Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

segunda-feira, 25 de maio de 2026

A Moleirinha



Com teias de luz e de silêncio,

Ao Sol ardente, tecia o seu sonho.

E dedos de vento moíam, moíam...

Grãos de vida na fímbria da Lua.


Sua tez trigueira, madura em grão,

Ao Sol poente, por veredas corria.

E dedos de vento moíam, moíam!

Trigo dos dias, na roda  e em vão...


Menina, ainda, fermento de vidas;

Mulher, que sonhas, que findas?

Flora, na planura deste mar arável!

Amável velhinha, no moinho dos dias.


E dedos de vento moíam, moíam...

Grãos de vida na fímbria da Lua.


                                             Ana Tapadas


Nota: não estive presente, pois a minha Madalena fez os seus cinco aninhos e, por isso, rumei a Alvor. As minhas palavras, essas, estiveram na celebração de um tempo passado próximo.


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