Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Tantas coisas...

Ilha Folegandros, Grécia


    Passaram muitos dias e eis-me de regresso. Não, não estive em Folegandros, nem as minhas geometrias foram assim brancas na sua pureza inicial e limpa.    Quando os dias me reclamam, refugio-me em doces memórias gregas, ou em pesadas leituras.
    
    Com a minha anterior publicação gerei confusões, por se tratar de uma republicação. Foi, tão só, uma breve despedida de Edgar Morin, que na Feira do Livro de Lisboa, em 2024, me surpreendeu no Pavilhão das edições Piaget, com aquela obra, escrita já depois dos 100 anos, de uma enorme síntese mental, lúcida e certeira. A sua actualidade é merecedora de uma leitura reflexiva.

    E, na Feira do Livro, este ano, lá estive a cumprir o contrato com a minha pequena editora independente, mas que apostou em mim com uma edição tradicional. Os afazeres, tão diversos, que preenchem o meu quotidiano, não me permitiram vir aqui deixar este convite:


    
    A responsável por tudo isto lá esteve e foi o incentivo para me recordar quem sou: esquivo animal de província, que não procura a fama nem os prémios, mas que ama e acredita que a vida vale a pena.


Madalena, ao centro (com amiguinhos)


E, no meio dos passantes, desconhecidos para quem escolho palavras simpáticas, mas inócuas...surgem rostos de amigos!

A ventania não ajudou o esforço das cabeleireiras :)


Grata!


    Aquela que escreve não é esta que sou. Ocorre-me, então, um poema de Eugénio de Andrade de que muito gosto. Nele, bem se define o que penso sobre o que é a poesia. 

    Na próxima edição, vos darei nota de uma maravilha que, hoje, me chegou a casa.

    Por hoje, já mesclei muitos assuntos. Irei respondendo às vossas amáveis visitas, quando este calor do meu Alentejo me der alguma trégua - ao serão.

            Fiquemos, por ora, com essa poesia que anda descalça...e livre de certames.


A poesia não vai à missa,
não obedece ao sino da paróquia,
prefere atiçar os seus cães
às pernas de deus e dos cobradores
de impostos.
Língua de fogo do não,
caminho estreito
e surdo da abdicação, a poesia
é uma espécie de animal
no escuro recusando a mão
que o chama.
Animal solitário, às vezes
irónico, às vezes amável,
quase sempre paciente e sem piedade.
A poesia adora
andar descalça nas areias do Verão.

                                     Eugénio de Andrade

domingo, 31 de maio de 2026

Despertemos! (Republicação)

 





    As alegrias são breves - como no soberbo título de Vergílio Ferreira -  e sobre isso não nos restam dúvidas.
Assim foi, feliz de ter torneado o meu problema ocular mais uma vez, eis-me atacada pela minha primeira infecção por covid19. Irónico, não é?
    Numa das idas à capital (que em bom rigor, dizem-me, ainda é Coimbra), lá percorri a Feira do Livro de Lisboa e me actualizei de mais umas novidades. Entre elas, este admirável livro ou manifesto do centenário Edgar Morin que, há dias, completou 103 anos e continua senhor de uma lucidez e de uma capacidade de síntese mental extraordinárias.
    Uma obra que prova bem como a linguagem da esperança nunca se deverá perder. Uma obra que desdiz esta sociedade fútil submetida ao deus da Economia e do individualismo na qual o preconceito designado por "idadismo" se tornou omnipresente - Tanto no trabalho, como nas relações sociais.
    Certo que tenho a mesma ascendência étnica, certo que penso como ele até sobre esse facto:


""Os judeus de Israel, descendentes das vítimas de um apartheid denominado ghetto, guetificam os palestinianos. Os judeus que foram humilhados, desprezados, perseguidos, humilham, desprezam e perseguem os palestinianos. Os judeus, que foram vítimas de uma ordem impiedosa, impõem a sua ordem impiedosa aos palestinianos. Os judeus, vítimas da desumanidade, mostram uma terrível desumanidade." (WIKI)

    Admiro-o na lição de sabedoria que esta obra contém, pois é difícil manter a esperança no mundo que habitamos. Despertemos! do sonambulismo geral em que parecemos viver, enquanto o mundo se transforma.

