Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Refundação...

Levi van Veluw's


Dias curtos. Excesso de trabalho. Mariposas que esvoaçam fúteis e breves. Cacofonias. Dias curtos. Rostos tristes que o Verão tisnou e agora envelhecem já sem brilho. Prematuras velhices de onde a esperança juvenil se escapou. 
Gente que protesta. Velhos que tremem. Adultos que temem.
Lugares vazios acolhem os primeiros frios. Fugazes silêncios. A coragem que foge. A esperança que se afasta. Nefasta linguagem, também destruída. A vida fragmentada. Estilhaçado o sonho.
O medo. A ignorância, lugar do secreto para ser habitado. Cacofonias. Dias curtos. Fragmentos. 
País antigo. Já não somos, habitamos aqui.

Ana

11 comentários:

São disse...

Somos, minha amiga, somos!

Não é ao fim de quase nove séculos que estas criaturas nos vão destruir!!

Bom feriado.

Rogério Pereira disse...

Vês aquela luz, além?
É amanhã... ou, talvez, pouco depois...

Andradarte disse...

Não o renego....mas lamento o momento porque passamos..
Bom resto de semana
Beijo

Isa Lisboa disse...

Cacofonias, sim, muitas...
Mudanças, poucas...

Beijos, Ana.

BlueShell disse...

Uma escrita fascinante. Mas ainda "Somos"! Somos povo que tem nas veias o sangue da vitória.
Um beijo

R. Vieira disse...

Que beleza te ler.
Seres não seres e fundições para refundar... te leio e reflito!

Gosto muito!

Bípede Implume disse...

Querida Aninha
Isso é o que eles querem.
Bombardear com muito barulho para atordoar e baralhar.
Só temos que estar atentos.
Ainda somos e seremos, sempre.
Beijinhos e bom fim de semana, mesmo com chuva.
Isabel

Ana Tapadas disse...

Todos me entenderam.
Existe uma enorme «cacofonia», para baralhar aquilo que somos e não poderão destruir nunca, embora nos pretendam tornar apátridas.


bjs

Margarida disse...

Chegou a melancolia do Inverno...

Beijinhos

Mel de Carvalho disse...

Ana,

temo, deveras, a constatacão de que, as pessoas estão sem sonho face à dor brutal da fome. face à realidade cruel da indigência.
é isso mesmo, Ana, é isso mesmo

… "já não somos, habitamos aqui."

bem haja, sempre.
um beijo com estima

Mel

Fê-blue bird disse...

...Prematuras velhices de onde a esperança juvenil se escapou...


Um texto soberbo de um país que é nosso.
A imagem está perfeita.

beijinhos amiga e boa semana