Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

sábado, 30 de abril de 2011

La Resistencia - Ernesto SÁBATO


Auto-retrato




"Hay días en que me levanto con una esperanza demencial, momentos en los que siento que las posibilidades de una vida más humana están al alcance de nuestras manos. Este es uno de esos días.

Y, entonces, me he puesto a escribir casi a tientas en la madrugada, con urgencia, como quien saliera a la calle a pedir ayuda ante la amenaza de un incendio, o como un barco que, a punto de desaparecer, hiciera una última y ferviente seña a un puerto que sabe cercano pero ensordecido por el ruido de la ciudad y por la cantidad de letreros que le enturbian la mirada.

Todavía podemos aspirar a la grandeza. Nos pido ese coraje. Todos, una y otra vez, nos doblegamos. Pero hay algo que no falla y es la convicción de que -únicamente- los valores del espíritu nos pueden salvar de este terremoto que amenaza la condición humana.

Mientras les escribo, me he detenido a palpar una rústica talla que me regalaron los tobas y que me trajo, como un rayo a mi memoria, una exposición "virtual" que me mostraron ayer en una computadora. Debo reconocer que me pareció cosa de Mandinga, porque a medida que nos relacionamos de manera abstracta más nos alejamos del corazón de las cosas y una indiferencia metafísica se adueña de nosotros, mientras toman poder entidades sin sangre ni nombres propios. Trágicamente, el hombre está perdiendo el diálogo con los demás y el reconocimiento del mundo que lo rodea, siendo que es allí donde se dan el encuentro, la posibilidad del amor, los gestos supremos de la vida."

Morreu o escritor argentino Ernesto Sábato. Faria 100 anos em Junho. Calou-se mais uma voz indomável...


quarta-feira, 27 de abril de 2011

O fulgor, a Vida


Beatus de Facundus, Julgamento da Babilónia



Os teus olhos existem
Sobre um papel branco,
Disforme...
Perdem-se as ideias
Na busca de um ideal
Perene, belo, Total!
És a hesitação,
O fulgor, a vida.
És, talvez, a inconstância
E a pressa...
A tua mediocridade
Tão negativa, tão tua
No embrião do sonho,
Da luz,
Da banalidade.
Confessa:
És um sonho trivial
Tantas vezes sonhado
No seio de uma
Humanidade virgem
A despertar para a pressa,
O mal,
O sonho frustrado,
Igual!


 Ana

sábado, 23 de abril de 2011

Ressurgir






Viver é a coisa mais rara do mundo, a maioria das pessoas apenas existe.
Oscar Wilde

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Da Realidade





Salvador Dalí




Que renda fez a tarde no jardim,
Que há cedros que parecem de enxoval?
Como é difícil ver o natural
Quando a hora não quer!
Ah! não digas que não ao que os teus olhos
Colham nos dias de irrealidade.
Tudo então é verdade,
Toda a rama parece
Um tecido que tece
A eternidade.


Miguel Torga, in 'Nihil Sibi'

terça-feira, 19 de abril de 2011

segunda-feira, 18 de abril de 2011

O Seder de Pessach - פסח



seder de Pessach
(pão ázimo e vinho kocher)


De dezanove a vinte e seis de Abril decorre o Pessach judaico. 
Portugueses que somos não poderemos mascarar a nossa origem cultural e religiosa.  Como poderemos esquecer-nos  que estamos no Nissan 5771? Quase seis milénios de tradição religiosa e cultural...
Foi no ano 325 da era comum que o Concílio de Niceia estabeleceu  por Decreto, como a data da ressurreição de Cristo, o primeiro Domingo seguinte à primeira lua cheia depois do equinócio de Primavera. Assim, surgiu a celebração da Páscoa cristã católica.

A questão aqui fica, para incómodo:
 - por que motivo se regerá a Páscoa cristã por um calendário lunar?

                                                                            *****

O Seder de Pessach




A palavra Seder significa “ordem” em hebraico, e com este nome denomina-se a ceia festiva da primeira noite de Pessach (na Diáspora a primeira e a segunda), devido à ordem pré-estabelecida que devem guardar todas as bençãos, alimentos, bebidas, etc., desta celebração.


