Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

terça-feira, 27 de setembro de 2016

E as crianças, Senhor?



Síria, Amnistia.org


Na geometria quieta,

A tarde que finda...
Nostalgia secreta
Que os sonhos alinda.
Na distância rumores
E o choro de crianças.
Não fales das flores...
Não ensaies as danças!


Ana





sábado, 17 de setembro de 2016

Aguarela breve

Pireus, Grécia  - José Alves


Sereno Setembro
em vagas de luz.
Cristalinas sibilas
onde o verbo reluz.


Ana


terça-feira, 23 de agosto de 2016

Perco-me por Atenas...

José Alves, Atenas
Garrafa de água em punho, perco-me por Atenas. Imensa e caótica, respira o ar de abandono de um cenário por onde invasores e lutas se cruzaram. 

Atenas, José Alves
Gente solitária parece caminhar arrastando os seus temores...

Atenas, José Alves
Muitos atenienses partiram, num abandono escravo...que Atenas nunca será Esparta!

Atenas, José Alves
Rostos sírios, orientais, búlgaros, romenos...unidos pela pobreza evidente. Rostos em fuga, rostos sem censo. Quantos milhões aqui habitam? Ninguém sabe ao certo. Um aroma intenso de «souk». Sorrio. Também eu não pertenço à polis.
Atenas, José Alves



sábado, 20 de agosto de 2016

No coração de Atenas


Ágora Antiga, José Alves

Sem bárbaros o que será de nós?
Ah! eles eram uma solução.
                                              Constantino Kaváfis 

Parthenon, José Alves


José Alves

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Um dos cem mais belos poemas...


Atenas, http://static.ci.com.br



À espera dos bárbaros


O que esperamos na ágora reunidos?
É que os bárbaros chegam hoje.
Por que tanta apatia no senado?
Os senadores não legislam mais?
É que os bárbaros chegam hoje.
Que leis hão de fazer os senadores?
Os bárbaros que chegam as farão.
Por que o imperador se ergueu tão cedo
e de coroa solene se assentou
em seu trono, à porta magna da cidade?
É que os bárbaros chegam hoje.
O nosso imperador conta saudar
o chefe deles. Tem pronto para dar-lhe
um pergaminho no qual estão escritos
muitos nomes e títulos.
Por que hoje os dois cônsules e os pretores
usam togas de púrpura, bordadas,
e pulseiras com grandes ametistas
e anéis com tais brilhantes e esmeraldas?
Por que hoje empunham bastões tão preciosos
de ouro e prata finamente cravejados?
É que os bárbaros chegam hoje,
tais coisas os deslumbram.
Por que não vêm os dignos oradores
derramar o seu verbo como sempre?
É que os bárbaros chegam hoje
e aborrecem arengas, eloqüências.
Por que subitamente esta inquietude?
(Que seriedade nas fisionomias!)
Por que tão rápido as ruas se esvaziam
e todos voltam para casa preocupados?
Porque é já noite, os bárbaros não vêm
e gente recém-chegada das fronteiras
diz que não há mais bárbaros.

Sem bárbaros o que será de nós?
Ah! eles eram uma solução.
                                              Constantino Kaváfis 
(Tradução de José Paulo Paes)