Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

sábado, 17 de março de 2018

Indivíduos


Vladimir Kush, «Divine Geometry»

Chove.
O trabalho intenso afasta os mundos virtuais. Os dias absorvem a energia disponível. De perto, os ecos de guerras inundam os rios distantes e os mares próximos. Chove e ouço uma entrevista de Almhed Al-Tayed e olho o Sidur a que, às vezes, regresso...criaturas como eu são feitas de fragmentos.
Chove.
Soube que morreram amigos; a minha querida Janaína Amado chora o seu amor Luiz...crianças encurraladas são moeda de troca; a corrupção alastra; rios de superficialidade inundam os humanos... o caos parece instalar-se.
Chove.
Os dias correm exaustos e pequenos. 

Ana


8 comentários:

Rogerio G. V. Pereira disse...

O que hoje tanto nos ocupa
pode um dia deixar
de tanto nos ocupar

o trabalho em excesso
é uma tirania
que não deixa visíveis as vítimas
como acontece na guerra

há uma certeza
amanhã, o sol brilha

mas não esqueceremos
estes dias de chuva

Ana Tapadas disse...

Como o Rogério entendeu!

CÉU disse...

olá, ana...

mto grata pela tua visita e preocupação. estou melhor da mão e dedos e amanhã, recomeçarei as minhas atividades profissionais.

continuas a trabalhar desalmadamente e a pensar nos problemas do mundo. ó minha querida humanista...

chove, pois k chova, pke dizem que a chuva ainda faz mta falta. é preciso ordem, querida ana, mas com falinhas mansa não chegamos a calecut - rs.

enquanto tudo isso acontece, os dias estão, felizmente, a crescer. valha-nos isso...

só escrevo, ainda, com a mão dta, daí não surgirem aqui letras maiúsculas, nem alg. sinais de pontuação. sei k entendes.

beijos e boa semana.

Majo Dutra disse...

Queida Ana.
De facto, é exatamente como diz.
Não há tempo para guardar uns minutos silenciosos pelos mortos...
A comunicação massacra com tanta tristeza, que as pessoas para
não sucumbirem necessitam recorrer à fantasia, à poesia...
Beijinhos
~~~~

Lu Dantas disse...

Que bonito, Ana. Li, li de novo e a cada palavra numa nova leitura me veio a ideia da chuva capaz de limpar o necessário, do esforço transformado em energia que pode dispersar, dos nossos pedaços que juntos nos fazem únicos, das palavras de quem entende a importância de diálogo entre religiões, da dor da perda, da dor das injustiças e de tudo o que nos cerca. Que venham as transformações! ;)

beijos!!

https://ludantasmusica.blogspot.com.br

Mariazita disse...

Os dias de chuva provocam, geralmente (em mim, intensamente!) um desalento difícil de vencer.
Daí... neurastenia, mau humor, impaciência...
Nada que um raio de sol não possa curar...

Obrigada pelo teu cuidado com os meus dedinhos. Estão praticamente curados. O polegar é que ficou - não sei se para sempre... com a falangeta dormente. Aguardemos para ver.

Continuação de boa semana.
Beijinhos
MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

Olinda Melo disse...


Querida Ana

Sim, o mundo às avessas. Aliás, quando é que não esteve?
O pior disso tudo é que não apresenta melhoras. Vamos
caminhando no tempo mas não aprendemos nada. A crueldade
impera.

Muito obrigada por essa reflexão.

Beijinhos

Olinda

Graça Pires disse...

Um texto profundo e para reflectir. Os dias "exaustos e pequenos" deixam-nos sem palavras para o desgoverno deste mundo...
Uma boa semana, Ana.
Um beijo.