Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

sábado, 20 de julho de 2019

Labirinto da Saudade - para todos os hedonistas actuais




Sugestão de leitura para todos os hedonistas actuais que recusam a idade que os viu nascer e não recolhem a imensa Sabedoria dos velhos.

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segunda-feira, 15 de julho de 2019

Onde vais?



2019


Onde irás, tu, com essas roupas? Sabes que a resposta é íntima...essa é a minha cor preferida. Nela se mergulha o meu Verão alentejano, com ela compreendo a Humanidade. 
Alguma vez ouviste a guerra? O céu nocturno rasgado pelo fogo? Os gritos dos inocentes, ou o choro dos homens adultos? Sabes bem que vou ouvir a guerra, ali no alto dos montes a meio do Oriente. Já te esqueceste daquela vez no Trieste, quando do outro lado do Adriático os meninos choravam e os «aliados» violavam as mulheres que deveriam proteger?
Vamos ouvir a guerra, pois vivemos nesta sociedade em que ela alimenta as trocas, espalha a ganância e maltrata os incautos. Todos deveríamos, um dia, ouvi-la e saberíamos qual o fruto maduro da Terra Prometida.
Sabes as causas da última Grande Guerra. Digo-te: oxalá fora a última!
Eu vou visitar uma das consequências da II Guerra, por isso, não culpes os que ali estão. Escuta, antes, do outro lado dos montes, o claro ribombar que atormenta os herdeiros do porvir.
Nenhuma coragem ali me leva, apenas a minha condição de ser humano que sabe aquilo que a vida lhe tem ensinado.


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Montes Golã na fronteira com a Síria

Ana

Nota: este texto não é uma ficção.



domingo, 7 de julho de 2019

Árduos..

Zurique

Em dias árduos, só o pensamento voa.




quarta-feira, 19 de junho de 2019

A propósito de uma poetisa



Logotetas ou fundadores de línguas, assim lhes chamaria Roland Barthes, são-no, em estado puro, os poetas. Essas novas línguas, tão diversas das outras linguagens, instauram-se no âmago dos seres e não se oferecem ao estudo linguístico e, muito menos, são passíveis de regulamentação gramatical. A sua única abordagem é do domínio da Semiótica e da simbologia textual.
Vem isto a propósito de duas obras que, gentilmente, a nossa amiga e poetisa Graça Pires me enviou numa oferenda que, publicamente, quero agradecer-lhe. A Graça é, então, uma logoteta. Nela, a sintaxe é substituída pela criação. Nela, a língua ilimita-se e, mesmo o lugar das perdas ou das ausências escalonam significantes e desenham insistências. A poetisa transmuda-se em cenógrafa e as representações do quotidiano dão-nos a logotesis. O «mar» ou os «pássaros», «barcos» ou elementos surgidos de uma ruralidade remota tornam-se fragmentos de inteligível, senhas de acesso a um mundo interior e íntimo. Espaços, agora vazios, são sinuosidades de uma vida passada e, tantas vezes, onírica.
Hoje, conheço a Graça - ouso dizê-lo! A Semiótica é o meu olhar sobre o mundo, o meu trunfo de resistência e de Amor. Hoje, amo a Graça, pois sei da utopia que a habita nessa incessante urdidura da linguagem que procura a humana harmonia.
Aqui vos deixo um dos muito belos poemas da autora:


Fecho-me no quarto.
Há demasiada luz
espalhada nas paredes
como se viesse o anjo
que anuncia a extinção
das sombras.
De meus lábios,
interditos a preces,
sai uma canção antiga,
um chamamento
à flor da boca.
Um fulgor suspenso
de meus olhos
tece, sem limites,
o tempo da infância.
Como se perseguisse
um sonho intacto.

PIRES, Graça, Poemas Escolhidos 1990-2011, ed. autor, Lisboa, 2012, pág. 151






Obrigada!



segunda-feira, 3 de junho de 2019

Um dia Agustina disse...

Manuscrito, Agustina Bessa Luís


Durante muitos anos, ensinei o romance Sibila de Agustina Bessa Luís. Nessa época fui lendo as suas obras e o que se ia dizendo, na imprensa da especialidade, sobre ela. Poderia dissertar sobre o assunto, mas recordarei apenas essa caligrafia que sempre me impressionou. Que coisa mais pessoal que o traço do nosso punho, sobre uma folha de papel? 


Em 2012, pronunciou uma frase extraordinária que aqui vos deixo:


«Devemos discutir as coisas importantes e a morte, seguramente, não é uma coisa importante.» ABL



(Os meses de Abril e de Maio são muito trabalhosos para um professor, peço desculpas pela ausência. A vida reclamou a minha constante presença.)