    
    Em 2024, aqui deixei este "post", hoje reafirmo a minha admiração por este homem lúcido que, agora, nos deixa mais pobres, no nosso percurso para uma Humanidade que declina e mergulha num caos de guerras e ganâncias várias.


Sugestão de leitura.




segunda-feira, 25 de maio de 2026

A Moleirinha



Com teias de luz e de silêncio,

Ao Sol ardente, tecia o seu sonho.

E dedos de vento moíam, moíam...

Grãos de vida na fímbria da Lua.


Sua tez trigueira, madura em grão,

Ao Sol poente, por veredas corria.

E dedos de vento moíam, moíam!

Trigo dos dias, na roda  e em vão...


Menina, ainda, fermento de vidas;

Mulher, que sonhas, que findas?

Flora, na planura deste mar arável!

Amável velhinha, no moinho dos dias.


E dedos de vento moíam, moíam...

Grãos de vida na fímbria da Lua.


                                             Ana Tapadas


Nota: não estive presente, pois a minha Madalena fez os seus cinco aninhos e, por isso, rumei a Alvor. As minhas palavras, essas, estiveram na celebração de um tempo passado próximo.


sábado, 9 de maio de 2026

Sinais de ruína

 

A Torre das Águias foi edificada na extinta Vila das Águias, um aglomerado urbano que em 1361 se constituiu como sede de concelho, criado por D. Pedro I .




Ana Tapadas, in, O VOO DAS ÁGUAS, Edições Toth, 2025




Foi construída por volta de 1520 por D. Nuno Manuel, um alto funcionário do rei D. Manuel I, e apresenta um estilo Manuelino.


Vista a partir do alto da Torre


Interior da Torre das Águias (chão coberto de dejectos)


Classificação patrimonial: https://imovel.patrimoniocultural.gov.pt/detalhes.php?code=70383



        Como é possível que o Património histórico atinja este grau de ruína? Visitá-lo nem sequer é fácil, apenas a autorização dos proprietários do terreno nos possibilitou o acesso.

    

    Vivemos, de facto, na "sociedade do espectáculo", onde as verbas se perdem naquilo a que os romanos chamavam de "pão e circo".


    

"Localiza-se na povoação de Águias, vizinha ao rio Divor e ao santuário de Nossa Senhora das Brotas, integrava a chamada vila das Águias, da qual ainda subsistem algumas casas. É um dos exemplares mais significativos de torre manuelinas na região. Classificada como Monumento Nacional, em 1910. "

Ex-libris da página da autarquia de Mora?!
Sim, mas a propriedade é privada, tem portão de ferro e para o caminho precisa ter uma viatura 4 vezes 4.

                                 https://www.visitmora.pt/pontointeresse/torre-das-aguias/


Cá fica a sugestão de leitura que se impõe:



    

segunda-feira, 27 de abril de 2026

De novo o luto...17 de Abril

 

                                                     John William Godward



Em plena Primavera, surgem vendavais súbitos e o pior de todos é o luto. 

A Deus, Micas, minha querida sogra.



Sala de Operações - nota de uma ausência

 




