Alentejo

Sexta-feira, 2 de Março de 2012

Os teus olhos


UNAM, Cidade do México


Por estes dias andei imparável, rodopiando na rotina e preparando uma videoconferência com o meu amigo Xavier Narval. Ele e dois amigos ( Ximena Luna e Juan Contreras) falaram, desde a cidade do México, aos alunos da minha escola. Num castelhano doce e pausado trouxeram-nos a memória de um povo antigo, as tradições pré-colombianas, a cultura de um território americano - imenso e belo - a recordar-nos que o mundo vai além do, dito, Ocidente e do declínio a que, estupefactos, vamos assistindo, por aqui.
Obrigada.
Aqui fica um convite à leitura da poesia mexicana.

Tus Ojos 


Tus ojos son la patria del relámpago y de la lágrima,
silencio que habla,
tempestades sin viento, mar sin olas,
pájaros presos, doradas fieras adormecidas,
topacios impíos como la verdad,
o toño en un claro del bosque en donde la luz canta en el hombro de un árbol y son pájaros todas las hojas,
playa que la mañana encuentra constelada de ojos,
cesta de frutos de fuego,
mentira que alimenta,
espejos de este mundo, puertas del más allá,
pulsación tranquila del mar a mediodía,
absoluto que parpadea,
páramo.


Domingo, 26 de Fevereiro de 2012

Divagando...

Abraham Bosse: Les Perspecteurs, 1648

Quem inventou a claridade deste dia?

Quem sonhou estas imagens tão sublimes
E viu na tristeza e na agonia
A força que ao dia imprimes?

Que o sol desça das alturas!
Que chamem nobres as criaturas
Que trazem no peito a imensidão
Que encontraram na solidão!

Os que trazem nesse olhar a limpidez
E escondem na alma a aridez
Dos dias longos e da monotonia
De uma vida feita dia-a-dia...

Que sejam como as andorinhas
Que cruzam os ares em dias de bruma;
Como a flor que os ares perfuma
E como o chilrear das avezinhas!

Que nasça a beleza e a liberdade
Da força da verdadeira igualdade...
E em presença da singeleza
E das formas inertes da Natureza!


Ana


Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2012

Por Évora...


Évora - 2012


«Vagueei longo tempo através das ruas, facetadas de branco, pelo puro gosto de me sentir sozinho, sem ideias, anulado de silêncio. Uma cidade fantástica erguia-se imaginada, numa geometria árida de superfícies lisas, com faixas de sombra e luz estiradas dos candeeiros às esquinas, com filas de janelas altas e cerradas, túneis de arcarias desertas, flechas de torres, de chaminés à altura dos astros, ângulos negros de ruas - imóvel espectro de uma civilização perdida...»

Vergílio FERREIRA, Aparição



Domingo, 19 de Fevereiro de 2012

Exílio


google 


Que conheces, tu, dos gregos, para assim os criticares?


Exílio

Quando a pátria que temos não a temos
Perdida por silêncio e por renúncia
Até a voz do mar se torna exílio
E a luz que nos rodeia é como grades


                       Sophia de Mello Breyner Andresen
Grécia - bebi com eles um café
O começo de todas as ciências é o espanto de as coisas serem o que são.
Aristóteles

Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2012

A Escola do Medo

Notícias - Google



Eles não são escravos  nem súbditos de ninguém. Os homens são a muralha protectora e a mais segura de uma cidade”.

Ésquilo, Os Persas (472 DC)