Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

terça-feira, 14 de junho de 2022

Sol destemperado

 

Cromeleque das Fontainhas, Mora,  Alentejo


     Perco-me e encontro-me nestes dias de Sol destemperado. Com picadas do calor abrasado sobre a minha tez clara, suponho os mais de quarenta graus que tornam a atmosfera estranhamente apocalíptica. Acinzenta-se, pardacento, o céu. Pássaros atordoados voam baixo e ruidosamente. Sinais de um tempo de agouros suspensos.
    Tendo, sempre, para o equilíbrio anímico. Tesouro que os que partiram me souberam aferrolhar. Riqueza inaudita que invariavelmente me é dada nessas bravatas de me testar ao limite...ilhas, desertos, lugares inseguros pelos quais os homens se digladiam, caminhadas ofegantes...assim me ocupam os ócios desenhados.
       Aqui, na charneca, as flores secaram. Aqui, os ancestrais habitaram. Mas, que futuro terão os meus jovens alunos que amanhã partirão expectantes de Futuro?


Ana
       

9 comentários:

chica disse...

Que linda foto e lugar que tão bem te inspirou,Ana! Dias de sol nos dão cor à pele e fazem muito bem! Adorei! beijos, chica, tudo de bom!

Rogério G.V. Pereira disse...

Aí, na charneca, as flores secaram. Aí, os ancestrais habitaram. Que futuro terão os teus jovens alunos que amanhã partirão expectantes de Futuro?
Na incerteza, lutemos para que os seus sonhos se cumpram!

J.P. Alexander disse...

Bello relato y lindo lugar. El futuro sigue asi se ve muy mal. Esperemos que todo mejore. Te mando un beso.

Graça Pires disse...

Temos esperança. Não a podemos perder. A Natureza tem uma enorme capacidade de se regenerar. Os jovens estão sempre a surpreender-nos. Tudo se acertará, Ana. Tudo de bom para si.
Um beijo.

Jaime Portela disse...

Eu não saberia viver nesse ambiente. Sou avesso a extremos.
Por isso, aconselho-a a uma retirada estratégica para o oásis do Minho... eheheh...
Gostei do texto.
Continuação de boa semana, amiga Ana.
Um beijo.

São disse...

Partilho essa tua paixão pelos horizontes sem limite de um Alentejo esbraseado no Estio, mas também com dias gélidos sob um Sol brilhante no Inverno.

E fascinam-me essas pedras erguidas sobre o solo não se sabe por quem nem com que fim. Da primeira vez que estive na Anta Grande do Zambujeiro (Évora) ainda era possível entrar e, obviamente, não deixei de o fazer : a descarga de energia sobre mim foi de uma intensidade enorme. Infelizmente, Portugal não sabe cuidar de si e , se na altura, já me desgostou o estado de abandono, da segunda vez fiquei em estado de choque.

Quanto aos teus alunos e às tuas alunas...tenhamos esperança, minha querida, saberão encontrar uma saída. Tal como nós soubemos.

Te abraço com voto de tudo de bom , Aninhas.

© Piedade Araújo Sol (Pity) disse...

Ana

um texto muito tocante...as alterações climáticas estão por aí, preciso viver com elas e nem sempre é fácil.
uma foto muito bela.
tenha um bom final de semana.
obrigada pela visita.
beijinhos

:)

Majo Dutra disse...

Temos de agradecer esta semana de nuvens...
Por aqui, os campos também já estão louros...
Quanto ao futuro, será muito diferente, mas acredito que o bem vencerá.
Aproveitem bem os 30º e a brisa deste fim de semana. Beijo
~~~~~~

Maria João Brito de Sousa disse...

Aqui, exactamente onde estou, a ancestralidade é forçosamente menos antiga... há alguns largos milénios todos estes terrenos estavam submersos pelas águas do Atlântico...

Um abraço, Ana!