Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

sábado, 10 de dezembro de 2011

Abandono

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Sábado de cinza. Chuva em túnel. Vamos friorentos pela planície húmida, numa procura sem rumo. Queremos, tão só, fugir da rotina dos dias iguais durante os quais exigimos conhecimento a meninos sem futuro. É esse sentimento trágico que nos semeia os dias e desgasta sem esperança. Sempre vendemos promessas de dias melhores a troco de exigência e de trabalho. Assim acontecia, geração após geração. Professor era isso.
Olho com nostalgia o ondulado dos campos alagados. Alguns rebanhos insistem em procurar alimento nos terrenos incultos. Incultos assim os foram deixando, na mira de riquezas mais fáceis. Conheço os ciclos desta terra, poderia ser esta a minha vida. Chego a lamentar que não o tenha sido, numa espécie de remorso original.
Chove ainda. A água vai perder-se por aí até à secura do Verão. Em salas enceradas jovens políticos deslumbrados escorregam e jamais olharão este país. Ver há-de ser sempre um acto de amor.
Como teremos futuro sem ordenar este país interior? Sem nos vermos por dentro?

Ana






11 comentários:

Jorge disse...

É sempre de louvar a chamada de atenção sobre o INTERIOR DO PAÍS que tem e deve ser visto com OUTROS OLHOS...
Abraço,
J

Rogério Pereira disse...

O sentimento
de ver escoar o tempo
sem nada acontecer
Sem nos vermos por dentro
Sem nos vermos por nenhum lado
O mundo real deixou de merecer a atenção para ser olhado...

Há que dar rumo à nossa procura e o inverno, que se aproxima, não será eterno...

Luma Rosa disse...

Professores sempre foram vendedores de sonhos e deles partiam as vozes de incentivo de um futuro bom, afinal, ninguém lhe tira o conhecimento, mas tira as esperanças. As nuvens de sonhos persistem como um véu sobre os nossos olhos e aos poucos a realidade se encerra. Talvez amadurecer seja isso! Bom fim de semana!! Beijus,

São disse...

Ai, Ana, as criaturas que nos (des)governam não tomam atenção senão a números, nada mais.

As pessoas, para os polítcos - completamente submetidos a essa misteriosa entidade que são os mercados - deixaram de contar.

Que seja bom o teu domingo.

Silenciosamente ouvindo... disse...

Hoje acordei e o que meio ao pensamento foi "parece-me" o des-
lumbramento do nosso Primeiro-
-Ministro nas reuniões internacionais.Parece uma criança
com um novo brinquedo...E agora
ao ler o seu post, tenho que
concordar totalmente consigo.
Eles vivem deslumbrados com o
poder, com os gabinetes, os carros,
as secretárias...e tudo isso, e o
país profundo, eles querem lá saber...
Beijinhos e bom domingo
Irene

Fê-blue bird disse...

Minha querida amiga:
Olhar para dentro de nós, dói, e exige reflexão, "coisa" que se está a perder, tal como a água que se perde nestes teus campos.
Mas basta haver alguém que nos compreende e estima para tudo valer a pena, não achas ?

beijinhos comovidos

Nilson Barcelli disse...

Se o país está mau, o interior vai na frente...
E nestes anos todos não houve ainda uma política consequente.
Querida amiga Ana, tem uma boa semana.
Beijo.

Rogério Pereira disse...

Cara Ana, venho avisar que para o Inverno não durar sempre é preciso começar agora. Está na hora...
do Plano C que eu prometi a você.

Fernando Santos (Chana) disse...

Olá Ana, belo texto que retrata o interior do País...Espectacular....
Cumprimentos

BlueShell disse...

O tempo passa e tudo fica na mesma...repetem-se ciclos...mais nada!
Um texto importantíssimo na conjuntura atual!
Bj

Sonhadora disse...

Minha querida

Hoje passando para agradecer o carinho de sempre e oferecer uma fatia de bolo de aniversário...embora virtual é de coração.

Um beijinho com carinho
Sonhadora