Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Horas contínuas

José Alves, Alto Alentejo

Perdi-me no frio que o vento carrega. Horas contínuas de trabalho inglório. Caminhei por aí, carregando essa nuvem pesada sobre ombros que se recusam a vergar. Que geração é a minha? Não sei nem mo digas! Eu vim de um tempo ab imo pectore, nunca um cisma qualquer me há-de atingir. 
Sou de um género nunca frágil que resiste e persevera. A distância e o tempo sempre se flectiram e sei-o há muito. A geada não me mata e o vento que vem do norte é, tão só, um visitante passageiro. 
Só os amigos suspeitam destas ausências e sabem que o meu lugar vazio é sinónimo perene da escravatura ignóbil a que estou sujeita. Sabem, porém,  que voltarei e que a Primavera já rumina...

Ana

15 comentários:

irneh disse...

Pois é, minha querida amiga, a escravatura que tenta limitar-te mas a que sempre soubeste e saberás reagir como ninguém. Beijinho

eduardo maria nunes disse...

A Primavera já rumina,
Quem se deita sem ceia
Na tarimba,toda a noite não sossega
Nuvem passageira cinzenta
O vento frio carrega!

Com estas quadras cheguei aqui,
Para bom fim de semana lhe desejar
Amiga Ana Tapadas, com carinho, escrevi
Para você, estas simples palavras a rimar!

À nossa amizade,
Mesmo sendo virtual.
À sua continuidade
Verdadeira especial.

Boa noite, bons sonhos, um beijo
Eduardo.

Rogerio G. V. Pereira disse...

No pico mais alto de um sobreiro
azinheira, chaparro
te aguardo
como um pássaro

Andradarte disse...

Isso sim...é garra e confiança...
Bom domingo
Bjo

Isa Lisboa disse...

Por muito que o Inverno seja longo, sabemos que a Primavera sempre vem a seguir! E isso ajuda a passar pelo frio!
Beijo, boa semana!

Mar Arável disse...

Ainda nos belos relâmpagos

já vislumbro
uma certa desordem de cores nos jardins

Lídia Borges disse...


Uma reflexão necessária. O trabalho, ou falta ou escraviza. Alguma coisa está errada nesta (des)organização.

Beijinho
Lídia

Lídia Borges disse...


Uma reflexão necessária. O trabalho, ou falta ou escraviza. Alguma coisa está errada nesta (des)organização.

Beijinho
Lídia

Jorge disse...

Olá Ana!
Quem aguenta uma nortada [pessoas moldadas na dureza da vida], com certeza é mulher esforçada, resiste e não teme mais nada; ainda mais pressentindo que a radiosa Primavera se avizinha.
Um beijo
Jorge

São disse...

Aninhas, pelo que consigo saber de ti, não me parece que te vergues a nenhuma escravatura!

Beijinhos.

Fê blue bird disse...

Esta é e será sempre a tua força minha amiga.
Tal como esse passarinho que resiste a um inverno rigoroso e triste.

beijinho e boa semana




heretico disse...

"Difficile est tacere, cum doleas..."

... e no entanto pressentem-se já os clamores da Primavera.

(enfim, quero acreditar)

beijo

Fernando Santos (Chana) disse...

Bela reflexão...Espectacular....
Cumprimentos

Fa menor disse...

E haja esperança.
Bonito :)

Beijinhos

Bípede Implume disse...

Querida Aninha
É assim mesmo!
Que essa Primavera venha rápida e esplêndida.
Beijinhos.
Isabel