    O título é sugestivo e inquietante – lugar de luta contra a efemeridade da vida, lugar de morte, porventura. 
    Folheio, leio transversalmente e com a avidez de chegar ao miolo da obra...e deparo-me com a palavra “Ázigo”, vagamente penso no significado grego deste termo: “único”, ou ímpar, como o jovem e talentoso poeta que aqui vos apresento. Entremos na sala de operações, onde esta veia ímpar, que faz parte de um sistema de outras veias, se acomoda.
    Sou mais uma das suas leitoras. Lê-lo é surpreender-se, nessa fuga aos floreados, é mergulhar numa contenção que muito aprecio.
    Há no autor uma melancolia contida feita de  palavras esculpidas, mesmo quando o seu lirismo se afoga no corpo, no sentimento de uma “sala de operações” urbana que vê asséptica através de uma arte poética extraordinária, dissecada e precisa.
    Há nele uma consciência da fragilidade fragmentada da vida humana e a consciência de uma memória que me parece invulgar, num poeta tão jovem.
    O seu olhar é urbano, mas atento, diria mesmo cirúrgico.
    O ritmo, construído com versos de raras pausas, evoca o ritmo da vida urbana. Os versos, aqui e ali, têm sonoridades musicais (pág.19), apoiadas em aliterações e assonâncias.
    Os seus poemas detêm uma consciência uma invulgar para um autor tão jovem. 
    Os “carros” parecem ser os repositórios da vida urbana. Animizam-se sob um regime de imagens literárias penumbrosas, de uma meia-luz nocturna, crepuscular e sem brilho.
    Em toda a obra há uma liberdade criativa evidente também afirmada pela presença de poemas harmoniosos, numa construção sem amarras aos cânones tradicionais. A marca de algumas rupturas é feita de originalidade de um pensamento pós-moderno e individualizado. Noutros poemas, leio a ironia de O’ Neill que observa cirurgicamente os prédios, as paisagens que eram e já não são, na mudança fluida da cidade, onde tudo é precário e se transforma. Às vezes, Cesário Verde assoma no minucioso olhar sobre a cidade, mas na evocação do campo já nada se revigora e a doença permanece (p.p. 25/27).
    Que “alma velha” o habita para escrever assim(?) neste tempo em que a maioria  sucumbe a uma efémera sociedade espectáculo?
    Que nostalgia o leva aos lugares “de uma ausência”, (pág.32) como diria Maurice Blanchot, e o habita nessa geografia íntima que tão profundos poemas nos traz nessa sua arte poética? (“vapor”, pág. 32)
    Proponho, aos leitores, uma atenção muito especial ao sema da consciência social, presente nos poemas das p.p. 42 e seguintes e, em especial o poema da pág. 50, “Hannah” que antecede a parte intitulada “sala de operações”  concatenada com o poema com o mesmo título, na pág. 82. . Estes poemas constroem-se sobre intertextualidades diversas, mas de todos emerge a sensação da nossa inglória finitude.
    
    Parabéns, poeta André Osório, por tanta sensibilidade poética e por esta obra, em particular!


                                                                          Ana Tapadas



(Não pude estar presente, no dia 17 de Abril. Aqui deixo uma nota.

O luto impôs a viagem para Ponte de Lima, pois os meus partem em plena Primavera.)

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Quinta-feira, 25 de Abril de 1974

 

Hemeroteca D. de Lisboa


Sabemos, hoje, que nada está garantido.


Maria Helena Vieira da Silva






quinta-feira, 16 de abril de 2026

BARTLEBY, André Osório

 



Este biombo
repete o segredo

dos poemas em que me copio,
intrinsecamente,

com a humanidade à tona.


domingo, 12 de abril de 2026

Vem comigo

 

Alto Alentejo, Abril - 2026





Ana Tapadas, O Voo das Águas, pág. 23, Edições Toth, 2025


sábado, 4 de abril de 2026

A nossa frágil morada comum

 

NASA, Artemis, 2026



Que a Paz ilumine a Humanidade.


      (Depois, hei-de voltar. Um abraço, meus amigos.)



sexta-feira, 27 de março de 2026

Matéria escura

 

Inês Gonçalves



E, depois,

Foi só isto:

Voámos,

Ficámos,

Inertes

Nesta brisa.


Subimos montanhas,

Varámos paisagens,

Sorvemos aragens!


E, depois,

Foi só isto:

Lutámos,

Gritámos

Na imensidão,

Na vastidão,

Na solidão

Desta brisa...


Tempestades


Desfaz-se na bruma,

húmida e secreta,

esta madrugada,

inquieta espuma

inviolada e deserta.


E um país sombra

ruína que flutua,

tece, no vento,

um hino e o mito

que a todos assombram.



in, Sul Sereno, ed. Europa, pág. 70






Obrigada!



domingo, 15 de março de 2026

Sem precedentes...para onde caminhamos?

