Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Com mãos se faz a paz se faz a guerra


Arte rupestre, Patagónia



Com mãos se faz a paz se faz a guerra
Com mãos tudo se faz e se desfaz
Com mãos se faz o poema ─ e são de terra.
Com mãos se faz a guerra ─ e são a paz.


Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedra estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.

E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.

De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.



Manuel Alegre
O Canto e as Armas
Europa-América
1979



4 comentários:

Edumanes disse...

O senhor alegre poeta,
tem talento para a poesia
desertou para a Argélia
contra seus camaradas combatia!

VIVA PORTUGAL, VIVA BOA GENTE. VIVA O 25 DE ABRIL, LIBERDADE SEMPRE.

Tenha uma boa noite, amiga Ana, um abraço,
Eduardo.

Rogerio G. V. Pereira disse...

Na primeira vez que li este poema,
tomei a decisão de levar "A Praça da Canção" para a guerra
talvez em Agosto de 1969, ou um pouco antes

Existe Sempre Um Lugar disse...

Boa tarde, ler Manuel Alegre é fantástico, sou um admirador do poeta e do seu carácter.
AG

Isa Lisboa disse...

Sim, as mãos, como nós, têm o poder de cosnsruir e de destruir, da Luz e da Sombra...