Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Etérea

«Cáucaso», Aivazovskii


Há a brisa da manhã
Feita de vidro, feita de bruma.
Gélida geada que desperta,
Rósea madrugada,
Rubra romã...
Branca e etérea, batida espuma,
Que arrasta e não liberta.


Ana


domingo, 18 de janeiro de 2015

A Torga

torga (google)

Súplica

Não adiem a nova primavera.
Olhem que ramos tristes, os meus braços!
Trinta invernos a fio, e só dez anos 
De rosas de inocência e de perfume!
Lume!
Lume é que a vida quer nos ímpetos gelados!
Homens a arder de sonho e de alegria,
Em vez de candelabros de agonia,
Apagados.

(M. TORGA, Canto do Homem)



ANTT

Desespero

Homem, que perdição!
Que desgraça!
Um arco de triunfo em cada praça
A consagrar a tua perdição!

(ibidem)

PIDE  - ANTT


sábado, 10 de janeiro de 2015

Íntimo, quieto lugar




José Alves (cá de casa)

Íntimo, quieto lugar
Onde os contrários
Enobrecem suaves
Ondas de ternura
E uns fiapos de luar
Tecem estes rosários,
Feitos asas, feitos aves
Sem dor, sem amargura!

Ana


segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Flor inaudita

Alentejo, José Alves

Caminho pela charneca. Botas grossas habituadas à distância. Assim endureço o corpo e alimento a voragem do frio Inverno. Sob os meus passos quebra-se o último gelo da madrugada. Pisar as gélidas manhãs é a arte de saber que o brilho solar aquecerá o dia. Certeza de um calor prometido aos que inspiram o limpo ar da planície. Amo esta distância entre a hipocrisia palaciana e a imensa planura deserta.

Alentejo, José Alves

 É nesse pasmo renovado que amanheço e me reinvento. Assombroso Anteu que sempre me renovas! Prece infinda à Natureza escrava. Enfrentemos cada dia olhando essa pequena flor extemporânea e inaudita! Flor espantosa, cujo fascínio, sinal da maravilha, traz a promessa de um Dia melhor.


Alentejo, José Alves


Ana

domingo, 4 de janeiro de 2015

Infâncias...


Saragoça, José Alves


Somos seres boreais e olhamos o Atlântico mergulhando as raízes no azul cristalino do Mediterrâneo, por isso amamos os vivos com o mesmo olhar fraterno e lúcido com que vemos partir na barca eterna aqueles que foram nossos. A tia M., aos 91 anos, fechou para sempre o seu olhar azul no dia 5 de Dezembro e, agora, no dia 31 o tio M., seu marido de 96 anos, partiu também. Neles andei ausente, porque neles ainda estava a minha infância...
Hoje, aqui regresso ao presente de dias claros e límpidos nos quais o Futuro amanhece.

Ana