Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O Profeta e os homens

Ismail Shamut, Palestina


NA CASINHA DA RUA HALAFTA

Na casinha da Rua Halafta
as tardes passam tranquilamente.
Amigos vêm, partem e sabem ao odor da mirra.
Na copa da palmeira há uma coroa de chuva transparente.
As rosas quase que irrompem para dentro de casa.
E nestas tardes de infinito outono, estou sempre no terraço,
a observar as luzes de Talpiot em frente,
pensando em que estações estarás agora, 
e em como desapareceste, como transcorreu a vida.

 Rami Saari (Israel)

*****

ELE É CALMO E EU TAMBÉM

Ele é calmo,
E eu também.
Ele bebe chá de limão,
e eu bebo café.
(esta é a única coisa diferente entre nós)
Ele, como eu, usa uma camisa folgada básica
E eu olho, como ele, para uma revista mensal.
Ele não me vê enquanto eu o olho discretamente;
Eu não o vejo enquanto ele me olha discretamente.
Ele é calmo,
E eu também.
Ele pede algo ao garçon;
Eu peço algo ao garçon.
Um gato preto passa entre nós,
E eu toco sua noite de pêlos;
Ele toca sua noite de pêlos.
Eu não digo: «o céu está claro hoje,
mais azul»;
Ele não me diz: «o céu está claro hoje.»
Ele é o visto e o que vê;
Eu sou o visto e o que vê.
Eu movo minha perna esquerda;
Ele move sua perna direita;
Eu balbucio a melodia de uma canção;
Ele balbucia a melodia de uma canção.
Eu penso: «Ele é o espelho onde eu me vejo?»
Então eu olho-o  nos olhos e não o vejo.
Deixo o Café com pressa.

Penso: talvez ele seja um assassino,
ou talvez seja apenas um homem passando
e eu seja um assassino.

Mahmoud Darwish (Palestina)


 David Gerstein, Israel



6 comentários:

Rogério Pereira disse...

E é tudo tão humano... e desumano
E como acaba?
E quando?

R. Vieira disse...

"As rosas quase que irrompem para dentro de casa"

Fico aqui a imaginar esta beleza de cena!!!

Que coisa maravilhosa!
Abraço Ana!

(=

Bípede Implume disse...

Querida Aninha
Soube à pouco da notícia sobre a Christina.
Ela estava doente desde Julho.
Fiquei muito triste.
Este mundo também não ajuda nada.
Beijinho, amiga.
Isabel

São disse...

Pelo último comentário , parece-me que perdeste alguém que te era importante, Se assim é te abraço ,desejando paz a quem partiu.

Quanto ao post , mostra claramente o absurdo da guerra fraticida entre povos semitas na Palestina..e que parece interminável, desgraçadamente.

Bem hajas, Aninhas!

Andradarte disse...

....ou uma imaginação
fértil...
Abraço

Isa Lisboa disse...

E continua a ser tão difícil reconhecermo-nos no outro...

Beijo