Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

sexta-feira, 24 de julho de 2026

A Fé dos homens...

 

São Pedro de Moel, Julho, 2026


    O meu filho, em criança, chamava a este farol de "Igreja do Capacete". Nunca lhe perguntei o motivo, pois as crianças re-baptizam o mundo e que fascínio que isso aconteça, ainda. Depois, cresceu e percebeu a finalidade do edifício e o perigo do lugar para os homens vindos do mar.
    A realidade molda-se ao nosso olhar.
    
Loulé, 2026
    
Afinal, talvez o Algarve não albergue apenas este turismo de Sol e de areias. Perdemo-nos por aí, afastamo-nos desse regozijo de águas quentes a que as mudanças climáticas vão exagerando calores e graus, ou, talvez degraus para um abismo anunciado.
    Em tempo de cigarras, quem ouvirá as formigas?

Lourdes, França, José Alves


    Incendeiam-se as noites, à nossa chegada num dia de chuva fininha, fugidos de um Agosto qualquer que ardia no nosso chão alentejano. A Fé dos homens sempre me surpreendeu, pois nela não fui educada. Surpreendeu-me tanto que nela mergulhei, por anos juvenis de procuras e rumos fragmentados.
    Deus permaneceu, a fé dos homens esvaiu-se.

Mesquita Al-Aqsa e Jardim das Oliveiras, à distância (Jerusalém), José Alves

    Ouvir, ao mesmo tempo, os sinos do catolicismo e o chamamento da mesquita foi avassalador. Não tenho lugar de refúgio, não sigo rebanhos e sou esmagada por esta bastardia anímica e real. Aperta-se-me o peito e oiço ecos de um tempo antigo, quando a avó me dizia:"Podes ir a todos os lugares, ditos, sagrados mas são lugares em que Deus está feito à imagem dos homens e não o contrário...". 
    Deus está antes do Nada. 

Ana