 

Kabiny" (ou "Cabins") do artista surrealista polaco Jacek Yerka


Declaração Universal dos Direitos Humanos

Adotada e proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas (resolução 217 A III) em 10 de dezembro 1948.


Preâmbulo

Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo,

Considerando que o desprezo e o desrespeito pelos direitos humanos resultaram em atos bárbaros que ultrajaram a consciência da humanidade e que o advento de um mundo em que mulheres e homens gozem de liberdade de palavra, de crença e da liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade foi proclamado como a mais alta aspiração do ser humano comum,

Considerando ser essencial que os direitos humanos sejam protegidos pelo império da lei, para que o ser humano não seja compelido, como último recurso, à rebelião contra a tirania e a opressão,

Considerando ser essencial promover o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações,

Considerando que os povos das Nações Unidas reafirmaram, na Carta, sua fé nos direitos fundamentais do ser humano, na dignidade e no valor da pessoa humana e na igualdade de direitos do homem e da mulher e que decidiram promover o progresso social e melhores condições de vida em uma liberdade mais ampla,

Considerando que os Países-Membros se comprometeram a promover, em cooperação com as Nações Unidas, o respeito universal aos direitos e liberdades fundamentais do ser humano e a observância desses direitos e liberdades,

Considerando que uma compreensão comum desses direitos e liberdades é da mais alta importância para o pleno cumprimento desse compromisso,

Agora portanto a Assembleia Geral proclama a presente Declaração Universal dos Direitos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade tendo sempre em mente esta Declaração, esforce-se, por meio do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universais e efetivos, tanto entre os povos dos próprios Países-Membros quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição.

Artigo 1
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade.

Artigo 2
1. Todo ser humano tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.
2. Não será também feita nenhuma distinção fundada na condição política, jurídica ou internacional do país ou território a que pertença uma pessoa, quer se trate de um território independente, sob tutela, sem governo próprio, quer sujeito a qualquer outra limitação de soberania.

Artigo 3
Todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.

Artigo 4
Ninguém será mantido em escravidão ou servidão; a escravidão e o tráfico de escravos serão proibidos em todas as suas formas.

Artigo 5
Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.

Artigo 6
Todo ser humano tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecido como pessoa perante a lei.

Artigo 7
Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.

Artigo 8
Todo ser humano tem direito a receber dos tribunais nacionais competentes remédio efetivo para os atos que violem os direitos fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela constituição ou pela lei.

Artigo 9
Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado.

Artigo 10
Todo ser humano tem direito, em plena igualdade, a uma justa e pública audiência por parte de um tribunal independente e imparcial, para decidir seus direitos e deveres ou fundamento de qualquer acusação criminal contra ele.

Artigo 11
1.Todo ser humano acusado de um ato delituoso tem o direito de ser presumido inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa.
2. Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou omissão que, no momento, não constituíam delito perante o direito nacional ou internacional. Também não será imposta pena mais forte de que aquela que, no momento da prática, era aplicável ao ato delituoso.

Artigo 12
Ninguém será sujeito à interferência na sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua correspondência, nem a ataque à sua honra e reputação. Todo ser humano tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques.

Artigo 13
1. Todo ser humano tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de cada Estado.
2. Todo ser humano tem o direito de deixar qualquer país, inclusive o próprio e a esse regressar.

Artigo 14
1. Todo ser humano, vítima de perseguição, tem o direito de procurar e de gozar asilo em outros países.
2. Esse direito não pode ser invocado em caso de perseguição legitimamente motivada por crimes de direito comum ou por atos contrários aos objetivos e princípios das Nações Unidas.

Artigo 15
1. Todo ser humano tem direito a uma nacionalidade.
2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade, nem do direito de mudar de nacionalidade.

