Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

domingo, 26 de agosto de 2012

Ocultos...

Viana do Castelo,  Senhora da Agonia,  2012


Caminhaste, assim, oculto pela multidão.
Chegará uma mentira difusa, velada, festiva...
Troará, fora do mundo, o ribombar, o trovão
Iminente, inclemente, hipócrita e fugitiva...

Tua alma mentirá no sonho inacabado...
E serás, ainda, a página branca de uma fuga
No claro dia de um ninho abandonado...
Ave incerta que voa, se atormenta e madruga.

A turba não esconde nem o silêncio te oculta.
Podes correr, mariposa confusa, para a luz,
Na secreta erosão de antigos laços...

O cortejo é a massa ritmada e resoluta
E tu vacilas carregando na vida a cruz
E erguendo o Mundo com teus braços!

Ana



Viana do Castelo, Senhora da Agonia, 2012



5 comentários:

Rogério Pereira disse...

Teu poema, poeta
É um soneto sobre uma maneira de estar
Independentemente do lugar
É triste
mas é assim
ocultos, sempre ocultos
Até ao fim...

Andradarte disse...

Bonito soneto alegórico...
Possivelmente, nunca irei
já, às Festas da Senhora da Saúde.....mas vou já dar uma voltinha pela net..
Boa semana
Beijo

São disse...

Ocultos, é uma tristeza termos que nos ocultar...

A única vez que fui de propósito a Viana por causa das festas , choveu a potes e, para cúmulo, tivemos que ir dormir bem longe da cidade.Resultado:não vi nada!!

Bons sonhos, Anita.

cores e outros amores disse...

Que bonito... faz-me lembrar os meus tempos de adolescência... Viana do Castelo... que bom!
Beijo

Fê-blue bird disse...

Deixas-me sem palavras minha amiga.
PERFEITO!!!


beijinhos