Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Tu tens um medo

Gerânio - 2019 


Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.

E então serás eterno.


Cecília Meireles




Gerânio, 2019



Vieram de Creta, os meus gerânios.


segunda-feira, 15 de abril de 2019

Metáforas a Ocidente.

Paris, 2019 (Google)

CONSTRUÇÃO: 1163 A 1345

DESTRUIÇÃO: ALGUMAS HORAS


Que aprendem os homens com a História?

   


sábado, 13 de abril de 2019

Rebeldes...

José Alves, 2019



Quem te disse que envelheci? Rebeldes como nós conhecem todos os caminhos. Têm a resiliência do «antes quebrar que torcer»...não me fales da novilíngua, nem dos medos emergentes. A planície é vasta e todos os lugares estão próximos, pois a distância não nos intimida. Vamos por ali, retemperemos o fôlego que a miragem é enganadora! 



José Alves, estevas - 2019


Agrestes os lugares, belezas livres e luminosas. A Primavera rebenta, os odores limpam-nos a memória dos dias gradeados. O esforço físico recorda-nos o lugar a que pertencemos. Aqui, morreremos de pé, conhecendo o valor de cada vida humana e o tesouro que cada um transporta para o futuro. 
Rebeldes seremos. É o nosso desígnio.

Ana 

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Imagine...

Rob Gonsalves


O tempo voa, flui, ocupa-se dos outros. A seguir, escutamos a imensa cacografia do mundo que nos rodeia e percebemos que o tempo voa...É tão bom sabermos que os outros nos esperam, escutam e acreditam, ainda, que temos uma força insuperável. Teremos, nós, essa força? Sem dúvida! 
Estão aí os tempos: são de luxo e de lixo; de pão e de circo; de ideais e de banalidades.
Temos um dever, ainda: o de desocultar a superficialidade para onde nos pretendem atirar as gerações mais novas. Somos guardiões do passado e há testemunhos para legarmos.

Aí tenho estado.


Ana

quarta-feira, 13 de março de 2019

Se os professores usassem armas...




Platão, Atenas, Grécia


SE OS PROFESSORES USASSEM ARMAS, NÃO SERIAM PROFESSORES! 




Mestre

Mestre, meu mestre querido,
Coração do meu corpo intelectual e inteiro!
Vida da origem da minha inspiração!
Mestre, que é feito de ti nesta forma de vida?

Não cuidaste se morrerias, se viverias, nem de ti nem de nada,
Alma abstracta e visual até aos ossos.
Atenção maravilhosa ao mundo exterior sempre múltiplo,
Refúgio das saudades de todos os deuses antigos,
Espírito humano da terra materna,
Flor acima do dilúvio da inteligência subjectiva...

Mestre, meu mestre!
Na angústia sensacionalista de todos os dias sentidos,
Na mágoa quotidiana das matemáticas de ser,
Eu, escrevo de tudo como um pó de todos os ventos,
Ergo as mãos para ti, que estás longe, tão longe de mim!

Meu mestre e meu guia!
A quem nenhuma coisa feriu, nem doeu, nem perturbou,
Seguro como um sol fazendo o seu dia involuntariamente,
Natural como um dia mostrando tudo,
Meu mestre, meu coração não aprendeu a tua serenidade.
Meu coração não aprendeu nada.
Meu coração não é nada,
Meu coração está perdido.

Mestre, só seria como tu se tivesse sido tu.
Que triste seria como tu se tivesse sido tu.
Que triste a grande hora alegre em que primeiro te ouvi!
Depois tudo é cansaço neste mundo subjectivado,
Tudo é esforço neste mundo onde se querem coisas,
Tudo é mentira neste mundo onde se pensam coisas,
Tudo é outra coisa neste mundo onde tudo se sente.
Depois, tenho sido como um mendigo deixado ao relento
Pela indiferença de toda a vila.
Depois, tenho sido como as ervas arrancadas,
Deixadas aos molhos em alinhamentos sem sentido.
Depois, tenho sido eu, sim eu, por minha desgraça,
E eu por minha desgraça, não sou eu nem outro nem ninguém.
Depois, mas porque é que ensinaste a clareza da vista,
Se não me podias ensinar a ter alma com que a ver clara?
Porque é que me chamaste para o alto dos montes
Se eu, criança das cidades do vale, não sabia respirar?
Porque é que me deste a tua alma se eu não sabia que fazer dela
Como quem está carregado de ouro num deserto,
Ou canta com voz divina entre ruínas?
Porque é que me acordaste para a sensação e a nova alma,
Se eu não saberei sentir, se a minha alma é de sempre a minha?

