Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Horas de vidro

Instituto Camões


Conheci o professor no fim dos anos setenta na Faculdade de Letras de Lisboa. Nunca foi meu mestre, mas a presença firme e o sorriso suave conduziram-me à descoberta da sua obra. Tornei a estar perto dele no final dos anos noventa...O meu mundo ficou mais pobre. O meu país vai tombando em ruínas...
Adeus professor!




Destino

I


Trago na fonte
e estrela do fogo
da minha revolta
Nunca aceitaria qualquer tirania
nem a do dinheiro
nem a do mais justo ditador
nem a própria vida eu aceito...
tal como ela é
com todas as promessas
do amor e da juventude
e a parda doença
de envelhecer
a morte em cada dia
antecipada


II


Na mais labrega alforja
ou na cama de folhas macias
da floresta
onde a chuva te adormeceu
há sempre um diamante de sol
cujos raios te penetram de
ventura
ao sonhares a palavra
liberdade


III


Quando a terra poluída
tiver sorvido
toda a água dos lagos e das
fontes
hei-de levar o meu fantasma
até ao porto sonoro
onde a esperança cai a pique
sobre o mar dos desejos sem limite



                           Urbano Tavares RodriguesHoras de Vidro




3 comentários:

São disse...

Tive a honra da sua amizade e generosidade.

Um Homem que amava a Liberdade e que se recusou a pactuar com a destruição da Primavera de Praga pelos tanques da URSS.

Como bem dizes, minha amiga, o nosso pobre país vai ficando cada vez mais pobre e cinzento...

Abraço de matar saudades

Mar Arável disse...

Há Homens

que não se vendem

Rogério Pereira disse...

Pegue-se num livro, um só que seja. Abra-se em qualquer página, uma basta. Leia-se um parágrafo, um só, e dará para entender a dimensão da sua alma humana.. não morreu! Estes homens nunca morrem... nós não deixaremos! E a dor da perda doí mais se não honramos, por ignorância ou incoerência, a sua memória!