Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

domingo, 28 de outubro de 2012

O Poder das Corporações


«Industrial Worker», 1911



«Mas a realidade é esta: não temos um projecto de país. Vivemos ao deus-dará, conforme o lado de que o vento sopra. As pessoas já não pensam só no dia-a-dia, pensam no minuto a minuto. Estamos endividados até às orelhas e fazemos uma falsa vida de prosperidade. Aparência, aparência, aparência - e nada por trás. Onde estão as ideias? Onde está uma ideia de futuro para Portugal? Como vamos viver quando se acabarem os dinheiros da Europa? Os governos todos navegam à vista da costa e parece que ninguém quer pensar nisto, ninguém ousa ir mais além.»

José SARAMAGO, in "Entrevista" à revista Visão, 2003


10 comentários:

São disse...

Saramago não era economista, mas para ver determinadas coisas só necessitamos de bom senso.

Bons sonhos, Aninnhas

Rogério Pereira disse...

Penso que abandonei as minhas Homilias quando elas mais falta faziam... A lucidez de Saramago é impressionante...

Fa menor disse...

Pois. Até temos a nossa sorte à vista!

Nilson Barcelli disse...

Quanta verdade disse o Saramago há 9 anos.
Não terá sido por acaso que ele escreveu um ensaio sobre a lucidez...
Ana, , tem uma boa semana.
Beijinhos.

Ana Tapadas disse...

Não te preocupes meu amigo...beijo grande

Andradarte disse...

Que pena...não conseguir ler Saramago..
Beijo

Jorge disse...

Agora é como dantes, quartel general em Abrantes. O povo, ao fim e ao cabo, é que tem que aguentar e contribuir [de contrbuições] para sustentar essa malta toda.
Abraço,
J

Petrus Monte Real disse...

Ana,

Saramago, o adivinho, bem avisou!
Ninguém lhe deu ouvidos!
E aí está: o buraco em que se encontra o país ultrapassou as piores previsões!
Ao fim de oito séculos de existência, deparamo-nos com uma situação inédita: as rédeas do poder na mão dos 'mercados' homens sem rosto!

Muito grato pelas oportunas e certeiras palavras: ajudam-nos a reflectir.

Grande abraço

Fernando Santos (Chana) disse...

"O que chamamos democracia começa a assemelhar-se tristemente ao pano solene que cobre a urna onde já está apodrecendo o cadáver. Reinventemos, pois, a democracia antes que seja demasiado tarde."
José Saramago

Cumprimentos

Bípede Implume disse...

Querida Aninha
Nessa altura, em pleno cavaquismo, quem é que iria dar ênfase a essa opinião?
Estamos a viver momentos de tendência feudal.Dias muito sombrios.
Beijinhos e muito estoicismo, amiga.
Isabel