Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Sugestão de leitura






Espera-se que fale do livro, do outro...livro. Só posso recomendar este. O resto é mesmo isso - o resto. Daí a verborreia com o seu carácter prolixo.







segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Sem receio

Luis Dourdil



Andamos sobre a fímbria dos dias e, na distância, procuramos vultos insanos  que nos fazem temer um devir sem esperança. 
Compete-nos não desistir. Compete-nos resistir. 
Que importa se os pés vão nus e o caminho é longínquo?
Caminhamos, ainda, na direcção do ideal. Ao longe, outro mais frágil nos espera. No peito fechámos o alento. No braço empunhamos a serenidade.
Não me digas que, do outro lado, existem muros e que a Humanidade definha rumo a um ocaso qualquer...
Ao longe, ainda arde Alexandria.


Ana



terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Empobrecendo...






O filósofo, linguista e crítico literário búlgaro, com quem muito aprendi...



segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Apagaram-se os holofotes







Somos uma sociedade espectáculo, mas a minha natureza é comedida, quieta, e julgo que é muito importante vigiarmos as palavras que deitamos sobre o mundo - difícil será sabermos quais são «as palavras necessárias», expressão tão batida e tão inexacta. Quais são essas palavras? Qual é essa palavra?
Vivemos tempos de profunda inquietação. 

Há palavras necessárias!

Agora, que se apagaram os holofotes, ponderei deixar aqui um testemunho. Nele não há poesia, nem paixões de momento. Vivi estes factos na primeira pessoa, uma criatura anónima e sem emblemas na lapela.

Decorria o ano de 1976 e eu acabara de realizar um exame, a nível distrital, de acesso ao Ensino Superior nas disciplinas de Português e de Francês. A sociedade provinciana alentejana vivia tempos de grande perturbação social, nos quais se misturavam amores e ódios de vária ordem. Mudavam-se paradigmas e escolhiam-se caminhos. O sistema educativo ressentia-se das mudanças e apuravam-se caminhos. Aos dezassete anos, o Verão não cabia nos meus sonhos. Crescida entre montados e searas de trigo, dos meus avós, por motivos que se adivinham e que a História conta, era urgente que tomasse a vida nas minhas mãos. Assim, apesar dos dezanove valores (já tenho idade para falar nisto sem pudor exibicionista), decidi procurar trabalho. O interesse local reparou que aquela aluna da Faculdade de Letras, quando completou dezoito anos, era também professora...e tentaram conhecer-me e recrutar-me (assim eram os tempos). Vida cívica activa, mas apartidária...um alvo a atrair.
Tempos de grande esforço físico e intelectual, que o vigor dos verdes anos sabe sempre acalentar. Lisboa era distante, o trabalho intenso e para ser escrutinado (tão jovem e sem o curso completo)...e tudo aquilo que se adivinha.

Um belo dia, recebi um grosso envelope do gabinete do Primeiro Ministro com os impressos para uma bolsa de estudo da Fundação C. Gulbenkian, devidamente preenchidos e prontos a serem entregues. Uma carta explicava-me o porquê e incentivava-me a dedicar-me apenas ao estudo. Assinada: Mário Soares. O meu caminho estava escolhido e a minha resposta foi negativa, acompanhada de uma breve explicação pessoal. Nesse dia, ganhei o apreço de um homem que soube ouvir um não.  Assim o respeitarei. 

Ser livre é essencial, muito especialmente nos tempos em que vivemos.

Ana





terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Algures

dez anos...



Voltei nessa brisa que tão fria passa,
Prenúncio de primaveras distantes.
E os sonhos dançam sob ameaça
De quentes Verões dilacerantes...
Todavia o oráculo, tão dúbio,
Trará de antanho a imagem baça
Deste zurzir, desde  o Danúbio,
Na longa linha que na Europa traça!
E, erguer-se-ão os gritos humanos
Nesse suão por que firmes ansiamos.


Ana