Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Regime Nocturno das Imagens

Áustria - 30 de Abril

www. austria_trips.com


A Áustria é um país muito belo. Só uma vez o visitei, mas o cheiro puro e frio das montanhas recorda-me, ainda, que fiquei fascinada...em pleno Agosto! Como fomos felizes subindo a montanha, nós, seres da planície, escorregando desastrados sobre a relva dos prados!

Não, esta terra maravilhosa não escolheu ser berço de filhos tais...





Adolf Hitler *suicida - se a 30 de Abril de 1945










segunda-feira, 28 de abril de 2008

Planura


Kay SAGE, J'ai vu trois cités, 1944

Eu amo planuras imensas

E gestos de linguagem muda!

Amo silêncios intensos

Onde o ser, às vezes, se transmuda!

Amo-te, porque te amo

Em definições extensas de dar...

E sinto-te quando te chamo

Dentro de mim, ao despertar!

***

Eu quero colinas e montes,

Plenos de canduras viçosas!

Amo regatos e fontes...

Doces meios-dias, manhãs brumosas!

Quero intensos verões

E frémitos escaldantes!

Doçuras de serões...

Nas noites aconchegantes!

Quero a tua voz poderosa

Sobre a minha rebeldia.

Amo a tensão amorosa...

De um puro dia-a-dia!

Anna

sábado, 26 de abril de 2008

quinta-feira, 24 de abril de 2008

24 de Abril de 1974

Leonardo da VINCI, Homem Vitruviano, 1492
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http://www.astormentas.com/andresen.htm
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Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo.

***
Sophia de mello Breyner ANDRESEN

terça-feira, 22 de abril de 2008

Dia Da Terra


« O melhor de uma verdade é o que dela nunca se chega a saber.»
Vergílo FERREIRA
***

domingo, 20 de abril de 2008

O Sentimento Trágico da Vida


Salvador DALÍ, «Rosa Meditativa», 1958

«Aquele terrível poeta latino, Lucrécio, sob cuja aparente serenidade e ataraxia epicurista tanto desespero se encobre, dizia que a piedade consiste em poder contemplar tudo com a alma serena, pacata posse mente omnia tueri»
Miguel de UNAMUNO
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« Ven, perro amigo,
obrero de hermandad entre los hombres,
pues tú nos unes
más que nosotros mismos nos unimos
de proprio impulso»
Miguel de UNAMMUNO, 1906

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Mozart - Flauta Mágica - som único

Sul Sereno

Do eixo deste chão rasgado
Brotará um dia novo...
Será então um sonho
O olhar promíscuo
Em direcção ao caos!
Será embrião
E vida
E fogo!
Tudo recomeçará
Sem divisões
Sem mar.
Ficará boiando no azul
A gestação secreta
Do novo ser
Total!
Anna

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Este sol, não sei se já o disse


Eugénio de Andrade é um poeta maravilhoso. As suas palavras são gémeas da minha sensibilidade, desde sempre. Quem me conhece estará a sorrir...desculpem, este é um amor puro:
***
Este sol, não sei se já o disse,
este sol é o mar todo
da minha infância.
***
É como se fora manhã alta,
os seus cabelos ardem,
mas eu sonho com outra boca.
***
Onde aprenda a ser água.

in Matéria Solar, Fundação Eugénio de Andrade, Porto, Julho, 2000

domingo, 13 de abril de 2008

Itália - a bela


A Itália é belíssima...luminosa e vária! Só de reviver velhas viagens me apetece partir de novo. Ali, o olhar segue da pré-história à república e, no coração da península,velhos e sábios etruscos ainda murmuram.
Eclética, de tons terrosos e suaves, inscreve-se em fachadas do império e do fascismo. Magnífica, medieval e pré-romana, helénica e fantástica!
A Itália teve sonhos de glória e, serena, guiou o gosto renascido da Europa.
Tantos sábios, tiranos e proscritos...
Itália,a bela, pensa e foge dos poderosos fúteis!
Anna

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Índia

Mahatma GANDHI (aiuweb.org)

A Índia habitou a minha infância. Naus de sonho partiam do calor da minha aldeia, em pleno verão.
A Índia viajou pela minha adolescência, em histórias de fascínio e especiarias perfumadas.
A Índia desesperou na minha juventude, em clamores de justiça intocada. Os meus heróis e mitos distantes aportaram no cais dos meus livros mais usados.
Mahatma perfumou o meu sonho de Humanidade e, hoje, procuro ainda o sal perdido da justiça.

Anna

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Sabor a Chuva


Vincent van GOGH (1853-1890), Ciprestes

Terá o sabor da chuva
Roçando os lábios da infância.
Sedenta: a ave e a vida!
A ternura destruída.
E o mosto e a uva...
Suave fragrância!
***
Então dirás:
«Não tenho a coragem
De ir nessa viagem.»
***
Será o amor, será a vida...
A transparência surda do olhar!
***
E, devagar...
A ternura interrompida!
Anna

domingo, 6 de abril de 2008

Mulheres

Atravessaram o silêncio da História e carregaram o peso dos dias. Amaram, choraram e foram o repositório secreto da esperança. Serviram a arte, construíram microcosmos de harmonia. Trabalharam até ao limite e ficaram sós olhando o futuro...
Vozes no silêncio, pedras angulares do futuro.



Ana

Women in Art

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Madeira - Abril

Roseiral, Quinta do Arco - autor: DRTM
Onde esteve o mês de Abril?
Não sei...
O vento troou
Nos sonhos dos homens.
A luz trespassou
A febre do último serão.
Extinguiu-se...
Fogo e braseiro dos dias
Sentados, hirtos, quietos
Estávamos...
Alados!
Os sonhos vaguearam
Na noite.
Encontro na madrugada!
Onde esteve o mês de Abril?
Que veio e foi silencioso
No vulto,
Do vulgo,
Só.
Anna, Lisboa, 1996

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Agostinho da Silva (1906-1994)

Faculdade de Ciências de Lisboa

« Não morre, para si próprio nem para nós, o que viveu para a ideia e pela ideia, não é mais existente, para o que se soube desprender da ilusão, oque lhe fere os ouvidos e os olhos do que o puro entender que apenas se lhe apresenta em pensamento; e tanto mais alto subiremos quando menos considerarmos a morte como um enigma ou um fantasma quanto mais a olharmos como uma forma entre as formas.».

Agostinho da SILVA, in Textos e Ensaios Filosóficos I

Algum dia um novo Papa

anunciará altivo

que Deus é raiz quadrada

de um quantum negativo

*
e o Deus que tanto procuro

em que atingido me afundo

é aquele ser-não-ser

do que acontece no mundo

*
da matéria mais que densa

é que é divertido ser

ali se nada acontece

tudo pode acontecer


Agostinho da Silva

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Alentejo - obrigada - Xavier Narval

Alentejo - trovoada de Maio
Marvão, Alto Alentejo, Portugal - «olhar as nuvens pelas costas»


Visitem, por favor:



Há jovens assim...
Usam de forma maravilhosa os meios que a tecnologia disponibolizou.
A Humanidade segue fraterna com eles! Bem hajam.
Continuaremos a ser...humanos.
Eu, o meu Alentejo e...todos nós agradecemos:
GRACIAS!
Anna















terça-feira, 1 de abril de 2008

MIGUEL TORGA

Salvador DALÍ

ENGRENAGEM

O dia nasce limpo e luminoso,

Mas não te iludas, homem!

A natureza já não é contigo.

Daqui a nada toca no quartel,

Apita a fábrica de meias,

Abre a mercearia,

E só então tu poderás saber

Se poderás viver,

E se chove,

E se neva,

E se o adeus da tua Eva

Te comove.


Miguel Torga, séc. XX