quarta-feira, 30 de abril de 2014
segunda-feira, 28 de abril de 2014
domingo, 27 de abril de 2014
Espaço interior
| Florença - José Alves |
quando o poema
são restos do naufrágio
do espaço interior
numa furtiva luz
desesperada,
resvalando até
à superfície,
lisa, firme, compacta,
das coisas que todos
os dias agarramos,
quando
o poema as envolve
numa aura verbal
e se incorpora nelas,
ou são elas a impor-lhe
a sua metafísica
e o espaço exterior
que povoam de
temporalidades eriçadas,
luzes cruas, sons ínfimos, poeiras.
Vasco Graça Moura, in Antologia dos Sessenta Anos(Duas coisas me uniram a V. Graça Moura: o interesse pelo Renascimento e a profunda discordância na aplicação forçada de um AO que destrói a Língua e a sua evolução histórica. Que descanse em paz!)
Etiquetas:
cultura portuguesa,
poesia
quinta-feira, 24 de abril de 2014
Pátria
Por um país de pedra e
vento duro
Por um país de luz
perfeita e clara
Pelo negro da terra e
pelo branco do muro
Pelos rostos de silêncio
e de paciência
Que a miséria longamente
desenhou
Rente aos ossos com toda
a exactidão
Do longo relatório
irrecusável
E pelos rostos iguais ao
sol e ao vento
E pela limpidez das tão
amadas
Palavras sempre ditas com
paixão
Pela cor e pelo peso das
palavras
Pelo concreto silêncio
limpo das palavras
Donde se erguem as coisas
nomeadas
Pela nudez das palavras
deslumbradas
- Pedra rio vento casa
Pranto dia canto alento
Espaço raiz e água
Ó minha pátria e meu
centro
Me dói a lua me soluça o
mar
E o exílio se inscreve em
pleno tempo.
Sophia de Mello Breyner
Andresen
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25 de Abril
segunda-feira, 21 de abril de 2014
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