Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Sinais do Tempo

Caspar David Friedrich


Por estes dias hiberno no meu local de trabalho. São dias inteiros, são horas a fio. A estridência das cores: laranja dominante pelo pavimento, que escorre de um amarelo-gema gritante das paredes, desagua num cinzento descuidado, de obra a cimento nu, do espaço central. Neste local acontece expor-se trabalhos de toda a natureza. Agora, bem visível e organizada, uma mostra de trabalhos, tem por cenário umas árvores bem ao estilo de David Friedrich, ácido pintor alemão do século dezoito - dezanove.
Tudo seria natural se não se desse o estranho acaso de o meu olhar aí se ter estremunhado e de eu ter proferido o nome do pintor para um conjunto de olhares vazios que nunca ouvira falar dele. 
Talvez o meu alemão seja apenas uma dor de garganta, talvez o meu olhar se tenha esvaído da realidade destas cores ácidas, românticas ou simbólicas do paisagista, pois professo essa natureza de filha do Mediterrâneo e da sua luz intensa...talvez por isso eu tenha olhado assim e ousado pronunciar aquele nome. Mundos sombrios não são o meu abrigo.
Sinais do tempo.

Ana


Pormenor


10 comentários:

nacasadorau disse...

Adoro pintura e tenho dias que consigo ver azul em telas totalmente cinzentas, é uma questão de estado de alma... eu acho.
Mas francamente, por vários dias consecutivos e especialmente em dias tão cinzas como estes últimos, eu morreria de tédio.
Vivam os tons da vida alegre da gente do Mediterrâneo.

Beijinho e melhores telas no horizonte.

São disse...

Tal com tu, sou filha do Sol e da Luz, rrss

Se tivesse que viver num país de cilma frio e escuro, teria uma depressão ao fim de poucas semanas, de certeza!

Abaixo as sombtas. Todas!

Um abraço grande.

Maria Luisa Adães disse...

Já encontrei os comments.

O escuro também tem a sua beleza.
Não fere os olhos e faz parte de devaneios que por vezes surgem, no meu sentir.

A minha ausência é feita pelo
médico - não posso escrever muito,
tenho de melhorar.

Ainda mando os livros...

Abraço grande,

Maria Luísa

Sonhadora disse...

Minha querida

Como boa Alentejana também não posso viver sem sol...mas as pinturas são maravilhosas.
Quanto ao calor, se aqui em Sintra está quente aí deve estar de esturrar passarinhos.

Deixo um beijinho com carinho
Sonhadora

Andradarte disse...

Vídeo fascinante....
O mundo sombrio, vem do estado d'alma....
A foto do 'pormenor', está lindaaa...
Beijo

Bípede Implume disse...

Querida Aninha
Esta Primavera percebi porque os nórdicos procuram Portugal.
Também alinho pelo Sol, Inteiramente.
Espero que, pelo menos, no fim de semana consigas descansar.
Beijinhos.
Isabel

christina disse...

Bom fim de semana com muito sol,Ana!! beijinhos.

Fê-blue bird disse...

Amiga, vivemos num mundo sombrio, só nos resta pegar nos pincéis e pintá-lo nas cores da nossa imaginação.

beijinhos e bom fim de semana

Jorge disse...

Tudo o que se relaciona com a natureza tem, mesmo na sua feiúra, algo de belo.
Agradecido pelos seus amáveis comentários no Azimute.
Abrs
J

Olinda Melo disse...

Querida Ana

Uma beleza acidulada, não há dúvida.
Pergunto-me, às vezes, por que motivo não desdenho duns diazinhos cinzentos e chuvosos.Mistérios da alma humana...:)

Bom domingo.

Bj

Olinda