Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Breve

Vladimir Kush


Olho a minha alma.
Há nela luz e calma!
Sei que dei, 
Que posso dar,
Que tenho no peito...
A vida a cantar.
Simples...
Quero conhecer:
A certeza,
O ideal do ser!
Saí da prisão,
Neguei a negação
E eis o sublime
Retocado pela Razão.


Ana

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Rumores...




José Alves - 2013

Sou do Sul e do silêncio.

José Alves - 2013
Conheço o rumor da Primavera.
José Alves - 2013
Jamais destruirás a claridade.
José Alves - 2013
A dignidade da vida humana existe
José Alves - 2013
Na secreta memória mediterrânica
José Alves - 2013
Em que edifiquei o meu mundo puro e limpo.
José Alves - 2013


Ana


domingo, 19 de maio de 2013

Trovoadas do Sul...

Flor da Rosa, Crato, José Alves-2013
Eu, professora, me confesso e podeis culpar-me da tristeza fria desta Primavera. A sanha dos governantes bem pode investir contra o muro secreto dos meus sonhos enquanto o teu olhar contiver os lampejos do futuro. Outros me antecederam na escrava tarefa do pedagogo. 
Flor da Rosa, Crato, José Alves-2013
Eu, professora, me confesso de todos os Domingos de árduas tarefas e das noites longas de trabalho sem repouso. Podeis culpar-me de todos os fracassos e dos longos silêncios dos cobardes. Hei-de deitar-me exausta, mas acordarei com um sorriso, porque o meu labor é urdir a esperança.
Alto Alentejo, José Alves-2013
Eu, professora, me confesso na sanha destes dias sem futuro. Podeis igualar-vos na malícia ambiciosa do poder, mas o vosso espírito viajará eterno para um lugar impuro. Para a malévola morada dos corruptos onde as cores do Verão se hão-de instalar numa qualquer curva da História que, hoje, esqueceis.
Flor da Rosa, Crato, José Alves-2013
Eu, professora, me confesso de resistir ainda aos cortes sucessivos da crueldade e do destino que escolheste para mim. Podeis roubar-me o sossego, mas jamais cortareis essa capacidade indecifrável de amar os outros e de os querer mais justos e mais humanos, de os armar com o passado para que possam questionar o futuro.
Flor da Rosa, Crato, José Alves-2013
Eu, professora, me confesso deste céu carregado de trovoadas do sul e do ribombar de todas as culpas dos homens fracassados. Podeis acusar-me da exigência que pratico e da distância que instalo entre os abutres que se aprazem na chacina e os homens que sonham o Futuro.


                                                                                      Ana



quarta-feira, 15 de maio de 2013

Gérmen

Alto Alentejo, 2013 - José Alves
E o sonho é o silêncio da tua voz,
O trabalhar disforme da alma!
O acelerar do pensar é o sonhar...
Vacilante ou nevrálgica doença de nós;
Ladrão de sossego queimando a calma;
Gérmen que rodopia no meu mar...

Alto Alentejo, 2013 - José Alves
E vibrante e frenético desvenda
Esta teia de infinito, esta senda,
Onde a neblina refresca a certeza!
Impera a morte da tristeza...
O suavizar sereno da constância
E o doce tinir de almas em fragrância!

Alto Alentejo, 2013 - José Alves
Gérmen de Amor roendo o ódio.
Ódio que se torna silêncio e opróbrio...
E vagueiam aladas sibilinas verdades 
Que incomodam as falsas serenidades!
Pois que gérmen de Amor incomoda e trucida 
Os fragores irreais de sonhar homicida.

                                                                    Ana


Alto Alentejo, 2013 - José Alves



                             (Sim, fazemos por aí grandes caminhadas.)




Alto Alentejo, 2013 - José Alves




segunda-feira, 13 de maio de 2013

Calema...

Innes Mcdougall

Hei-de enfrentar teimosamente o Futuro.
Defenderei até ao fim a Verdade,
Porque a Justiça é o meu ideal mais duro,
Porque o meu peito traz consigo a Vontade!
Serei a criança, sorrirei às estrelas,
Porque existem coisas belas, hei-de defendê-las.
Ainda que me apontem o dedo em riste...
Irei dizer que a Vida ainda existe!
Calema, sob o verde das águas, cresce...
Abril já partiu e os homens hoje oraram,
Mas secretamente Setembro decresce...
No fulgor de impérios que naufragaram.


Ana


*Para a Isabel.