Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Calema...

Innes Mcdougall

Hei-de enfrentar teimosamente o Futuro.
Defenderei até ao fim a Verdade,
Porque a Justiça é o meu ideal mais duro,
Porque o meu peito traz consigo a Vontade!
Serei a criança, sorrirei às estrelas,
Porque existem coisas belas, hei-de defendê-las.
Ainda que me apontem o dedo em riste...
Irei dizer que a Vida ainda existe!
Calema, sob o verde das águas, cresce...
Abril já partiu e os homens hoje oraram,
Mas secretamente Setembro decresce...
No fulgor de impérios que naufragaram.


Ana


*Para a Isabel.


sábado, 11 de maio de 2013

Infindas...



O Jogo da Marca , Rafael Bordalo Pinheiro


Tantos sonhos...
Um tempo antigo!
E a memória
Atirando docemente
Pedaços de sonho
Fremente!
Se quero...
Não sei!
Queria
Ainda
Infindas
Tranquilidades
Do peito Pater!

                                 Ana

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Para além do fim

Alto Alentejo, 2013 - José Alves
Entrou sozinho pela noite dentro. No peito levava a amargura de uma vida construída golpe a golpe na crueza desta selva humana.

Alto Alentejo, 2013 - José Alves
Caminhou lenta e tristemente por entre o piar de um mocho distante e chamou Creonte...

Alto Alentejo, 2013 - José Alves
Lá ao longe, um regato desenhava-se majestoso e dolente... estendeu então os braços ao alto, gritou a raiva que sempre o dominou e despediu a alma já gasta e podre.

Alto Alentejo, 2013 - José Alves
E a barca chegou e levou-o. Na sua frente o inferno da vida esperava-o.

Alto Alentejo, 2013 - José Alves
Com os braços abertos, entrou sozinho pela luz dentro...

                                                                                         José Alves

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Despertando

Alto Alentejo, 2013 - José Alves
Lentamente...
Tudo começou
Dentro dos passos da noite!

Alto Alentejo, 2013 - José Alves
Havia um rosário...
E uma cruz!

Alto Alentejo, 2013 - José Alves
Um peito...
Que não conhecia a Luz!

                                                   Ana

segunda-feira, 6 de maio de 2013

A tirania...

Alto Alentejo, 2013 - José Alves
Espaço sereno da minha memória que não roubarás jamais. Daqui não podes mandar-me a outros lugares, pois este é o meu mundo. Conheço a doçura dos aromas e o acre das estevas viçosas sob este inquieto sol de Maio.

Alto Alentejo, 2013 - José Alves

Há riquezas que não roubarás, sonhos que não podes destruir...por mais que faças, as nuvens rumam num futuro incerto. Não fales da desesperança se nada conheces dos ecos destes lugares.


Alto Alentejo, 2013 - José Alves

Exausta, caminho ainda e o meu sangue regenera-se. Anteu reforça-me em cada passo e, tu, imberbe fulano, que te julgas poderoso na ruína que somos, por esta hora vadia, talvez escolhas uma inexacta cor para tingires o cabelo...

Alto Alentejo, 2013 - José Alves
Descansa. Eu caminharei por aqui e já por estes campos perdi o peso dos meus dias...assim, não serei a gordura do teu «Estado».
                                                                                    Ana