Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Exames...


Jose Luís Cano

BACH SEGÓVIA GUITARRA

A música do ser
Povoa este deserto
Com sua guitarra
Ou com harpas de areia

Palavras silabadas
Vêm uma a uma
Na voz da guitarra

A música do ser
Interior ao silêncio
Cria seu próprio tempo
Que me dá morada

Palavras silabadas
Unidas uma a uma
Às paredes da casa

Por companheira tenho
A voz da guitarra

E no silêncio ouvinte
O canto me reúne
De muito longe venho
Pelo canto chamada

E agora de mim
Não me separa nada
Quando oiço cantar
A música do ser
Nostalgia ordenada
Num silêncio de areia
Que não foi pisada


Sophia de Mello Breyner Andresen, in Geografia





Leio Sophia. Quieto aconchego da alma. A quietude de laborar na Literatura.

(Belo poema, num exame de Português.)


17 comentários:

Olinda Melo disse...


Bom dia, querida Ana

Gosto desta conjugação: Música e Poesia. Para mais tratando-se de Sophia de Mello Breyner Andresen. Os exames, é o tempo deles. Desejo-te bom trabalho.

Bjs

Olinda

Rogerio G. V. Pereira disse...

Não sei
porque não confirmei
se foi este o poema-rasteira,
o poema-surpresa
com que os examinados não contavam...

Sophia tende
com esta gente
a sair do mapa

"Um dia depois da trasladação dos restos mortais da escritora para o Panteão Nacional, a presidente desta associação confirmou que a obra da escritora apenas irá ser estudada até ao 9º ano."

Foi uma noticia por mim dada (linkada)

http://conversavinagrada.blogspot.pt/2014/11/5-de-novembro-dia-nacional-da-lingua.html

São disse...

Gostei de conhecer o poema, que a autora já conheço há décadas.

Beijinhos,amiga!

Mar Arável disse...

Silêncios em voz alta

Bj

CÉU disse...

Examinando a música do ser de cada um de nós, ouvem-se palavras, ordenadas ou não, em silêncio ou confusão, mas a guitarra, pobrezinha, trina e chora, e ao som dela, vislumbramos o nosso espaço geográfico, poético, calado, incerto.

Bom resto de semana, Ana!
Beijos.

Edumanes disse...

A guitarra, toca beleza,
é maravilhoso esse poema
gosta da música portuguesa
e de tudo que valha a pena!

Boa noite e bons sonhos amiga Ana,
um beijo.

Vanuza Pantaleão disse...

Aninha, que surpresa agradável te ver lá pelo nosso humilde matagal. Obrigada, amiga e volte sempre que quiser, saiba que o pouco que faço aqui na blogosfera pertence a você e a todos que me derem a honra de nos visitar.
Mais um poema que nos trazes sobre o qual eu só consigo dizer que amei, pois trata de música e melhor ainda, da música do interior do ser.
Lindo, lindo demais!!!
Um ótimo fim de semana para ti, minha querida!Bjssss

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Lindo um belo poema da grande Sophia de Mello Breyner Andresen, que nos deixou poemas lindíssimos.
Um abraço e bom fim de semana.

© Piedade Araújo Sol disse...

é um bom poema, um dos muitos que a Sophia nos deixou.
um bom fim de semana.
beijinho
:)

Fê blue bird disse...

Amiga Ana, escolheste um belíssimo poema da nossa Sophia.
Aquieta então a tua alma !

Um beijinho,boa semana e bons exames

Majo disse...

~~~
~~ Não conhecia o poema...

~~~~~ Magnífico! ~~~~~

~~ Leio
Sophia sempre com enlevo...

~~ Gratíssima pela partilha.

Votos de um excelente Verão.

~~~~~ Beijinho. ~~~~~~~~~~
.

Isa Lisboa disse...

Belo exame ;)
Um beijinho

heretico disse...

Musica do Ser
em Dó Maior...

quem lhe soletra toda a escala?

beijo

Bípede Implume disse...

Querida Aninha
A poesia dela já é música e muito bela.
Excelente escolha. Levo a alma em sossego.
Beijinhos, amiga e bom trabalho

Luma Rosa disse...

Oi, Ana!
Num exame de português?
Gostaria de saber o resultado, pois é enigmático, introspectivo e que obriga uma pausa, o que é difícil para quem está a ser examinado ou aqueles que vivem na era do imediato e cheios de estresse.
Beijus,

Graça Pires disse...

Ler a Sophia é sempre um encantamento. Consegui sentir "a música do ser interior ao silêncio"
Um beijo, Ana

Existe Sempre Um Lugar disse...

Bom dia, sou admirador da poeta do povo Sophia Breyner, tudo que escreveu é profundo e objetivo.
Bom fim de semana.
AG

"Se"
Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na luta por um bem definitivo
Em que as coisas de amor se eternizassem.

Sophia de Mello Breyner Andresen