Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

sábado, 6 de novembro de 2010

Descobertas

Belmonte


Existem lugares assim: repletos de memória, desenhados na beleza pura de encontros antigos. Neles se inscrevem os sonhos de tempos idos. Percorrê-los é reencontrar. A beleza cava silêncios. As palavras estagnam. O indizível instala-se. Sacraliza-se o momento.  


Belmonte


Por aí nasceu Pedro Álvares Cabral, seria 1467. Os sonhos de um menino escrevem-se na pedra dura das montanhas em redor. Olhou-as e partiu e fez-se nau de Descobertas. Descobriu. À luz transparente deste dia a contradição ainda se renova. A Índia dos sonhos de marajás ainda é lugar de desencontros.
Os evangelizadores já retornaram. A fé dos homens, a fé nos homens...colonizadores impiedosos enchem as naus do desespero.

Belmonte
Cum ad nihil magis, escreveu o sacerdote supremo para o rei D. Manuel I e um édito gelado varreu o ar limpo da montanha. Esconderam-se os sábios. Ocultou-se a sabedoria milenar. A fé dos homens, a fé nos homens... inquisidores e proselitas percorrem as ruas desertas.
Belmonte

A magia perdura. O lugar encanta. O Atlântico abraçou-se para sempre a partir deste sítio remoto, belo e tolerante.

                                                                                     Ana

Pedro Álvares Cabral -
(Belmonte, 1467 ou 1468 — Santarém, 1520 ou 1526)
«Na História das Navegações portuguesas, Pedro Álvares Cabral tem porém lugar de destaque, como Descobridor do Brasil, comandante da maior frota até então armada por Portugal para as viagens oceânicas, e iniciador da Carreira da Índia como rota regular e líder da primeira expedição naval que ligou quatro continentes: Europa,  América, África e Ásia».( Fonte: Instituto Camões - R. Pinto)



Fotografias: José Alves

14 comentários:

Ana Lucia Franco disse...

Ana, viajei na história e nas imagens. Muitos lugares têm disso, são incrustados de memórias, uma magia do passado que fica nas coisas, no ar, no ambiente. Lindo post, querida.

bjs.

Sonhadora disse...

Minha querida

Sempre textos muito elucidativos e históricos, aprende-se sempre.

beijinhos com carinho
Sonhadora

LUNA disse...

Aninha querida, eu näo sei se hoje, Brasil olha a Pedro Álvarez Cabral com os memos olhos de admiraçäo que até agora olhavam desde Portugal...

Acontece o mesmo con Colon e a America Hispana....

Agora deixam de ser descobridores para ser invasores,
Os evangelizadores, em nome da cruz, mandaram aos infernos aos infiéis...

Que foram enganados e trocaram oro por espelhos...
Enfin Aninha, que parece que a historia de agora näo é a mesma....

Que tem razáo?
Pois até duvido....
Um beijinho

Fê-blue bird disse...

Descobri aqui um sítio maravilhoso que não conheço com muita pena minha.

beijinhos e boa semana

Nilson Barcelli disse...

Um post carregado de História.
De um período áureo... muito à custa da morte dos indígenas, seguido de muita roubalheira e escravatura...

Querida amiga, boa semana.
Beijos.

Ana Tapadas disse...

Queridos Luna e Nilson:
É esse mundo de contradições que Belmonte testemunha...históricas, mas muito especialmente religiosas.

Beijos

Flor ♥ disse...

Fé dos homens e fé nos homens... e não é disso que são feitos os nossos melhores sonhos?

Beijos, querida!
Uma semana de paz!

Maria Luisa Adães disse...

Muito boa a cadência do escrever,
sobre grandes homens
que com coragem
descobriram novos mundos.

Inquietações espirituais,
jogo de lugares e sombras,
crises de consciência,
descobrem
e juntam
Todos os Continentes
do Globo da terra,
Nossa Casa.

E foram homens que marcaram épocas
e em especial, o "Renascimento".

Muito bom o que nos oferece!

Maria Luísa

Bipede Implume disse...

Querida Aninha
Muito bonito este texto sobre a comunidade judaica em Belmonte, uma das maiores do País. Quantos cristãos novos por esse País fora.
Gostei muito.
Beijinhos com muito carinho.
Isabel

Gerana Damulakis disse...

Aprendi. Adoro quando aprendo. Ótima postagem, Ana querida.

Em tempo: aqui já não se diz "descobrimento do Brasil", agora é o "achamento do Brasil" porque já está comprovado que os portugueses chegaram sabendo que havia terra, não foi um acaso como se estudava no meu tempo de menina. Minha filha já estudou como "achamento do Brasil" e guardei o livro de História do Brasil com este título:O Achamento do Brasil.

Ana Tapadas disse...

Querida Gerana:
«Achamento», sem dúvida alguma. Assim se diz desde a «Carta do Achamento», escrita de Porto Seguro, entre 26 de Abril e 2 de maio de 1500 e nem sequer foi a primeira viagem de portugueses até aí...
Tens razão e eu sei bem, mas tens que admitir que eu escrevo no «fio da navalha», para desacomodar as contradições.
Beijocas, minha achada querida

Rita disse...

Bonito :) beijinho

JPD disse...

Ainda não estive em Belmonte.
Um colega meu está farto de insistir.
Tem razão: ter estado recentemente na Covilhã e não me ter lá deslocado quase chega a ser incompreensível.
Foi!
Bjs

Fernando Campanella disse...

"Percorrer os lugares da memória é reencontrar-se..." è em nossa memória afetiva, na cultura que herdamos e que adquirimos, que o homem se espelha.
Bela postagem, Ana, lindas fotos, linda homenagem a Cabral, com seu espírito desbravador e que possibilitou o nascimento do Brasil.
Bjinhos.