Prouvera ao Deus ignoto que eu ficasse sempre aquele
Poeta decadente, estupidamente pretensioso,
Que poderia ao menos vir a agradar,
E não surgisse em mim a pavorosa ciência de ver.
Para que me tornaste eu? Deixasses-me ser humano!

Feliz o homem marçano,
Que tem a sua tarefa quotidiana normal, tão leve ainda que pesada,
Que tem a sua vida usual,
Para quem o prazer é prazer e o recreio é recreio,
Que dorme sono,
Que come comida,
Que bebe bebida, e por isso tem alegria.

A calma que tinhas, deste-ma, e foi-me inquietação.
Libertaste-me, mas o destino humano é ser escravo.
Acordaste-me, mas o sentido de ser humano é dormir. 


Álvaro de Campos





EU NÃO USO ARMAS. SOU PROFESSORA!

segunda-feira, 11 de março de 2019

Olhos que pensam

Vladimir Kush 

Humana a condição
daqueles que ousam
um pensamento adiado!
Deserta a escuridão,
superficial e formatada,
dos hedonistas que pousam
a humana insatisfação...



Ana



domingo, 3 de março de 2019

Prenúncios da desconformidade...





São Pedro de Moel, 2019

AINDA NÃO É VERÃO!



Vila Velha de Ródão, 2019


JÁ FOI VERÃO!

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Cultivo

Fevereiro, 2019
Ainda aí estão as promessas e os sonhos adormecidos. Acredita!

Fevereiro, 2019
Ainda aí estão as flores, apesar da invernia seca e da exótica dispersão. 

Fevereiro, 2019
E os ancestrais lírios de uma evocação benigna e justa...

Fevereiro, 2019
E as rosas, do meu Amor impoluto e fraterno, que à Humanidade me consagra.

Fevereiro, 2019
Ainda que na distância atroem os  ecos de vozes perseguidas e silenciadas...

Fevereiro, 2019
E ignoradas as muralhas que se constroem sobre o deserto da justiça tão amada...

Fevereiro, 2019
Não me digas que as redes te cercam e que o silêncio te embala!

Fevereiro, 2019
Um grito se ergue, no desespero do olhar dos lacerados...

Fevereiro, 2019
E a coragem, humana como um rio, cresce na tua indignação!


Ana


domingo, 17 de fevereiro de 2019

Relatório


Ponte de Sor, 2019


Caminho pela rua. Primavera súbita. Listagens caleidoscópicas que perturbam o olhar cansado do dia. Mãe doente, paciente. Bóia de tantas vidas, eu sou, frágil e ágil, felina angústia que se anicha por detrás de um sorriso envelhecido. Inesgotável pasta repleta de testes esperançosos. Oitenta e uma vidas a quem o futuro foi prometido. Primavera súbita, sorrindo!

Ana

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Chove, eu sei

Grécia


Chove, eu sei...
O trabalho afoga-me.



domingo, 27 de janeiro de 2019

Da alta montanha

Héctor Molina


Talvez o silêncio
da alta montanha.
Talvez o azul
Imenso do Sul.

E este quebranto
das gentes plasmadas
que incrédulas,
paradas...
Talvez no silêncio
da mente ligeira,
caiam no logro
deste Inverno azul.

E neste espanto
e neste quebranto,
inferno que finda,
não sabem ainda
do sonho inquieto
que desta soleira
se aflora ao Sul.

Ana



quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Futuro

Almeida Júnior 


A sala está quente,
Ardem os olhos
Cansados de ler...
A sala está quente,
Fervem na mente,
cansados a ler.

A sala ardente,
Cansada de ser
Indolente!
O teste cresce...
A mente amanhece.
Alunos a ser!
Cansados de ver.

L. está doente,
Mas o teste floresce,
Apta a ser.
Alunos a ler
Quebram o muro:
Futuro!


Ana

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Populismos

Jornal opinião acre


SEM COMENTÁRIOS.

Brexit



O Grito (no original Skrik) é uma série de quatro pinturas do artista norueguês Edvard Munch, a mais célebre das quais datada de 1893. A obra representa uma figura andrógina num momento de profunda angústia e desespero existencial. O plano de fundo é a doca de Oslofjord, em Oslo, ao pôr-do-sol. O quadro O Grito é considerado como uma das obras mais importantes do movimento expressionista.  (WIKI)


AS VÁRIAS VERSÕES DESTE QUADRO PARECEM TRADUZIR O ESTADO EMOCIONAL DA SOCIEDADE, DITA, BRITÂNICA.

sábado, 5 de janeiro de 2019

Alerta

Ítaca, Grécia

Abriu-se a porta.
Entrou a vida,
Clara como a luz.
É urgente!
É forçoso!
É inadiável...
Não adormecer!
Abriu-se a porta.
É fria a luz!
É frágil a Vida!


