Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

terça-feira, 5 de outubro de 2010

VALETE FRATES!

     
     
    QUINTO / NEVOEIRO
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer.

Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.
Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,

Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.

Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
É a Hora!


Fernando PESSOA





11 comentários:

Miguel disse...

Que mensagem tão actual. Obrigado pela visita e pelos comentários.

s. disse...

Impressão minha ou um certo desalento com o nosso país à conta do governo maravilhoso que elegemos e a crise que carregamos mas nunca quisemos?!

Beijinhos

Ana Tapadas disse...

Não, Sara, nem uma coisa nem a outra e NUNCA deveremos usar a palavra «desalento». Apenas um tributo a Fernando Pessoa e à intemporalidade da Poesia, bem como aos símbolos das gravuras.
Até amanhã e bjs

JPD disse...

Belíssima escolha; de uma actualidade irrepreensível.

Neste Centenário -- Não assistiremos a outro: imagino o estado em que o País estará, o mundo até! -- muita gente falou na crise da Iª República lamentando a reprise.

Eu lembro-me -- Ramalho Eanes estava em Belém no seu primeiro mandato -- fala-se imenso da identidade nacional e no desígnios do país, temendo uma crise política/económica tal como a que se arrastou até ao 28 de Maio de 1926.

Bom resto de semana, Ana.

Sonhadora disse...

Minha querida
Uma linda mensagem, que nos dias de hoje continua actual.

Deixo um beijinho e o meu carinho de sempre.

Sonhadora

Nilson Barcelli disse...

Muita da obra de Fernando Pessoa, nos seus diferentes heterónimos, é actual.
Este poema é um bom exemplo disso.
Eu até acho que continuamos nevoeiro...
Beijos, querida amiga.

Sofia Carvalho disse...

Sempre grandioso e actual o "nosso" Pessoa, Ana!
Obrigada por me recordares mais uma vez este GRANDE Senhor!

duarte disse...

é hora. com ou sem nevoeiro.
abraço de um vale abraçando Douros.

Fê-blue bird disse...

Fernando Pessoa é intemporal, este poema é mais uma prova disso.
Acho que estamos a deixar passar a hora e começa a ser tarde demais.
Também já estava a tardar a minha vinda aqui para lhe agradecer o apoio na "A Voz das Palavras".

Beijinhos

Gerana Damulakis disse...

Ele é o grande de nossa língua. Sem dúvida.

Fernando Campanella disse...

Grande Pessoa, Ana, como gosto de sua alma, de sua complexidade e da beleza de seus versos.