Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Algares

Palácio do Cadaval


Algares
Chovem nos dias
Claros
Incólumes
Luz sem mácula

Extasias
Inverno ou inferno
Raros
Lugares
De incertas alegrias

Claros
Chovem dos dias
Secos
Azedumes
Na luz sem mácula

Alentejo
Sem chuva nos dias
Claros
Secos
De incerto arpejos

Ana






14 comentários:

francisco júnior disse...

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Majo Dutra disse...

Espero ver os lindos campos alentejanos
floridos na primavera...
Espero que os dias chovam molhados...
Gostei muito de te ler, uma forma muito bela.
Tudo de bom para vós.
Beijinhos, Ana.

Ainda em recesso, dei uma volta cumprimentando
amigos. Abraço.
~~~~~~~~~~

CÉU disse...

Olá, minha querida Ana!

Espero que estejas bem de saúde, tal como restante família. Nós, cá vamos andando. Era assim que a minha mãe e tias começavam as cartas umas pra outras. Havia já telefone, mas só duas, que casaram com pessoas de posses, tinham o aparelho a que poucos já ligam. Têm os espertos e estão ficando cada vez mais burros e sós.

Alacares é o plural de alacar, que tem alguns significados, que eu desconhecia, mas a net diz-nos tudo ou quase. Alacares é nome de terra no nosso Alentejo? É que apresentas o Palácio do Cadaval, que só visitei uma vez, e que adorei, mas eu
não me lembro da palavra Alacares como terra.

Alcar pode ser concavidade, cavidade, cova, não gosto, lembra-me mortos, catacumbas, não gosto, lembram-me corredores fundos e escondidos onde os cristãos rezavam, antes de Constantino, cavernas, lembram-me Pré-História e gosto e imagino. Não havia poluição, nem corrupção, nem invejas, pois todos tinham o mesmo, o básico e tinham de ir pescar ou caçar e era se quisessem comer, mas Ana, tirar um fruto da árvore, não é tão salutar e ecológico?

Pronto, já fugi ao teu poema e já estou a divagar, mas eu vou tentar chegar lá ou próximo.

Achas que nessas covas, se forem covas, de que o teu poema fala os dias chovem, sucedem-se, lindos, brancos e sem o mais pequeno senão? penso que sim, tb. De facto, estou farta, extasiada com tanto frio, que tem feito e sei que no Alentejo tem sido muito: clima temperado continental. O que se espera?

O alentejano e o Alentejo nunca foi demasiado alegre e nem oferece um copinho a quem passa ("tás" entendo, decerto), mas vivemos e isso é o importante. Infelizmente, a taxa de suicídio é bem alta no nosso cantinho e mais no Baixo, que no Alto. Solidão, filhos fora, amor aos pais, que estão doentes e incapacitados, vida profissional e o tempo pouco sobra e qdo sobra é para pensarmos ou escrevermos.

Queres que chova, Ana? Eu sei que a chuva sempre foi precisa, ontem, hoje, amanhã (já parece a canção de José Cid - rs). Anima-te que as duas próximas semanas serão chuvosas, mas talvez haja, um dia ou outro, luz, a nossa luz.

Alentejo seco, mas que a natureza há de repor. Espero bem que não chova demasiado, que o Alqueva não se encha duas ou três vezes mais e depois lá se verifica o contrário, ou seja, lá tens tu de fazer um poema dedicado à chuva, que devasta e estraga tudo.

Não há acordes certos, nunca houve, há, nem haverá, mas o mundo é mesmo assim.

Gostei das tuas poucas palavras (nós não somos faladores), mas mto bem posicionadas e querendo dizer tanto.

Beijos e bom domingo. Um beijo para a tua mãe, também.

Lu Dantas disse...

Oi, Ana! Vim retribuir a sua visita carinhosa! E chego aqui com tantas poesia, clareza, sentimento! ;)

beijos!

https://ludantasmusica.blogspot.com.br

Mar Arável disse...

Lágrimas de sal
Bj

Olinda Melo disse...

Algares, lugar ou formação geomorfológica?
Uma grande composição, em que as palavras se tornam música, cheias de ritmo.
Que importa se elas aparecem deixando entrever ora um certo drama ora alguma alegria?
É na sua aliança que reside a beleza deste poema.

Beijinhos

Olinda

Graça Pires disse...

Não chove no Alentejo e a luz sem mácula deixa que os olhos ceguem de tanta secura...
Uma boa semana, Ana.
Um beijo.

Existe Sempre Um Lugar disse...

Olá, a seca extrema tema em continuar no Alentejo e Algarve, a natureza desta vez, não tem estado bem com estas duas províncias, dentro destes dias, promete chuva, não vai ser a suficiente, mas pode atenuar a gravidade da situação.
O poema é maravilhoso, feliz fim de semana,
AG

AC disse...

Não há água, mas há luz, muita luz, à espera, tal como um paciente noivo, de uns pinguinhos para (se) revigorar, só assim a boda faz sentido.

Tão bom ler-te, Ana!

Um beijinho :)

Ana Rodrigues disse...

Poucas palavras e tão harmoniosas :) beijinhos

CÉU disse...

Querida Ana,

Espero que estejas bem, tal como a tua mãe e restante família.

Não sei se já te tinha dito, mas vou estar afastada dos blogues durante umas semanas, pke preciso tratar e repousar a mão esquerda. Se já disse, dá uma desculpa à minha pobre cabecinha. Caso não te disse, ficas já a saber.

Beijinhos e bom fim de semana.

Jaime Portela disse...

Confesso que o teu poema é complexo na interpretação.
E, lendo-o várias vezes, mesmo com alguns "pontos fixos", cuja interpretação é mais óbvia, restam outros que (para um leitor como eu) não são fixos e movem-se pelas planícies alentejanas ao sabor do vento de cada leitura.
Para complicar, usas uma palavra (algar) pouco usada (pelo que sei). A única "aplicação" que conheço é a do Algar do Carvão, na ilha açoriana da Terceira, com mais de 300 degraus para se chegar ao fundo desse algar...
Em qualquer caso, no seu todo, o poema entende-se e é excelente a forma como o concebeste. Parabéns.
Boa semana, amiga Ana.
Beijo.

Mariazita disse...

O Alentejo é isso mesmo, e quem o ama... ama mesmo!
Sem dissecar (a poesia é para interiorizar) gostei das palavras, do ritmo, da cor- tão branca que cega o olhar...

Obrigada pelos votos de melhoras dos meus dedinhos…

Votos de uma boa semana.
Beijinhos
MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

Manuel Veiga disse...

"Raros
Lugares
De incertas alegrias..."

são esses que (nos) merecem ...

beijo