Ana






Da utopia

Este foi o presente da minha querida Janaína Amado. Obrigada!

sábado, 22 de dezembro de 2018

Amigos

Xico Pereira


Na minha infância, o frio tinha pérolas de orvalho e a bruma da planície humedecia as minhas pestanas longas. Havia sobre os telhados uma carícia de verde e o fumo erguia-se de lareiras em ondas de uma harmonia secreta. Lá fora, a geada e a repressão.
Na minha infância, de menina privilegiada, havia um olhar atento de gumes e pratos que distribuía cheios pelos vizinhos. E eu soube, desde então, qual o sentido das Festas e qual a medida da Justiça. 
Desde esse eco distante, na remota aldeia alentejana, vos desejo umas Boas Festas.



(*pagá-lo)



Zurique, 2018


Um Ano Novo Melhor!

Com Amizade,
Ana Maria


sábado, 15 de dezembro de 2018

Dirás que o fogo aquece...



Sudão, FOLHA.COM

Que faremos, após o serão?
Que faremos, depois no Verão?
Dirás que o fogo aquece...
Dirás que o Sol aquece...

Dirás Etiópia ou dirás Sudão?
Dirás Amor ou será Paixão?
E leremos o Passado...
E teremos o legado!



Etiópia, FOLHA.COM

A sombra se ergue
E o Medo vagueia...
O Amor te abriga,
A Paixão te ateia!

Na clausura dos dias
Não ergas @ rede...
Na clausura dos dias
Não sacies a sede!


Sugestão de leitura

Dirás Etiópia ou dirás Sudão?
Dirás Amor ou será Paixão?
E leremos o Passado...
E teremos o legado!


TVI24

Que faremos, após o serão?
Que faremos, depois no Verão?
Dirás que o fogo aquece...
Dirás que o Sol aquece...

Ana









terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Do silêncio



Maranhão, Avis - José Alves

É o silêncio necessário que os longuíssimos dias nos trazem. Infindáveis tarefas que o virtual não alcança...


sexta-feira, 23 de novembro de 2018

SINAIS DE FOGO...sugestão de leitura





«Romance único de Jorge de Sena, parcela de um projecto romancesco de grande dimensão cuja designação genérica seria Monte Cativo, objectivando o recorte de uma geração nascida nos finais dos anos 10 do século XX, Sinais de Fogo abriga em si o despertar de um jovem, entre um grupo de amigos e familiares, para a sexualidade, a política e o fazer poético.
De uma erudição e de um rigor literário inexcedíveis, aqui se fixa um olhar sobre o ano de 1936 português, tendo como pano de fundo o início da Guerra Civil de Espanha.

Colecção Mil Folhas.»



Paradise, Califórnia  (Google, news)


GÉNESIS
De mim não falo mais: não quero nada.
De Deus não falo: não tem outro abrigo.
Não falarei também do mundo antigo,
pois nasce e morre em cada madrugada.

Nem de existir, que é a vida atraiçoada,
para sentir o tempo andar comigo;
nem de viver, que é liberdade errada,
e foge todo o Amor quando o persigo.

Por mais justiça... -Ai quantos que eram novos
em  vão a esperaram porque nunca a viram!
E a eternidade...Ó transfusão dos povos!

Não há verdade:  o mundo não a esconde.
Tudo se vê: só se não sabe aonde.
Mortais ou imortais, todos mentiram.

                                                                                                         Jorge de Sena



«Jorge Cândido de Sena nasceu em 2 de Novembro de 1919 em Lisboa. Terminou em 1936 o seu curso de liceu (média de 13 no 5.º e 6.º anos, média de 14 no 7.º ano), ano em que se inscreveu nos preparatórios para a escola naval . Formou-se em engenharia civil na faculdade de engenharia do Porto (licenciou-se com 13 valores).
Até 1959 foi funcionário da Junta Autónoma de Estradas, data em que se exila no Brasil, onde conclui o doutoramento em letras e rege as cadeiras de teoria da literatura e literatura portuguesa na Universidade de Araquara.
A partir de 1965 passa a viver nos E.U.A. acompanhado da esposa Mécia de Sena, de quem teve nove filhos, sendo professor catedrático na Universidade de Winsconsin e, posteriormente na Universidade da Califórnia - Santa Bárbara, onde dirigiu o departamento de literatura portuguesa e espanhola. Recebeu ao longo da sua vida vários prémios, entre eles a Grã-Cruz de Santiago.
Faleceu em 4 de Junho de 1978. Três dias depois, a Assembleia da República exprimia pesar unânime, certamente partilhado por todos os que tiveram a honra de o conhecer a si ou à sua obra.»