sexta-feira, 17 de julho de 2015
terça-feira, 7 de julho de 2015
Orografias
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| Don Hong - Oai |
Diferentes são os dias se os virmos deste lado. Percorremos recantos da memória e sonhos de infinito. Caminhos absortos fechados neste tempo. Casulo informe sem esperança de voo. Que te importam as águas especulares? Imagem é essa construção etérea e íntima. A ela te prendes na infinda jornada. O Verão pesa como um deserto ancestral. Voas e mergulhas ou deslizas ainda? Na tarde o silêncio lê a tua sina...
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| Don Hong-Oai |
Ana
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escritos,
fotografia artística
domingo, 5 de julho de 2015
O Rio
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| Grécia, José Alves |
O poema omnipotente,
como rio mítico,
barbudo,
de cartucheira à bandoleira,
vem pela rua abaixo a buzinar
enfadando as amantes.
E o poeta
por que te apaixonaste aos dezoito
já não existe,
pois existir quer dizer
tenho casa na rua Kypséli
vá visitar-me no fim-de-semana
ou apresento-lhe a minha esposa.
Há uns tipos, em altos estrados,
a fazerem truques com lenços coloridos,
como outrora os charlatães
que vinham de carroça
e te tiraram o dente são
por dois taleres.
Grécia (n. 1949),
to soi, kedros, 1978.
tradução de Manuel Resende
sábado, 27 de junho de 2015
Dies Irae
| Alto Alentejo, José Alves |
"A não-violência não
consiste em renunciar a toda luta real contra o mal. A não-violência, tal como
eu a concebo, empreende uma campanha mais activa contra o mal que a Lei de Talião, cuja natureza mesma traz como resultado o desenvolvimento da perversidade.
Eu levanto, frente ao imoral, uma oposição mental e, por conseguinte, moral.
Trato de amolecer a espada do tirano, não cruzando-a com um aço mais afiado,
mas defraudando a sua esperança ao não oferecer resistência física alguma. Ele
encontrará em mim uma resistência da alma, que escapará do seu assalto. Essa
resistência primeiramente o cegará e em seguida o obrigará a dobrar-se. E o
facto de dobrar-se não humilhará o agressor, mas o dignificará... ", M. GANDHI
| Mediterrâneo, José Alves |
Apetece cantar, mas ninguém canta.
Apetece chorar, mas ninguém chora.
Um fantasma levanta
A mão do medo sobre a nossa hora.
Apetece gritar, mas ninguém grita.
Apetece fugir, mas ninguém foge.
Um fantasma limita
Todo o futuro a este dia de hoje.
Apetece morrer, mas ninguém morre.
Apetece matar, mas ninguém mata.
Um fantasma percorre
Os motins onde a alma se arrebata.
Oh! maldição do tempo em que vivemos,
Sepultura de grades cinzeladas,
Que deixam ver a vida que não temos
E as angústias paradas!
Miguel Torga, in Cântico do Homem
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fotografias,
Mundo,
Violência
quinta-feira, 18 de junho de 2015
Exames...
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| Jose Luís Cano |
BACH SEGÓVIA GUITARRA
A música do ser
Povoa este deserto
Com sua guitarra
Ou com harpas de areia
Palavras silabadas
Vêm uma a uma
Na voz da guitarra
A música do ser
Interior ao silêncio
Cria seu próprio tempo
Que me dá morada
Palavras silabadas
Unidas uma a uma
Às paredes da casa
Por companheira tenho
A voz da guitarra
E no silêncio ouvinte
O canto me reúne
De muito longe venho
Pelo canto chamada
E agora de mim
Não me separa nada
Quando oiço cantar
A música do ser
Nostalgia ordenada
Num silêncio de areia
Que não foi pisada
Sophia de Mello Breyner Andresen, in Geografia
Leio Sophia. Quieto aconchego da alma. A quietude de laborar na Literatura.
(Belo poema, num exame de Português.)
(Belo poema, num exame de Português.)
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