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| Taras Shevtchenko |
Oksana lia com um sotaque de leste poetas que eu desconhecia e ela própria traduzira. Disciplinada e metódica, fê-lo durante três anos no seu projecto individual de leitura, obrigação de cada um dos meus alunos. Queria ser diplomata e o seu excepcional conhecimento de línguas estrangeiras poderia ter sido o outro caminho.
Os textos que escreveu trouxeram-me esse país frio de grandes poetas e de uma Literatura riquíssima. Num exame nacional de português, aprimorado, entrou para a UTL. Jovem e consciente seguiu por outro caminho, mais eficaz e realista, que isto de ser diplomata em Portugal é coisa de outras linhagens...
Atestei-lhe a cidadania portuguesa e agora, minha amiga, Oksana como eu lê a tradução do seu distante poeta épico na língua de Camões. Enquanto isso, lá longe, Kiev regurgita.
| Kiev, 2/2014 |
[...]
Filhos meus, ainda infantes -
desarrazoados e imprudentes!
Quem vos acolheria nos braços,
senão a própria mãe, que vos
acalentou os sonhos d’antes?..
Filhos meus! Águias bravas!
A caminho da Ucrânia, -
se as desgraças lá houverem,
não serão elas dos outros.
Haverá gente decente e boa
que não dará vez à morte.
Aqui… aqui. Tudo é estranho!
[...]
Taras Shevtchenko, Haidamaky



