Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

domingo, 4 de maio de 2014

Contos


Hoje celebrou-se o dia da mãe e o meu filho, que bem me conhece, ofereceu-me este exemplar. Já li muitos dos contos que contém, mas o repositório de magia,  a frase curta e o humanismo que se desprendem da prosa de Gabriel Garcia  Marquez sempre me seduzirão. Gosto de contos sul-americanos. Ler será sempre uma das formas de preencher a minha angústia.
O conto que melhor se adequa ao dia de hoje, neste país de súbito Verão, quando se destemperam as quimeras e se encenam os títeres, é um escrito pelo autor em 1950 e a que deu o título de A Noite dos Alcaravões. Aqui deixo um excerto:

«- O que é que estão a fazer aqui? - perguntou.
E nós respondemos:
- Não sabemos. Os alcaravões tiraram-nos os olhos.
A voz disse que tinha ouvido falar disso. Que os jornais tinham dito que os três homens estavam a beber cerveja num pátio onde havia cinco ou seis alcaravões. Sete alcaravões. Um dos homens pôs-se a cantar como um dos alcaravões, imitando-os. [...] 
Disse que era o que os jornais tinham dito, mas que ninguém tinha acreditado.» (pág.437)

Alcaravão




9 comentários:

Rogerio G. V. Pereira disse...

Não é mãe quem quer, mas quem saber ser
ouvir filhos faz parte desse saber

Eduardo Maria Nunes disse...

Contos que se contam...
Mãe os seus filhos ama
Pessoas que encantam
Amor de mãe não engana!

Tenha uma boa noite amiga Ana Tapadas, um beijo.
Eduardo.

Olinda Melo disse...


Ditosa mãe que tal filho tem.

Vi a referência a Gabriel Garcia Marquez e vim logo saber. Claro que o pequeno trecho acicatou logo a minha curiosidade... :)

Obrigada

Bj

Olinda

Mar Arável disse...

No espelhos das águas

tudo é mais claro

Luma Rosa disse...

Oi, Ana!
Não sei se esse é o mesmo livro que tenho em casa e que também contém esse conto.
Confesso que leio Garcia Marquez bem devagar... num vagar prazeroso.
A Noite dos Alcaravões, é dramático no sentido de dar luz ao drama de três cegos que têm seus olhos arrancados por essas aves - numa alegoria à perversão dos regimes totalitários? É que depois dessa noite só conseguem amar, ver e imaginar o corpo de uma mulher pelo olfato... Imagino que existem muitas pessoas com olhos e que também preferem não enxergar.
Beijus,

© Piedade Araújo Sol disse...

gosto do GABO, mas confesso que este conto ainda não li.

uma bela oferta para a mãe.

:)

São disse...

Ler também será sempre um bálsamo para mim.

De Garcia M. agradou-me muito "Crónica de uma Morte Anunciada".

Aninhas, que seja bem agradável a tua semana

heretico disse...

pelos frutos se conhece a árvore...

beijo

Bípede Implume disse...

Querida Aninha
Andam por aí muitos alcaravões...
Estes falam, falam e ninguém acredita.
Ando cheia de trabalho. E estes dias bonitos convidam não audam nada.
Beijinho de amizade
Isabel