Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

domingo, 1 de junho de 2008

Eduardo Lourenço - pensador da cultura portuguesa

Carlos BOTELHO, Lisboa, 1947

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« O aparato e a aparência


Arcaica e estratificada a certos níveis, a sociedade portuguesa oferece, por contraste, uma extraordinária mobilidade "psíquica", ou antes, uma comum disponibilidade para que os indivíduos que a constituem ocupem nela as mais imprevistas funções. No curioso far-west em que nos convertemos - depois de séculos de clausura sociológica - a predisposição crónica do efeito de aparência eclipsa quase por completo a crítica e o contrapeso que a avaliação mais correcta das exigências da realidade e das capacidades para a satisfazer, importa. Em princípio, todo o português que sabe ler e escrever se acha apto para tudo, e o que é mais espantoso é que ninguém se espante com isso.»

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Eduardo LOURENÇO, O Labirinto da Saudade

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1 comentário:

Bipede Implume disse...

Gosto muito da pintura de Carlos Botelho - o pintor de Lisboa. Embora a sua obra, tão vasta, incida por muitos outros temas (chegou a fazer banda desenhada numa publicação chamada o Abc-zinho) é nos seus quadros sobre Lisboa que deleito o meu olhar.
Grande abraço e boa semana.