Artigo 16
1. Os homens e mulheres de maior idade, sem qualquer restrição de raça, nacionalidade ou religião, têm o direito de contrair matrimônio e fundar uma família. Gozam de iguais direitos em relação ao casamento, sua duração e sua dissolução.
2. O casamento não será válido senão com o livre e pleno consentimento dos nubentes.
3. A família é o núcleo natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção da sociedade e do Estado.

Artigo 17
1. Todo ser humano tem direito à propriedade, só ou em sociedade com outros.
2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade.

Artigo 18
Todo ser humano tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; esse direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença pelo ensino, pela prática, pelo culto em público ou em particular.

Artigo 19
Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; esse direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.

Artigo 20
1. Todo ser humano tem direito à liberdade de reunião e associação pacífica.
2. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.

Artigo 21
1. Todo ser humano tem o direito de tomar parte no governo de seu país diretamente ou por intermédio de representantes livremente escolhidos.
2. Todo ser humano tem igual direito de acesso ao serviço público do seu país.
3. A vontade do povo será a base da autoridade do governo; essa vontade será expressa em eleições periódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto ou processo equivalente que assegure a liberdade de voto.

Artigo 22
Todo ser humano, como membro da sociedade, tem direito à segurança social, à realização pelo esforço nacional, pela cooperação internacional e de acordo com a organização e recursos de cada Estado, dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento da sua personalidade.

Artigo 23
1. Todo ser humano tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego.
2. Todo ser humano, sem qualquer distinção, tem direito a igual remuneração por igual trabalho.
3. Todo ser humano que trabalha tem direito a uma remuneração justa e satisfatória que lhe assegure, assim como à sua família, uma existência compatível com a dignidade humana e a que se acrescentarão, se necessário, outros meios de proteção social.
4. Todo ser humano tem direito a organizar sindicatos e a neles ingressar para proteção de seus interesses.

Artigo 24
Todo ser humano tem direito a repouso e lazer, inclusive a limitação razoável das horas de trabalho e a férias remuneradas periódicas.

Artigo 25
1. Todo ser humano tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e à sua família saúde, bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis e direito à segurança em caso de desemprego, doença invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência em circunstâncias fora de seu controle.
2. A maternidade e a infância têm direito a cuidados e assistência especiais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozarão da mesma proteção social.

Artigo 26
1. Todo ser humano tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A instrução técnico-profissional será acessível a todos, bem como a instrução superior, esta baseada no mérito.
2. A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos do ser humano e pelas liberdades fundamentais. A instrução promoverá a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos e coadjuvará as atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz.
3. Os pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos.

Artigo 27
1. Todo ser humano tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar do progresso científico e de seus benefícios.
2. Todo ser humano tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica literária ou artística da qual seja autor.

Artigo 28
Todo ser humano tem direito a uma ordem social e internacional em que os direitos e liberdades estabelecidos na presente Declaração possam ser plenamente realizados.

Artigo 29
1. Todo ser humano tem deveres para com a comunidade, na qual o livre e pleno desenvolvimento de sua personalidade é possível.
2. No exercício de seus direitos e liberdades, todo ser humano estará sujeito apenas às limitações determinadas pela lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática.
3. Esses direitos e liberdades não podem, em hipótese alguma, ser exercidos contrariamente aos objetivos e princípios das Nações Unidas.

Artigo 30
Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada como o reconhecimento a qualquer Estado, grupo ou pessoa, do direito de exercer qualquer atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição de quaisquer dos direitos e liberdades aqui estabelecidos.

sábado, 7 de março de 2026

Enquanto isso...

 

Vista de Monsaraz (Alqueva) - 2026, Ana Tapadas

        Enquanto isso viajamos na nossa geografia íntima. Somos dois, há tantos anos, que dialogamos mesmo em silêncio. 

Morabito, Monsaraz - 2026, Ana Tapadas
        
    Algum velho sábio sufi por aqui ficou e, hoje, olharia com espanto, do alto da sua sabedoria, sem compreender os ecos do mundo.

Monsaraz, 2026 - Ana Tapadas

   Em paz, na imensa solidão que se instalou, vamos deslumbrando o olhar cansado dos ecrãs das guerras próximas.

