 |
| Unamuno |
«- Que doutrina horrível! , digo para mim, guardando o jornal no bolso, e recordo Alcácer-Quibir e o rei D. Sebastião, o terramoto desta cidade de Lisboa, D. Pedro V, o Hamlet português e o seu mestre Herculano, cujo soberbo túmulo contemplei esta mesma tarde nos Jerónimos e, por último, torna a surgir diante de mim o enigmático e triste sorriso de Eça de Queiroz.
Entretanto vai e vem a gente desta cidade cosmopolita; parece contente, ri, gesticula, corre para os seus negócios ou para as suas distracções. E um observador satisfeito poderia dizer ao vê-los:
" Este é um povo como todos os outros; aqui não acontece nada."
E, não obstante, o povo desta terra, Portugal, é um povo triste.
Sim, é um povo triste. E daqui resulta o encanto que tem para alguns, apesar da evidente trivialidade das suas manifestações exteriores.
[...]
Portugal é um povo de suicidas, talvez um povo suicida.»
Miguel de UNAMUNO, Portugal povo de suicidas, p.p. 72-73
Fecho o livro. Vou comprá-lo também. Se não me afastar da Feira do Livro, arruíno-me. Hoje, vi Lisboa pelos olhos do iberista.