Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

terça-feira, 10 de novembro de 2015

JUSTITIA MATER

Vladimir Kush


Nas florestas solenes há o culto
Da eterna, íntima força primitiva:
Na serra, o grito audaz da alma cativa,
Do coração, em seu combate inulto:

No espaço constelado passa o vulto
Do inominado Alguém, que os sóis aviva:
No mar ouve-se a voz grave e aflitiva
Dum Deus que luta, poderoso e inculto.

Mas nas negras cidades, onde solta
Se ergue, de sangue mádida, a revolta,
Como incêndio que um vento bravo atiça,

Há mais alta missão, mais alta glória:
O combater, à grande luz da história,
Os combates eternos da Justiça!


Antero de Quental



 Nenhum homem é por natureza escravo.
Ζήνων ὁ Κιτιεύς
(Zenão de Cítio, séc. IV A.C.)

20 comentários:

Edumanes disse...

Faça-se justiça em Portugal,
essa palavra tão proclamada,
prendem sem culpa formada
o que é que investigam afinal?

Tenha uma boa noite amiga Ana, um abraço.
Eduardo.

Maria Rodrigues disse...

Excelente escolha, belíssimo poema.
Um abraço
Maria

Rogerio G. V. Pereira disse...

Há mais alta missão, mais alta glória:

Essa, de que nos fala o Poeta
e mais aquela
que assinalo nesta data

São disse...

Muito bom post para o dia de hoje, Aninhas!

Apertado abraço :)

Mar Arável disse...

Por mares nunca antes navegados

Bjs

Majo disse...

~~~
~~ Palavras de quem ousou singrar
por um caminho diferente na política,
~~ em busca de mais justiça social.

Uma escolha inteligente e justa, Ana.

~~~ Abraço amigo. ~~~
~ ~ ~ ~ ~ ~

Fê blue bird disse...

Amiga Ana.
Não podias ter escolhido melhor poeta e poesia para a defesa dos ideais socialistas.

Um beijinho agradecido

Graça Pires disse...

Uma escolha fantástica!
Um beijo, Ana.

Jaime Portela disse...

Gostei de reler o Antero de Quental.
Um escritor meio esquecido...
Continuação de boa semana, querida amiga Ana.
Um abraço.

heretico disse...

alta tensão poética. aqui...

beijo

AC disse...

A justiça (ainda existe, com J maiúsculo?) anda por tão maus caminhos...!
Pertinente a convocação do Antero, Ana!

Uma boa semana :)

. intemporal . disse...

.

.

. "não há longe nem distância" . entre Antero e o dia de hoje .

.

. um beijo meu .

.

.

Olinda Melo disse...


Antero, grande nas suas palavras e nas suas aspirações.
Vítima, talvez, da pressão de voar tão alto e de uma
saúde frágil.
É sempre um prazer lê-lo. Obrigada, querida Ana.

Bj
Olinda

Existe Sempre Um Lugar disse...

Boa tarde, poema que revela a fragilidade do homem, ler Antero de Quental vale sempre a pena.
AG

CÉU disse...

Olá, Ana!

Os sonetos, a poesia de Antero de Quental não foi e não é de fácil interpretação.
Considero-a até uma poesia um tanto rude e "agressiva".
Homem de fortes convicções, que achava únicas e as mais acertadas, polifacetado também, foi muita "coisa" desde operário a tipógrafo, enfim, a rotatividade do seu pensamento era constante e acérrima (tb esteve em Paris. Este pessoal "zarpa" quase todo pra esta cidade, ainda não percebi bem a razão, ou melhor, até percebo: liberdade, fraternidade e igualdade) e embora tivesse nascido nos Açores (sabes, eu acho os ilhéus pessoas mais sãs, mais calmas do k as do Continente. Não sei se estes serão os adjetivos mais propícios, mas é pelo menos aqueles que, de momento, encontro para as definir) nunca foi sereno. Para mim ser sereno, tranquilo, não vociferador, não significa ser acomodado, e mto menos escravo do que ou de quem quer k seja, entenda-se!

Este soneto está repleto de tudo o que lhe abarcava o cérebro: revolta, sede de justiça (quem a não tem?), "incêndios", tumultos, sangue e mto negativismo.
Enfim, ainda há "Anteros", por aí, embora estes já vivam no século XXI, e ele viveu 200 anos antes, e nada se repete da mesma forma.

Sofreu vários anos de distúrbios bipolares, acabando por suicidar-se com dois tiros no banco de um jardim em Ponta Delgada. Não venceu as atrocidades e intempéries da sociedade, tendo sido esta que o venceu a ele, embora num ato isolado, doentio e nada social da parte dele.

Dias com esperança!

Beijos.

Daniel C.da Silva (Lobinho) disse...

Não conhecia. Gostei

:)

Petrus Monte Real disse...

Ana,

belo soneto:
imagino que nos fala
de luta:
a do homem
versus Elementos da Natureza;
mas, principalmente,
a luta
que o homem
trava pela justiça
criadora e protectora (porque é "mater"),
nem sempre coincidente com
a Aplicada!

Um abraço amigo.

Isa Lisboa disse...

Não, por vezes deixamo-nos enrredar na escravidão... Mas é possível melhor, eu acredito!

Beijinhos, boa semana

Andradarte disse...

Já Antero se referia aos eternos combates da Justiça....
Bfs Beijo

Bípede Implume disse...

Querida Aninha
Venho deixar-te um beijinho e que estes novos dias de esperança continuem.
Mais beijinhos.