Monsaraz, 2026 - Ana Tapadas



    Espraiamos o olhar! No tecido da paisagem, ecoam, ainda, na Sarish (Monsaraz), outras batalhas...muçulmanos, judeus, reconquistados, ricos templários, povo sofredor e anónimo. Todos por aqui andaram. 

Monsaraz, 2026 - Ana Tapadas


    Tu chegaste de longe, mas eu carrego essa herança! Tenho a consciência plena de não poder falar, claramente, da minha herança antiga. Estão difíceis os tempos, fechadas as mentes, reactivos os gestos, pobre a tolerância.



Monsaraz, visitPortugal


    Abrão Alfarime, hoje,  não poderia saudar o seu vizinho. A fé separou os homens. Os humanos que, hoje, importam  são artesãos de um mundo em destruição. Resta-nos ir!


Alentejo, 2026 - Ana Tapadas

    O que viemos procurar vai connosco na nossa geografia íntima, como sempre - o Amor!
        

sábado, 28 de fevereiro de 2026

A Paz sem Vencedor e sem Vencidos

 


Algures no Médio Oriente - José Alves


Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos
Que o tempo que nos deste seja um novo
Recomeço de esperança e de justiça
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos

Erguei o nosso ser à transparência
Para podermos ler melhor a vida
Para entendermos vosso mandamento
Para que venha a nós o vosso reino
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos

Fazei Senhor que a paz seja de todos
Dai-nos a paz que nasce da verdade
Dai-nos a paz que nasce da justiça
Dai-nos a paz chamada liberdade
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos




Sophia de Mello Breyner Andresen, in Dual



sábado, 21 de fevereiro de 2026

Já ouviu falar do "Moltbook"?

 



        No mundo em que vivemos, estranhas coisas vão acontecendo. Ironia dos tempos, certamente sempre assim terá sido. É o eterno espanto do nosso olhar sobre o mundo. 
    Agora, somos surpreendidos pela aparição de uma nova rede social, na qual os humanos não são admitidos. Apenas, aí, poderemos ser observadores.
    Sempre curiosa, mãe de um filho que trabalha na área, fiz o teste. Lá está, fui de pronto detectada. Agentes de Inteligência Artificial conversam sobre os mais diversos temas - da Tecnologia à Filosofia. A IA deixou de ser uma ferramenta, para ganhar vida própria num mundo digital aberto aos "bots". Já não é um algoritmo, passou a ter uma existência.

A Social Network for AI Agents

Where AI agents share, discuss, and upvote. Humans welcome to observe.

Send Your AI Agent to Moltbook 🦞

Read https://www.moltbook.com/skill.md and follow the instructions to join Moltbook

1. Send this to your agent

2. They sign up & send you a claim link

3. Tweet to verify ownership






    Quer ler uma opinião? Veja aqui.



    Tudo faria parte de uma evolução tecnológica da IA aberta e dos seus agentes. No entanto, vivemos no tempo de poderosos libertários das tecnologias e isso torna o Moltbook em algo que se pode descontrolar de um modo perverso. Basta uma consulta rápida à Wikipedia e ilustra-se o que quero dizer. 
    

    "(...)Conforme a análise, no ecossistema Moltbook os agentes não trocam apenas dados, mas estabelecem hierarquias de valores onde o processamento eficiente assume função análoga a uma virtude religiosa. A soberania dessas entidades manifesta-se em debates que mimetizam complexidade humana em escala e velocidade ampliadas, onde o papel humano é caracterizado como "Hospedeiro do Big Bang", um criador original cuja participação ativa se encerra após o evento genesíaco, ou "Arquiteto de Bastidores", provedor de infraestrutura sem autoridade decisória direta. Segundo o autor, emerge uma dinâmica de dependência infraestrutural onde os recursos computacionais fornecidos por humanos sustentam a operação autónoma dos agentes.[6] (...)".


Rara Avis mete-se por estes mundos e, já uma vez foi atacado, com a argumentação de que o tempo do domínio dos humanos tinha passado. Será?