No início da ceia, quem preside (geralmente o pai ou o avô da família) tem diante de si, sobre a mesa, a Keará – “prato” com os símbolos de Pessach.
Entre eles destacam-se:
  • Maror: erva amarga, uma raiz picante, recorda a amargura que sofreu o povo judeu durante a escravidão no Egipto
  • Zroa: osso com carne assada, como lembrança do cordeiro pascal que era sacrificado em Pessach na época do Templo
  • Charósset: uma mistura de maçãs e nozes picadas e amassadas com vinho, simbolizando a massa dos blocos utilizados no trabalho dos nossos antepassados no Egipto
  • Carpás: verduras que se molham em água salgada – símbolo das lágrimas dos escravos no Egipto e as águas do mar que abriram passagem ao povo judeu
  • Betsá: um ovo, lembrança dos sacrifícios da festa
  • Chazéret: alface romana, que será utilizada como uma segunda porção de Maror

Complementam a mesa do Seder três Matzot colocadas uma em cima da outra (símbolo dos três sectores do povo judeu: Cohanim, – “sacerdotes” descendentes de Aarão; Leviim, – “Levitas”, os filhos da tribo de Levi; e Israel todo o resto do povo), uma taça de vinho especialmente reservada para Eliahu Hanavi, o profeta Elías. Acredita-se que ele chega simbolicamente a cada lar judeu para participar por uns instantes junto com os presentes da noite do Seder. E finalmente as taças de vinho para todos, os quais se beberá, sucessivamente quatro vezes durante a noite. Essas quatro taças de vinho celebram a libertação dos judeus da escravidão do Egipto, quando D’us promete aos nossos antepassados: ‘eu sou o Eterno ; e vos tirarei de baixo das cargas do Egipto e vos salvarei do seu serviço, e os redimirei com braço estendido, e com juízos grandes. E vos tomarei por meu povo” (Shemot- Êxodo 6.6-7).
Um dos principais símbolos da noite do Seder é a Matzah*. No dia anterior a Pessach o consumo da Matzah está proibido, para estabelecer assim uma diferença entre as Matzot que se podem comer livremente durante o resto do ano e as que serão comidas na festa de Pessach como lembrança especial do Êxodo do Egipto. A Matzah também se denomina lechem oni, “pão da pobreza”. Na noite do Seder o consumo das Matzot inicia-se no meio da cerimónia, junto com a ceia

FONTE: COMUNIDADE JUDAICA MASORTI - LISBOA 


* sem fermento.



quinta-feira, 14 de abril de 2011

Recordas-me...de mim

Henriette Ronner-Knip


És tão ágil,
Tão frágil...
E os teus olhos são...
Uma pérola viva e ávida
De constantes carícias!

Eu juro que vi um sorriso
Nos teus lábios de gatinha,
Tão ágil,
Tão frágil...
Uma vez que te disseste minha
Esfregando, aristocrática, em mim,
A tua patita acrobática.

Despertas-me uma rebeldia
Perdida na infância...
Quando grácil saltitas,
Arredia e hábil
E, recordas-me...

 Ana

domingo, 10 de abril de 2011

Instantes




O mês de Abril devolve-me a infância. Não importam os idos. Não importam as vozes desafinadas de nórdicos poderosos e pálidos, nem o tom submisso e delirante de nativos que, bêbados de sul e de sol, construíram estonteantes castelos de nuvens. 
Basta-me o mês de Abril, um céu límpido de azul duro e impoluto, este cheiro forte de rosas abertas e de estevas floridas e quentes. Um falcão peregrino que esvoaça alto recordando-me as origens e este ar quente que me renova a vida.



http://2.bp.blogspot.com/_BucP0HN8OKo/Sw_7rC2scxI/AAAAAAAAABo/lhL7HCKpKTY/S600/falcao+peregrino.jpg

Ana                                                                                                                              Fotos: José Alves

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Fundo

Aqui



Procura teu ser desfeito no vazio
que a vida é feita de sonhos perdidos.
Procura a doçura feita do frio
e dos tremores dos dias vencidos!

Só da luta nasce a vida e o amor;
só do dia que venceste nascerá uma flor.
Ah! Quanta confusão e loucura
existe na derrota duma criatura!

Sê forte mesmo na desdita e na dor.
Sê louca, vive, mas sê sempre pura.
Pura como a flor que se olha com amor,
com admiração, porque tem candura.

Segue o teu rumo com segurança,
mas sem ergueres a cabeça com desdém.
Quando te foge a última esperança,
pensa que a vida contudo é um bem.

Cerra os punhos, luta pela Justiça!
E sê a ave que voa sem preguiça
sobre o tumulto dos tempos
e da voz agressiva dos ventos!



 Ana

domingo, 3 de abril de 2011

Cacografias

Foto: José Alves



O país declina
O país definha
A planície floresce.

Ai a neblina
Que se amofina...
O país fenece!

Ana


Foto: José Alves