contrária ao silêncio que lavra.
Incómoda palavra...
Talvez brotasse pura
A esperança!

Ana



segunda-feira, 8 de maio de 2017

Deve haver

Beckwith e Fisher. Sudão






Deve haver, num recanto qualquer
o bafo quente, a terna voz...
Deve haver, um mágico embondeiro
que acalme e proteja o terno rosto
e o espírito trágico que vagueia,
bombardeio de crueldade atroz.
Deve haver, num recanto qualquer
um ser humano, um colo de mulher,
um cálido ideal que serpenteia...
E o grito que rebenta a voz!

Ana






Conflito no Sudão do Sul já roubou os lares a dois milhões de crianças

Jornal EXPRESSO, 8/05/17

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Em ondas de luz

Ruínas do Parthenon grego, antigo templo - Acrópole - Atenas (José Alves, 2016))



Ecos na distância
atroam, perturbam
a primaveril fragrância
que a brisa nos traz

Vozes que clamam
na multidão, na turba
E
Na humana condição
há um ideal que conduz
aqueles que ainda chamam
a voz interior que os perturba

Em ecos de Luz
Caminho de Paz

Ana