Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

domingo, 21 de janeiro de 2018

Notas






Há na cidade um silêncio que ruge
O grito  ou estridência que rasga
Um lamento qualquer
Lassidão que embarga

Há na cidade um reflexo
Estilhaço violento ou solidão
E a urgência do grito que urge

Por isso corremos na planura
Levando o vento à ilharga
Perseguindo a eterna candura



Ana

19 comentários:

Rogerio G. V. Pereira disse...

Na cidade há um pequeno momento
que alguém agarra
quebra-o e dentro
tem uma alegre gargalhada

ainda se ouve, ainda se ouve

CÉU disse...

Olá, Ana!

Estás bem? E a pessoa de quem tratas com tanto esmero, amor e cuidado? Suponho ser o teu pai.

São notas, apenas notas soltas ou algo que tu presencias e sentes? Nas cidades há sempre um bulício próprio e ninguém tem tempo para olhar para o lado, nem ajudar alguém a subir para um transporte público, por exemplo. Creio que no nosso Alentejo, talvez, isso assim não seja, pke quase todos somos "primos e primas".

Sabes, falando-te o mais francamente possível, aliás, como sempre o fiz, sinto uma certa acalmia nas pessoas e os salários já foram aumentados. Eu recebi menos, mas julgo ser uma questão de acertos. Eu chega-me o que tenho, portanto não precisava de aumento salarial.

Se sentes essa agitação na cidade, é natural que te espraies na nossa planície e fiques embevecida olhando as searas e as papoilas, que estarão para chegar. Disse-me uma moça algarvia, é sempre assim k a gente diz, mesmo que a pessoa tenha 70 anos ou mais, que no Algarve e no Baixo Alentejo já se nota o cheiro e a cor da primavera. Vamos atrás da pureza e da simplicidade, já se vê.

Beijos e boa semana.

Érika Oliveira disse...

Que lindo poema! Uma arte.

Graça Pires disse...

A cidade designa-se pelo desassossego impregnado de histórias errantes...
E digo contigo: "Por isso corremos na planura Levando o vento à ilharga Perseguindo a eterna candura". Lindo, o teu poema, Ana.
Uma boa semana.
Um beijo.

Mar Arável disse...

Belo canto
Bj

Majo Dutra disse...

Que poema tão expressivo, Ana!

Há de tudo nas cidades, choros da mais pura alegria
e choros mais desesperados.
Vidas solitárias e silenciosas e outras eufóricas...
Ordem e caos...

Desejo que estejam a passar um bom Inverno
~~~ Beijinhos ~~~

Victor Barão disse...

A meu humilde ver e sentir, é um pequeno poema que à sua maneira encerra a vivencial multiplicidade da cidade, é por isso também um grande e conclusivamente belo poema...
Excelente semana
Beijo

As Mulheres 4estacoes disse...

Olá,Ana!
A cidade é permeada por tantas diferenças.
Acredito que a candura pode abrandar alguns caos que rondam por ela.
Um abraço e desejo de um feliz 2018
Sônia

Gil António disse...

Visitando gostei muito do seu blogue e da sua forma de escrever. Voltarei mais vezes
.
Poema: * Amor ... ou castigo do coração? *
.
Deixando saudações poéticas.
.

Existe Sempre Um Lugar disse...

Olá, a vida na cidade tem a solidão e o convívio, tem amizade e ódio entre pessoas, tem de tudo, muitas das pessoas limita-se a um rosto cerrado sem um ligeiro sorriso ou um bom dia seja a quem for, vivo rodeado por quarenta famílias, uns vivem por cima, outros por baixo, outros no lado direito e no lado esquerdo, ninguém se conhece, quando se cruzam, ninguém para para dois dedos de conversa, ninguém quer saber uns dos outros, é a vida na cidade, o poema é lindo e profundo.
Boa semana,
AG

Edumanes disse...

Aqui não queremos mais a ditadura,
neste país onde nascemos e vivemos
como os nossos pais sofreram tortura
que os nosso filhos sofram não queremos!

Tenha uma boa tarde amiga Ana. Beijinhos.

Jaime Portela disse...

A cidade devora-nos por dentro, a menos que haja boas defesas...
Parabéns pelo poema, é excelente.
Bom fim de semana, amiga Ana.
Beijo.

Olinda Melo disse...

Querida Ana

Na cidade há a pressa dos dias, um corre corre como se não houvesse amanhã. Não há tempo nem espaço para a troca de um olhar ou cumprimento. É um silêncio ruidoso onde se instala a solidão.

Beijinhos

Olinda

Ana Rodrigues disse...

E tudo tem a sua beleza, a cidade, o campo. Dito com essas palavras poéticas, ainda mais. Beijinhos :)

Manuel Veiga disse...

há um tempo de maturação, antes do grito se soltar.

beijo

Bípede Implume disse...

Querida Aninha
Um Olá muto saudoso.
Apesar de ter deixado a cidade parece que aqui o tempo é mais escasso. Há outras distrações, outros lugares, outros afazeres. O único elo comum é mesmo o mar. Que está por todo o lado...e faz tanto bem.
Beijinhos de muita amizade.

CÉU disse...

Ana, minha amiga, que é feito de ti? E as férias? Já terminaram, claro.

Aparece, qdo te for possível.

Beijinhos e bom fim de semana.

Jaime Portela disse...

Vim à procura de mais.
Mas gostei muito de reler este excelente poema.
Bom fim de semana, amiga Ana.
Beijo.

Mariazita disse...

Olá, Ana
A cidade é violência, o campo é paz!
Violência física (ataques, assaltos, agressões), violência auditiva ( barulheira infernal dos veículos), violência atmosférica (ar irrespirável, poluído).
Paz é a candura do campo, ar puro, saudável.
Mas as duas coisas são precisas e fazem parte do mundo em que vivemos.

Obrigada pela presença na Festa de Aniversário da minha “CASA”.
Bom Fim-de-semana
Beijinhos
MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS