Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

domingo, 1 de julho de 2012

Tensões

José Alves
Têm sido longos dias de clausura, num trabalho de formiga sigilosa. É assim, nesta época em que começa o Verão e já não voamos pelo mediterrâneo para recuperarmos sabores e autenticidades, porque agora este trabalho que me tem afastado do blogue é escravo como o de qualquer pedagogo grego da Antiguidade. O país mirra devagar e os sonhos moram cada vez mais longe. Felizmente, resido numa parte da Europa onde a vinha, a oliveira e o trigo germinam a recordar-me esse sentimento de pertença anímica. Por sorte vivo num lugar em que o Festival Sete Sóis Sete Luas me traz, nas longas noites, um eco dessa cultura que considero Mãe.
Ontem, quebrei a clausura e lá estive, montada no sonho de um futuro melhor e mais autêntico. A língua belíssima da Sardenha levou-me mais além deste escurecido rectângulo...
Um dia sobrevoei a ilha, rumo a outras ilhas mais distantes. Um dia, espero, ainda caminharei nas veredas sardas.


4 comentários:

Rogério Pereira disse...

"O país mirra devagar"
Apenas discordo
Na velocidade do mirrar

E sim!, a Sardenha é nossa terra!

São disse...

O país está mirrando e nossa tristeza aumentando.

Ainda hei.de ir até à Sardenha...

Bons sonhos, Ana

Maria Luisa Adães disse...

Ana

Belo texto o que nos apresenta, onde a nostalgia de um mundo melhor é tão nitida...

De forma estranha tudo se processa
como numa alucinação de um final
que se anuncia mau.
E somos os personagens desta peça representada no palco da vida.

Com ternura,

Maria luísa

Fê-blue bird disse...

Amiga, o país mirra e nós temos que alargar os nossos horizontes senão mirramos também.
Continuação de bom trabalho.

Beijinos