Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Planície


Alto Alentejo, José Alves


Há este mar verde
que se abre 
na distância
Um vento frio
penteando
o horizonte ondulado

Há este mar verde
que se estende
no brilho-madrugada
que se abre
ao amanhã-fragrância 
de um Futuro anunciado

Ana



sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Haidamaky

Taras Shevtchenko


Oksana lia com um sotaque de leste poetas que eu desconhecia e ela própria traduzira. Disciplinada e metódica, fê-lo durante três anos no seu projecto individual de leitura, obrigação de cada um dos meus alunos. Queria ser diplomata e o seu excepcional conhecimento de línguas estrangeiras poderia ter sido o outro caminho. 
Os textos que escreveu trouxeram-me esse país frio de grandes poetas e de uma Literatura riquíssima. Num exame nacional de português, aprimorado, entrou para a UTL. Jovem e consciente seguiu por outro caminho, mais eficaz e realista, que isto de ser diplomata em Portugal é coisa de outras linhagens...

Atestei-lhe a cidadania portuguesa e agora, minha amiga, Oksana como eu lê a tradução do seu distante poeta épico na língua de Camões. Enquanto isso, lá longe, Kiev regurgita.


Liga Europa: jogo de Kiev vai ser disputado no Chipre
Kiev, 2/2014


[...]
Filhos meus, ainda infantes -
 desarrazoados e imprudentes!
 Quem vos acolheria nos braços,
 senão a própria mãe, que vos
 acalentou os sonhos d’antes?..

Filhos meus! Águias bravas!
 A caminho da Ucrânia, -
 se as desgraças lá houverem,
 não serão elas dos outros.
 Haverá gente decente e boa
 que não dará vez à morte.

Aqui… aqui. Tudo é estranho!

[...]


                                      Taras Shevtchenko, Haidamaky











  1. Taras Shevtchenko, foi um poeta, pintor, desenhador, artista e humanista ucraniano. Foi fundador da literatura moderna ucraniana e visionário da Ucrânia moderna. Sua maior obra foi a colectânea poética Kobzar. Wikipédia

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Tempestades

Tomasz Alen Kopera

Desfaz-se na bruma
húmida e secreta
esta madrugada
inquieta espuma
inviolada e deserta

E um país sombra
ruína que flutua
tece no vento
um hino e o mito
que todos assombra

Ana

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Refúgio

Vladimir Kush


Nuvens pesadas arrastam-se na noite. São pesadelos que agitam o sono dos incautos. Lá longe, em Manaus, um amigo de infância encontrou o seu fim. Sobre a cabeça dos homens chovem amarguras inesperadas. Voltámos ao sono, refúgio precário. Não digas que hoje olhaste o silêncio, pois nele o Arquitecto refaz a sua obra infindável.

Olha o alvorecer! Outros dias virão e a tela dos sonhos acolherá pinceladas gritantes. Não desistas ainda. É só um dia que finda.


Ana